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17 de dezembro de 2009

Um País de não leitores ou que não sabe escrever? - By Letícia Losekann Coelho


Um País de não leitores ou que não sabe escrever?

*Letícia Losekann Coelho



Somos um País de não leitores, pois não lemos muito durante o ano. Retrato do período atual que vivemos? Considero que sim, pois nosso País é nossa identidade, e faz muito tempo que elegemos governantes que não se preocupam com sua cultura, como vão se preocupar com a do povo? Não falo isso, em relação ao tempo que estudaram, mas na vontade de aprender, querer saber, enfim ler. É sabido que quem não lê não sabe escrever, logo somos um País que não escreve.

De fato é perigoso, afirmar que somos um País que não escreve, pois os números nos provam o contrário. Inúmeros livros são publicados diariamente no Brasil e diversas pessoas escrevem em seus blogs e microblogs, como dizer que não escrevemos? Bem, quem sabe não escrevemos direito ou inventamos motivos para escrever errado? O escrever errado virou normal, muitas vezes escuto: é meu jeito de escrever. Jeito de escrever? Existe um, no meu entendimento... O correto.


Quantos livros você lê por ano? Uma pesquisa foi feita e o " menos dois livros por ano" é algo que realmente me incomoda, pois faço parte da parcela de pessoas que fazem a leitura de mais de 10 livros folgado por ano. Leio tanto romances, como contos e poesias, enfim leio de tudo. Minha leitura não é "facilitada" por ser editora, pois não conto os livros que preciso ler ou corrigir para o trabalho, faço a otimização de meu tempo, e o resultado é ler livros para meu lazer e de minha escolha.


Domingo passado no twitter, fiz algumas perguntas no intuito de entender um pouco como é feita a escolha na hora de comprar livros. Perguntei também, se as pessoas gostavam de ler livros na tela do computador e se compravam livros de autores novos. Grande parte dos que responderam, compram livros pela capa, assunto e o nome do autor. Poucos disseram que gostam de ler no computador e boa parte disse que faz a leitura de autores novos quando se interessa pelo assunto. Na minha opinião, o que conta na hora de comprar livros é o assunto, a capa e presto atenção quando o autor é novo e alguém que realmente gosta de ler, me indica o livro. Não leio no computador, pois não tenho esse hábito e gosto de conforto, seja para lazer ou para trabalho. Se recebo originais via e-mail, imprimo e leio, pois não consigo manter a cadência da leitura na frente do computador.


Vou evitar reclamar do tipo de leitura das pessoas, cada um lê o que quer, mas nem tudo na minha opinião é considerado livro. Não entendo por certo, "livros" que tentam ensinar as pessoas a viver melhor, emagrecer ou ficar milionário. Esse tipo de livro, é o retrato do que chamo de: desespero atual! Quem compra um livro que ensina a ficar milionário com certeza está ficando pobre, quem compra um livro para emagrecer, é porque já esgotou todos os tipos de dietas disponíveis no mercado e não tem dinheiro para ir ao endocrinologista e quem compra um livro que "ensina" a ficar feliz não quer procurar ajuda psicológica ou mesmo psiquiátrica para seu problema.


Para contrariar eu gosto de ler e escrever poesia, e digo contrariar porque no momento atual não escrevo tanto sobre o amor, dor, vento, etc... Tenho preferência por poesia social, poesia atual... Poesias "Terríveis", mas como disse leio de tudo, até para me atualizar do que as pessoas andam escrevendo.


Esse texto surgiu do pequeno debate de domingo no twitter, como em 140 caracteres fica muitas vezes difícil colocar a idéia inteira, resolvi trazer para o blog e quero saber o que vocês acham de tudo isso? Somos escritores, mas não somos leitores. Nossos governantes, fazem políticas paliativas para a cultura o que na verdade não resolve o problema. E quem disse que poesia não vende? Inúmeros poetas, vendem seus livros de poesia por aí e vários escrevem em blogs e são lidos. O livro está caro no Brasil? Não, temos livros ótimos por menos de R$ 30,00 que não emplacam... Na opinião de vocês, o que acontece então?

