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11 de maio de 2009

Artigo: As Letras Vivas que Regem a Fantasia, autoria de Madalena Barranco

E o blog da Editora Novitas pela primeira vez, se veste de fantasia! Leiam um pouco de Madalena Barranco defensora da Literatura Fantástica!


As letras vivas que regem a fantasia



Madalena Barranco: Quando a Letícia Coelho, fundadora da Editora Novitas junto com seu marido, David Nóbrega, me convidou, deixando-me à vontade para escrever um texto sobre literatura infantil, eu fiquei em dúvida, porque esse seria o primeiro “sob encomenda”... Eu já escrevo sobre a importância da fantasia em meu blog Flor de Morango juntamente com meus personagens, e publico em vários blogs e sites sobre o tema, porém, escrever “a pedido” gera certa responsabilidade, ainda mais no blog da Editora Novitas, que nasceu com o Sol deitando luz sobre a literatura, e tudo isso sem perder o fio de ouro de a tradição escrita. Então, resolvi colocar mais algumas palavras a serviço da Fantasia indo além do tema “literatura infantil”, a fim de valorizar a importância para todos de reaprender a fantasiar através dos livros.




Madalena: As histórias fantásticas são como ferramentas gigantescas que escavam buracos nas mentes e corações e ajudam a descobrir e liberar a fantasia esquecida.
Madalena: Escolhi a palavra “fantasia” em vez de “sonho”, influenciada pela leitura do livro de ensaios “Sobre Histórias de Fadas”, de J.R.R.Tolkien, onde leem-se significados distintos: “sonho” refere-se àquilo que se cria em estado de sono e sobre o qual não se tem controle; já, “fantasia”, cria-se em estado de vigília e se possui seu domínio.




Madalena: Incentivar a leitura do gênero literário “histórias de fadas” para o leitor infanto-juvenil é melhorar o futuro da humanidade. E, o gosto pela leitura diversificada desde a infância deixa as crianças mais interessadas pelos mistérios, e por que não dizer também, mais atentas à realidade da vida. Não digo que precisamos viver apenas de fantasia, porque isso nos desarmonizaria com a realidade, todavia, com uma boa bagagem de fantasia adquirida desde a infância, o ser humano se torna uma pessoa de boa qualidade imaginária, com melhores condições de filosofar e de manipular a realidade de forma positiva. Esse é um dos segredos para vencer a realidade em alguns casos e não apenas render-se a ela, assim como o dragão das antigas histórias que teve o seu fogo extinto e se conformou com isso. O fogo da fantasia é inato na humanidade e deve ser mantido e atiçado na hora certa. Então, a essa altura da leitura alguém pergunta algo, da mesma forma como me questionaria agora uma de minhas personagens sempre em dúvida, ou atiçadora de dúvidas cruéis, a Bruxauva Passa:



Bruxauva: “Bah, histórias da fadas são baboseiras para fazer boi dormir ou então, para deixar as crianças, jovens e até adultos com os pés fora do chão, imaginando coisas que não existem”. “Depois, você pergunta para essas crianças como elas acham que é a vizinha que sempre implica com elas quando brincam no jardim, e as crianças respondem: é uma bruxa!” “Isso é uma afronta à minha figura milenar!” “Afinal, as crianças e todo mundo precisam saber a diferença entre uma bruxa de verdade, assim como eu, e entre uma bruxa fajuta como a vizinha delas”. A ideia que se faz de bruxa é ofensiva e as metáforas utilizadas são piores do que sapos secos e papudos.




Madalena: Agora preciso cortar a fala de minha personagem espevitada, a Bruxauva, antes que ela domine este texto... Afinal, a fantasia deve ser dominada pelo autor e não pela personagem. Será? E vamos então às histórias de fadas de fato, pelo que me apoio nas palavras do referido escritor inglês J.R.R.Tolkien (autor do conhecido livro “O Senhor dos Anéis”), quando ele sugeriu em seu ensaio acima referido, que as “histórias de fadas” acontecem quando há encantamento na história, entre outras coisas. E eu me misturo a essa ideia, acrescentando e repetindo: neste gênero literário também existe o Sol, a Lua e as estrelas... As pessoas, que podem ser fadas ou bruxas... A água e a flor... Tudo isso com um toque de encantamento! E o que fazemos então, quando fantasiamos? Utilizamos o tempero mágico do “encantamento” onde tudo é possível. Isso acontece da melhor forma quando somos incentivados a fazê-lo desde a infância.



