10 de julho de 2009

Porquê procurar ajuda, de Nanda Botelho(*)

Basicamente porquê encontramos na vida um desafio maior que nossos recursos de enfrentamento. Pode ser no trabalho, nas relações amorosas, fraternais (amigos, parentes, filhos...) ou com o sentido de nossa própria existência

O fato é: a carga está maior do que nossa capacidade atual de resolver.

Quando demoramos a pedir ajuda, vamos somando; o que era pequeno vai se tornando gigante, saímos de uma pequena preocupação para uma angústia, da angústia para a tristeza e desânimo, do desânimo para uma doença física e o principal, nossa mente entra em caos e não conseguimos mais aproveitar a vida, perdemos o gosto e vivemos por viver continuamos a fazer tudo, mas com falta de alma, de vivacidade, de alegria.

Insistimos por algum tempo ainda que não precisamos de ajuda; “Posso resolver sozinho!” talvez por orgulho, lá no fundo não queremos apresentar fraqueza ou mesmo incompetência para viver, afinal essa deveria ser a mais básica das habilidades e é uma vergonha acharmos que não a temos. O que não sabemos é que essa habilidade básica não é desenvolvida em nós junto com a educação, sim não somos educados para viver plenamente e dispor de nossa criatividade e superar desafios. A maioria de nós é abafada nisso justamente pela educação. Ao longo de nosso desenvolvimento vamos sendo podados e amarrados, cristalizados em respostas prontas e invariáveis ditas humanas, que atrapalham mais que ajudam. Então começamos a pensar que somos assim que nascemos assim! Rígidos, imutáveis com uma resposta só. Perdemos nossa criatividade e ganhamos uma Personalidade, algo que até nos orgulhamos dizendo; “Eu sou assim!” e esse assim às vezes está nos levando para uma existência infeliz e nós achamos que somos impotentes “isso é mais forte do que eu” “não posso mudar”. E continuamos, às vezes até orgulhosos de nossa cristalização, respondendo sempre igual, normal nos tornando confiáveis. Sem nem desconfiar que podemos mudar.

Viramos um joguete, das circunstâncias com resposta pronta para tudo. Se tiver emprego sou feliz, se não estou amargurado; se encontro um romance estou no céu, se não vivo um inferno; se a vida vai num rumo planejado, me sinto seguro se não entro em desespero; quando tenho saúde me distraio, quando ela falta me revolto. E assim vamos nós como cordeiros seguindo algo aparentemente confortável.

O problema surge quando a vida varia e muda o rumo, nos joga numa experiência não programada ou não desejada. Cadê o recurso para enfrentar? É nessa hora que precisamos nos reeducar para criatividade, para o pensamento alternativo, para a inteligência de vida que foi relegada na educação formal. E é nesse momento que deveríamos lançar mão de uma terapia, recurso criado justamente pela falta dessa educação em nosso meio. Aprender a pensar diferente do padrão, vê o que ninguém está conseguindo, partir de uma perspectiva inusitada, às vezes básica, simples, óbvia. Não deveríamos sentir vergonha de procurar ajuda e sim orgulho de nossa inteligência, não deveríamos nos sentir fracos e sim espertos por facilitar nossa vida!

Muitos dizem que não acham bom falar de intimidades com estranhos, primeiro, o terapeuta não será um estranho pro resto da vida, depois de alguns encontros as pessoas se conhecem melhor. Segundo, quando você procura um curso o professor inicialmente também é um estranho, mas você confia que ele possa ajudar a aprender mais rápido um assunto, e por isso o procura, na terapia é similar, claro que é mais interativo e por isso mais profundo, mas é você quem escolhe como vai fazer e em que ritmo.Outra coisa que dizemos é ele/ela não vai me entender, isso é pura vaidade você não é mais complexo do que os outros seres humanos todos são entendíveis a arrogância não ajuda é ela que nos coloca num lugar infernal. Outros ainda dizem que uma cervejinha no final de semana resolve tudo. Neste caso a pessoa aumenta o problema e perde realmente de se divertir e até usufruir o sabor da cerveja, pois a usa com um anestésico, a diversão neste caso nos leva a uma tristeza maior do que antes e terminamos aumentando a dose para sentir menos.Perdemos saúde e tempo de vida.