Quero agradecer todos que interagiram sobre o assunto, obrigado! @companhialivros @lucianacns @arqsteinleitao @albertopenha @Carmel179 @MarciaOLIVEI @Kiaraguedes @junatchos @castanheira3 @carolborne @Churumela @gustavocarmo @scriptusest
@teresacvilela


* Letícia Losekann Coelho, é casada com o Editor, fotógrafo e escritor David Nobrega. Fundou a Editora Novitas em Novembro de 2009. É autora do Livro de poesias Ensaios Amadores... Ou não! Participou da coletânea da Editora Komedi e da I Coletânea Scriptus, pela editora Novitas. É uma das autoras da coletâna infantil "15 poetas para todas as crianças" que será lançada no início do ano que vem. Prepara o livro "Poesia em 3 atos". Perfil no site da Editora AQUI

11 de maio de 2009

Artigo: As Letras Vivas que Regem a Fantasia, autoria de Madalena Barranco

E o blog da Editora Novitas pela primeira vez, se veste de fantasia! Leiam um pouco de Madalena Barranco defensora da Literatura Fantástica!


As letras vivas que regem a fantasia



Madalena Barranco: Quando a Letícia Coelho, fundadora da Editora Novitas junto com seu marido, David Nóbrega, me convidou, deixando-me à vontade para escrever um texto sobre literatura infantil, eu fiquei em dúvida, porque esse seria o primeiro “sob encomenda”... Eu já escrevo sobre a importância da fantasia em meu blog Flor de Morango juntamente com meus personagens, e publico em vários blogs e sites sobre o tema, porém, escrever “a pedido” gera certa responsabilidade, ainda mais no blog da Editora Novitas, que nasceu com o Sol deitando luz sobre a literatura, e tudo isso sem perder o fio de ouro de a tradição escrita. Então, resolvi colocar mais algumas palavras a serviço da Fantasia indo além do tema “literatura infantil”, a fim de valorizar a importância para todos de reaprender a fantasiar através dos livros.




Madalena: As histórias fantásticas são como ferramentas gigantescas que escavam buracos nas mentes e corações e ajudam a descobrir e liberar a fantasia esquecida.
Madalena: Escolhi a palavra “fantasia” em vez de “sonho”, influenciada pela leitura do livro de ensaios “Sobre Histórias de Fadas”, de J.R.R.Tolkien, onde leem-se significados distintos: “sonho” refere-se àquilo que se cria em estado de sono e sobre o qual não se tem controle; já, “fantasia”, cria-se em estado de vigília e se possui seu domínio.




Madalena: Incentivar a leitura do gênero literário “histórias de fadas” para o leitor infanto-juvenil é melhorar o futuro da humanidade. E, o gosto pela leitura diversificada desde a infância deixa as crianças mais interessadas pelos mistérios, e por que não dizer também, mais atentas à realidade da vida. Não digo que precisamos viver apenas de fantasia, porque isso nos desarmonizaria com a realidade, todavia, com uma boa bagagem de fantasia adquirida desde a infância, o ser humano se torna uma pessoa de boa qualidade imaginária, com melhores condições de filosofar e de manipular a realidade de forma positiva. Esse é um dos segredos para vencer a realidade em alguns casos e não apenas render-se a ela, assim como o dragão das antigas histórias que teve o seu fogo extinto e se conformou com isso. O fogo da fantasia é inato na humanidade e deve ser mantido e atiçado na hora certa. Então, a essa altura da leitura alguém pergunta algo, da mesma forma como me questionaria agora uma de minhas personagens sempre em dúvida, ou atiçadora de dúvidas cruéis, a Bruxauva Passa:



