31 de maio de 2009

Literacia da Informação

Literacia da informação
* Natália Jesus Seixas Augusto

Viver no século XXI é viver no glorioso mundo da informação! Nunca, em tempo algum houve tanta, para quase todos. Para designar esta nova era, criou-se nova designação, porque há uma necessidade premente de o homem catalogar tudo. Hoje e talvez amanhã pertencemos à “sociedade de informação”.
Estará a criança, o jovem, o adulto preparado para absorver tanta informação? Que tipo de informação? Saber-se-á usá-la e transformá-la em conhecimento? Estes são os desafios dos novos tempos! Dos actuais e próximos governantes.
A Escola, independentemente de políticos e políticas, acabará por ser capaz de responder a este desafio. Na verdade, a Escola e a Biblioteca Escolar, em particular, são fundamentais para a construção de literacias: literacia da informação, literacia da leitura, literacia do audiovisual, literacia informática.
Literacias e não apenas literacia. Hoje literacia não é meramente saber ler e escrever um texto em particular, é aplicar estas competências em contextos de uso específicos. É a capacidade de transformar a informação em saber e ter a capacidade de gerir esse saber. É, no fundo, saber utilizar a informação editada, que surge em abundância todos os dias, colocá-la no seu contexto e transformá-la em conhecimento, de modo a fazer sentido. É aprender a aprender pela vida fora.
Hoje o que é necessário e urgente é que a Escola se assuma como uma instituição que proporcione aos seus alunos uma info-alfabetização, para que estes sejam actores nesta “sociedade de informação”. No caso português, podemos dizer que estamos apenas nos primeiros degraus de uma longa escadaria.
As escolas portuguesas têm sido apetrechadas de meios informáticos importantes, porém não basta ter o equipamento, é necessário saber utilizá-lo adequadamente. Mais, é necessário saber que uso se deve fazer a tanta informação, como a transformar em conhecimento.
Ora, perante tantas mudanças, o papel da Escola e a integração da Biblioteca Escolar no Projecto Educativo da Escola tem de ser efectiva. Se isso não acontecer, se os órgãos de gestão, grupos disciplinares e professores continuarem de costas voltadas para a BE, o futuro da educação estará, efectivamente, comprometido. Há todo um longo percurso a trilhar.
*Natália Jesus Seixas Augusto nasceu em França, em 1966, e aí viveu até aos 8 anos. Depois vai para Portugal, Mirandela (Trás-os-Montes), onde frequentou o ensino básico e secundário. Aos dezoito anos troca o Norte por Lisboa para prosseguir estudos. Ingressa na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, em 1985, para frequentar o curso da licenciatura em Línguas e Literaturas Modernas – Estudos Portugueses e Ingleses, do ramo de Formação Educacional, que terminou em Junho de 1991.
Da sua breve actividade literária, participou em 1996 e 1997 no “Concurso Literário Revelação” de poesia, promovido pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, recebendo o 1.º Prémio na sua segunda participação. Em 2000 publicou alguns dos seus poemas na colectânea há qualquer coisa, na Editorial Minerva, cujo lançamento decorreu no Palácio Galveias, em Lisboa. Em 2007 publicou o primeiro volume André no Reino das Palavras Falantes, da colecção infanto-juvenil Os Caçadores de Gramatífagos.
Iniciou a sua carreira de docente de Língua Portuguesa em Setembro de 1991, tendo leccionado em escolas dos distritos de Lisboa, Bragança e Setúbal.
Desde 2002 que trabalha na Escola Básica 2,3 El-Rei D. Manuel I, de Alcochete, na zona da grande Lisboa, fazendo presentemente parte da equipa da BE/CRE (Biblioteca Escolar/Centro de Recursos Educativos).

* Natália faz parte da II Coletânea Scriptus - A livre Escrita

Um comentário:

Madalena Barranco disse...

Olá Natália,

Compreender, transformar e aplicar... A alquimia do conhecimento. Seu texto é precioso e ensina a lapidar o ser humano em aprendizado.

Abraços.