Bruxauva: Bah, eu posso mais do que simplesmente “encantar”. Sou Bruxauva e tenho o poder de varar as barreiras do tempo e do espaço.





Madalena: Mas, Bruxauva, e os calendários, onde ficam então? E as regras que dividem a literatura para tal idade e tal e qual...



Bruxauva: Claro ou pior dizendo: escuro! Aqui estamos nós separando de forma bonitinha e certinha, eca, a literatura para crianças, jovens, adultos e tal e qual... O gênero “Histórias de fadas” é fantasia. Portanto, é recomendado para gente de todas as idades. Essas pessoas humanas humaninhas e humanonas (não me perdoem os neologismos) se esqueceram de fantasiar, de encantar suas vidas com a possibilidade de materializar seus pensamentos bruxuleantes... Diga agora, então, que exemplos você dá de “histórias de fadas”. Você fala muito, escreve mais ainda e não diz o que pretendo ouvir!




Madalena: Isso é uma bruxa real: alfineta a humanidade lembrando-lhe a necessidade de filosofar fantasiando... Vamos lá: o que imagino deixar claro, é que o gênero “histórias de fadas” não é indicado apenas para crianças. Para as crianças também são indicados outros gêneros, assim como histórias sobre a fauna (crianças gostam muito de bichos), sobre flora e histórias reais sobre outras crianças, curiosidades sobre ciência, entre muitos gêneros que podem ajudar a desenvolver o intelecto e os sentimentos dos mais jovens de forma criativa e positiva.



Bruxauva: Então, que livros você recomenda? Hehehehe!





Madalena: Nenhum, ora! Você é de fato uma bruxa que se esgueira de um mundo a outro, passando da fantasia à realidade sem que as pessoas percebam essa manobra... Os livros para crianças devem ser indicados pelos próprios pais e professores autorizados a seus filhos, para que na pré-adolescência e na adolescência eles tenham bagagem suficiente para sugerir os próprios livros em harmonia com as indicações dos pais; e ainda, para que na fase adulta, sejam leitores conscientes de todos os gêneros literários, usufruindo assim dos benefícios que a fantasia bem cuidada realiza em suas vidas.



Bruxauva: Mas, como eu sou bruxa e posso dizer o que quiser, eu citarei os livros de literatura infantil da Ana Maria Machado. Recentemente eu li “O menino e o maestro”. É uma história que se passa numa comunidade carente do Rio de Janeiro, onde um menino encontra seu caminho através do estudo da música. A indicação é “infantil”, porém, eu que tenho mais de mil anos me senti lendo um romance com todos os ingredientes para deixar um leitor satisfeito e emocionado. Ops, bruxas não se emocionam... Ou será que isso é fantasia dos livros que taxam as bruxas de malvadas?







Madalena Barranco
Escritora paulistana, 43 anos, graduada em Letras e amiga pessoal de dona Maria Fantasia. Em sua prosa e poesia defende a literatura fantástica, incluindo o gênero literário “histórias de fadas”. Seu objeto é o resgate da magia pessoal pela ficção que liga a fantasia à realidade. Participou de várias antologias, inclusive da primeira coletânea Scriptus, organizada pela Editora Novitas, pelo livro “Balaio de Idéias” com seu conto “Coração de Robô”. Publica em seu blog
http://www.flordemorango.blogspot.com/ e em diversos sites e portais literários identificados em seu referido blog.
Bibliografia, referências: livro “Sobre Histórias de Fadas” , J.R.R.Tolkien; livro “O menino e o maestro”, Ana Maria Machado.
Temas: literatura fantástica, histórias de fadas, literatura infanto-juvenil e para adultos.
Mais dados sobre o escritor J.R.R.Tolkien: site sugerido
http://www.conselhobranco.com.br/tolkien/tolkien.htm
Nota: texto de acordo com a nova ortografia.