Bruxauva: “Bah, histórias da fadas são baboseiras para fazer boi dormir ou então, para deixar as crianças, jovens e até adultos com os pés fora do chão, imaginando coisas que não existem”. “Depois, você pergunta para essas crianças como elas acham que é a vizinha que sempre implica com elas quando brincam no jardim, e as crianças respondem: é uma bruxa!” “Isso é uma afronta à minha figura milenar!” “Afinal, as crianças e todo mundo precisam saber a diferença entre uma bruxa de verdade, assim como eu, e entre uma bruxa fajuta como a vizinha delas”. A ideia que se faz de bruxa é ofensiva e as metáforas utilizadas são piores do que sapos secos e papudos.




Madalena: Agora preciso cortar a fala de minha personagem espevitada, a Bruxauva, antes que ela domine este texto... Afinal, a fantasia deve ser dominada pelo autor e não pela personagem. Será? E vamos então às histórias de fadas de fato, pelo que me apoio nas palavras do referido escritor inglês J.R.R.Tolkien (autor do conhecido livro “O Senhor dos Anéis”), quando ele sugeriu em seu ensaio acima referido, que as “histórias de fadas” acontecem quando há encantamento na história, entre outras coisas. E eu me misturo a essa ideia, acrescentando e repetindo: neste gênero literário também existe o Sol, a Lua e as estrelas... As pessoas, que podem ser fadas ou bruxas... A água e a flor... Tudo isso com um toque de encantamento! E o que fazemos então, quando fantasiamos? Utilizamos o tempero mágico do “encantamento” onde tudo é possível. Isso acontece da melhor forma quando somos incentivados a fazê-lo desde a infância.



Bruxauva: Bah, eu posso mais do que simplesmente “encantar”. Sou Bruxauva e tenho o poder de varar as barreiras do tempo e do espaço.





Madalena: Mas, Bruxauva, e os calendários, onde ficam então? E as regras que dividem a literatura para tal idade e tal e qual...



Bruxauva: Claro ou pior dizendo: escuro! Aqui estamos nós separando de forma bonitinha e certinha, eca, a literatura para crianças, jovens, adultos e tal e qual... O gênero “Histórias de fadas” é fantasia. Portanto, é recomendado para gente de todas as idades. Essas pessoas humanas humaninhas e humanonas (não me perdoem os neologismos) se esqueceram de fantasiar, de encantar suas vidas com a possibilidade de materializar seus pensamentos bruxuleantes... Diga agora, então, que exemplos você dá de “histórias de fadas”. Você fala muito, escreve mais ainda e não diz o que pretendo ouvir!




Madalena: Isso é uma bruxa real: alfineta a humanidade lembrando-lhe a necessidade de filosofar fantasiando... Vamos lá: o que imagino deixar claro, é que o gênero “histórias de fadas” não é indicado apenas para crianças. Para as crianças também são indicados outros gêneros, assim como histórias sobre a fauna (crianças gostam muito de bichos), sobre flora e histórias reais sobre outras crianças, curiosidades sobre ciência, entre muitos gêneros que podem ajudar a desenvolver o intelecto e os sentimentos dos mais jovens de forma criativa e positiva.



Bruxauva: Então, que livros você recomenda? Hehehehe!





Madalena: Nenhum, ora! Você é de fato uma bruxa que se esgueira de um mundo a outro, passando da fantasia à realidade sem que as pessoas percebam essa manobra... Os livros para crianças devem ser indicados pelos próprios pais e professores autorizados a seus filhos, para que na pré-adolescência e na adolescência eles tenham bagagem suficiente para sugerir os próprios livros em harmonia com as indicações dos pais; e ainda, para que na fase adulta, sejam leitores conscientes de todos os gêneros literários, usufruindo assim dos benefícios que a fantasia bem cuidada realiza em suas vidas.