Podemos arranjar muitas desculpas para seguirmos meio infelizes pela vida e ir levando até a morte uma existência mediana, ou podemos nos trabalhar para desenvolver nossas potencialidades e viver genuinamente feliz.

Podemos ser inteligentes e facilitar nossa vida ou vaidosos e dificulta-la. Um processo terapêutico serve para desenvolver potenciais, limpar programações, nos liberar para sermos quem genuinamente somos; nos preparar para superar desafios com criatividade. Não é nada de mais nem nada de menos é um recurso, uma reeducação emocional, um laboratório no qual testamos novos pensamentos, novas matrizes de comportamento. Nós podemos nos comportar da forma como quisermos, não somos escravos de padrões, podemos com paciência, perseverança e gentileza nos aprimorar e mudar nosso comportamento.E uma forma de fazer isso é através do processo terapêutico.

(Nanda Botelho é uma das integrantes da II Coletânea Scriptus - A Livre Escrita. Seu perfil completo pode ser visto [ aqui ]))
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9 comentários:

Cristiano Melo disse...

Texto limpo, claro e objetivo.
A sociedade atual cobra de seus integrantes, um tanto de coisas que os deixam perplexos diante de um dilema, isso sou eu mesmo? A maneira de adoecer apontada no texto segue um caminho, que pode ser "enfrentado" ou não, sob o risco de não se viver, apenas repetir o que se tem. Não há outra alternativa a não ser buscar sua identidade e assim, tentar ser um ser saudável emocionalmente. Parabéns pelo texto elucidativo.
Estamos aí na II Coletânea.
abraços
Cristiano

Nanda Botelho disse...

Oi Cristiano! Obrigada! Vc captou direitinho o que eu quis dizer e eu fico muito feliz com isso! Abraços!

Chica disse...

Costumamos acumular bagagens e mais bagagens...nossas e dos outros e vamos nos sobrecarregando.Com criatividade, podemos tentar separar o que é nosso, o que vamos ou não levar pela vida afora. nessa "faxina" temos surpresas fantásticas e podemos seguir em frente, aceitando apenas o que cabe em NOSSA mochila...Assim, evitamos de nos tornar robôs, acordando e fazendo tudo sempre igual e programado(em geral pelos outros).Temos que ter criatividade pra ser apenas nós e dá!beijos e um lindo fim de semana,chica

Nanda Botelho disse...

Oi Chica! Bom lhe ver por aqui!! É isso mesmo que ajudo a fazer em meu trabalho! Bjão!

Lu Cavichioli disse...

Nanda, o processo terapêutico é mágico. E a medida que evoluímos nele, vemos claramente os caminhos que se abrem, espontâneamente.
E o melhor de tudo isso é que a descoberta vem por nós mesmos.

É dolorido sim, mas não há crescimento sem dor.

Abraços Nanda.
Excelente texto

Beijos da Lu

Nanda Botelho disse...

Oi Lu, obrigada!

É isso aí ainda não encontramos uma forma de crescer sem dor.

Bjão!

Nino disse...

Esse texto diz tudo de forma redonda,clara e direta,mas sem perder a doçura....Assim como Nanda.

Nanda Botelho disse...

Oi Nino!!!

Muito obrigada!!! Vc é sempre um grande parceiro de conquistas! Bjão!

DIANA disse...

OLÁ NANDA,
QUE BOM A PUBLICAÇÃO DOS SEUS BRILHANTES TEXTOS POR UMA EDITORA! FICO SUPER FELIZ, PRINCIPALMENTE CONSIDERANDO O GRANDE SERVIÇO SOCIAL QUE SEUS TEXTOS EMANAM. É UMA GRANDE OPORTUNIDADE PRA MUITA GENTE LÊ-LOS, COMO ALIÁS FOI E CONTINUA SENDO PRA MIM...
ESSE, SE NÃO ME FALHA A MEMÓRIA FOI O PRIMEIRO TEXTO SEU QUE LI E GOSTEI DE CARA... ELE DESMITIFICA O TRABALHO TERAPÊUTICO E ESCLARECE DE FORMA INTELIGENTE A GRANDE UTILIDADE PÚBLICA DE SE PROCURAR AJUDA TERAPÊUTICA. PRA MIM TERAPIA TEM A FUNÇÃO DE AUTO-CONHECIMENTO, CONSCIENCIA DE SI!!!!
PARABENS POR MAIS ESSA CONQUISTA!
NAMASTÊ
DIANA