Bruxauva: Mas, como eu sou bruxa e posso dizer o que quiser, eu citarei os livros de literatura infantil da Ana Maria Machado. Recentemente eu li “O menino e o maestro”. É uma história que se passa numa comunidade carente do Rio de Janeiro, onde um menino encontra seu caminho através do estudo da música. A indicação é “infantil”, porém, eu que tenho mais de mil anos me senti lendo um romance com todos os ingredientes para deixar um leitor satisfeito e emocionado. Ops, bruxas não se emocionam... Ou será que isso é fantasia dos livros que taxam as bruxas de malvadas?







Madalena Barranco
Escritora paulistana, 43 anos, graduada em Letras e amiga pessoal de dona Maria Fantasia. Em sua prosa e poesia defende a literatura fantástica, incluindo o gênero literário “histórias de fadas”. Seu objeto é o resgate da magia pessoal pela ficção que liga a fantasia à realidade. Participou de várias antologias, inclusive da primeira coletânea Scriptus, organizada pela Editora Novitas, pelo livro “Balaio de Idéias” com seu conto “Coração de Robô”. Publica em seu blog
http://www.flordemorango.blogspot.com/ e em diversos sites e portais literários identificados em seu referido blog.
Bibliografia, referências: livro “Sobre Histórias de Fadas” , J.R.R.Tolkien; livro “O menino e o maestro”, Ana Maria Machado.
Temas: literatura fantástica, histórias de fadas, literatura infanto-juvenil e para adultos.
Mais dados sobre o escritor J.R.R.Tolkien: site sugerido
http://www.conselhobranco.com.br/tolkien/tolkien.htm
Nota: texto de acordo com a nova ortografia.

12 de março de 2009

O BRASIL É UM PAÍS DE DEFICIENTES



O Brasil é um País de deficientes


(Esse artigo recentemente foi citado em uma obra do Ministério do trabalho na Argentina)





Ari Heck*



Uma análise sobre o Censo 2000,
especificamente em relação aos
dados das pessoas portadoras de
deficiência.

Depois de milhares de reivindicações e finalmente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) incluiu nos questionários do censo, um item específico dos PPD’s (pessoas portadoras de deficiências).
Pela primeira vez, o Brasil conhece e tem uma radiografia da população PPD. Hoje, finalmente sabemos quantos somos e onde estamos. Até poucos dias atrás, o País usava os dados estimativos da Organização Mundial da Saúde (OMS) e em cima deles os governantes executavam as suas plataformas administrativas. Talvez por isso, hoje entendemos porque nunca foram suficientes os recursos aplicados nesta área.
O PPD é segundo o Decreto Federal n.º 914/93, “aquela pessoa que apresenta, em caráter permanente, perdas ou anomalias de sua estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, que gerem incapacidade para o desempenho de atividades, dentro do padrão considerado normal para o ser humano”. Em cima dessas definições o IBGE buscou radiografar a realidade sócio-econômica dessas pessoas.
Segundo a OMS, os deficientes se dividem em: deficiência física (tetraplegia, paraplegia e outros), deficiência mental (leve, moderada, severa e profunda), deficiência auditiva (total ou parcial), deficiência visual (cegueira total e visão reduzida) e deficiência múltipla (duas ou mais deficiências associadas).
Há uma discrepância enorme entre os dados da OMS e a realidade fática do Brasil. Isso já foi tema de debate em muitos congressos onde dizia que os dados eram muito maiores do que aqueles que nos apresentava. Para ilustrar, vamos fazer um comparativo entre os números que vinham sendo apresentados e os números do IBGE, que se diga de passagem, muito confiáveis e com margem de erro muito pequena.


Tipo de deficiência Dados da OMS Dados do IBGE Número de habitantes
(em milhões)

Mental 5% 1,24% 2,09

Física 2% 0,59% 0,99

Auditiva 1,5% 2,42% 4,08

Visual 0,5% 6,97% 11,77

Múltiplos 1% - -

Motora - 3,32% 5,6

TOTAL: 10% 14,5% 24,5

Dados : OMC e IBGE censo 2002.

Como podemos perceber, os dados são muito diferentes daqueles que o País usava até a semana passada. Mas, ao analisar mais detidamente esses dados, nos assustamos porque encontramos uma população de mais de 24,5 milhões de brasileiros portadores de algum tipo de deficiência.
Dentre os deficientes visuais, 159.824 responderam que são incapazes de enxergar. Já entre os brasileiros com deficiência auditiva, 176.067 responderam que são incapazes de ouvir. Os dados do Censo mostram ainda, que os homens predominam no caso de deficiência mental, física (“especialmente no caso de falta de membro ou parte dele”) e auditiva. O resultado é compatível com o tipo de atividade desenvolvida pelos homens e mostra que os acidentes de trabalho vem contribuindo no aumentando desse índices. Já as mulheres predominam no índice dificuldades motoras (“incapacidade de caminhar ou subir escadas”) ou visuais, o que até certo ponto é coerente porque elas dominam na composição por sexo da população e idade acima de 60 anos. Também, ao somarmos o número de deficientes físicos com o dos motores, temos um total de 3,91% de pessoas com dificuldades físicas, ou seja, 6,59 milhões de brasileiros.
Os dados que estavam disponíveis nesta área, além de serem parciais e contraditórios, eram estimativas de países em desenvolvimento mas com dificuldades muito menores que o nossos.
Segundo o professor Wilson Scarpelli, em recente comentário ao Censo 2000 disse que: “Os dados censitários de 1980 a 2000, disponíveis na página do IBGE na internet, permitem visualizar razões para a crescente insatisfação popular, observável pelo aumento de índices de criminalidade e de reclamações em geral. A alegria de ser brasileiro vem diminuindo paulatinamente, transformando-se em preocupação”.
Finalmente, conseguimos mostrar a cara do Brasil deficiente. Conseguimos mostrar que de cada 100 brasileiros, no mínimo 14 apresentam alguma limitação física ou sensorial. Esta última em número muito maior em relação àquela.
Por outro lado, os dados nos jogam para uma dura e triste realidade. Onde estão estes cidadãos e estas cidadãs? Estão trabalhando? Estão na escola? Tem acesso à saúde, ao lazer, ao prazer...? É, são perguntas que não podem calar diante de tais dados. Não podemos deixá-los sem resposta. Afinal, estamos num novo século, num novo milênio, na era tecnológica...
Vinte e quatro milhões e quinhentos mil brasileiros(as) esperam por estas respostas. Está na hora da Nação “pagar” a dívida que tem conosco.

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* Casado e pai de três filhos: Tiago (19 anos), Mateus (10 anos) e Ana Júlia (4 anos). Criou e estruturou a Associação Ijuiense de Deficientes (AIDEF), primeira entidade do gênero na Região Noroeste do Estado do RS e a primeira entidade do interior do estado a protocolar Emenda Popular à Constituição, quando por ocasião da elaboração da Constituição do RS a entidade contribuiu com várias emendas e tornaram a Carta Maior Gaúcha, bem como nas Câmaras Municipais na Região Noroeste, Grande Santa Rosa e Celeiro. Articulou e criou as entidades co-irmãs nas cidades de Cruz Alta e Santo Ângelo.
Eleito vereador em 1992 e reeleito em 1996, revolucionou o Legislativo de Ijuí em matéria de legislação. Auxiliou na organização do Movimento Estadual e Nacional de Parlamentares e Executivos PPD's e articulou o I Encontro Regional de Parlamentares PPD's da Região Noroeste do Estado. Criou e coordenou o Movimento Nacional de Lutas pela aposentadoria dos deficientes que objetivava a revisão dos critérios de concessão do benefício da prestação continuada e organizou a primeira greve que culminou na interrupção do atendimento por uma hora dos serviços da agência do INSS de Ijuí. O trabalho foi reconhecido pela Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa e incluído no "Relatório Azul". Organizou e auxiliou na criação das Associações de Deficientes Físicos de Santa Bárbara do Sul, Ajuricaba, Três Passos e Três de Maio, além de auxílio na criação da entidade de Santa Cruz. Articulou e coordenou Encontros Regionais de Deficientes e Municipais e organizou a I Semana Municipal de PPD' e auxiliou na abertura da Semana Estadual dos PPD's com abertura na cidade de Ijuí. Participa do Núcleo de PPD's do SINTRAJUFE (Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal). Coordenou a Comissão de Fundação da Fredef, Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores de Ijuí e membro do Núcleo de PPD' do SINTRAJUFE. Atualmente preside a ASTRIDEF (Associação Triunfense de Deficientes) entidade que ajudou a organizar. Organizou o I e II Encontro Municipal de Deficientes de Ijuí, o I Encontro Regional Noroeste de Deficientes, o I Encontro Regional de Vereadores e Prefeitos Portadores de Deficiência, o I Encontro Municipal de Deficientes de Triunfo, Encontro Regional Celeiro e Grande Santa Rosa de Vereadores, auxiliou na organização de quatro encontros de servidores PPD’s do Sintrajufe-RS.
Escritor e autor dos livros O QUE É SER JOVEM?, POEMAS SEM PRECONCEITOS, TRAJETÓRIA DE UM LUTADOR e PÉ NA ESTRADA – UMA AVENTURA SEM LIMITES. Faz parte do livro "Arte: Um Olhar Muito Especial" e “Os Dez anos dos Direitos Humanos no Brasil”, organizados respectivamente pelo Instituto Muito Especial e USP. Pós Graduado em Direito e Processo do Trabalho na Universidade Luterana do Brasil (ULBRA, Canoas-RS) teve como tema de pesquisa: os efeitos práticos da legislação na inclusão de deficiente no mercado de trabalho.
Ari liderou recentemente à frente da Associação Triunfense de Deficientes (ASTRIDEF) um movimento junto ao Congresso Nacional alertando sobre a aposentadoria das pessoas portadoras de deficiência servidores públicos, já que a expectativa de vida é reduzida em dez por cento. Sua luta resultou na aprovação da aposentadoria especial na chamada PEC paralela. Atualmente coordena a Comissão de Acompanhamento dos Servidores Portadores de Deficiência do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região. Lidera em um abaixo-assinado eletrônico em apoio ao projeto de regulamentação da aposentadoria especial para deficientes contribuintes, disponível em seu site.

HISTÓRICO DA ATUAÇÃO

Servidor concursado da Vara do Trabalho de Triunfo-RS, tem dedicado grande parte de sua vida na luta pelos direitos dos deficientes. Já organizou nove entidades de deficientes no estado do RS, sendo atualmente presidente da Astridef (Associação Triunfense de Deficientes).
Na época da reforma da previdência, liderou o movimento nacional pela inclusão na Constituição Federal da aposentadoria especial para deficientes contribuintes (trabalhadores) e que acabou sendo aprovado pelos deputados.
Tem várias obras publicadas e em todas aborda a questão do combate ao preconceito. O livro POEMAS SEM PRECONCEITO que foi inclusive recomendado pelo apresentador de TV Fausto Silva, também está concorrendo ao prêmio LIVRO DO ANO pela Associação Gaúcha de Escritores.
Profere palestras motivacionais onde aborda exemplos de superação de deficientes do mundo todo, com vídeos e imagens relata as superações de deficientes e motiva o público. Já percorreu mais de uma centena de municípios divulgando seu trabalho.
É Pós-graduado em Direito e Processo do Trabalho e realizou sua pesquisa de conclusão abordou os efeitos práticos da Lei de Cotas ou Reserva Legal no mundo contemporâneo, com pesquisa de campo no Estado do Rio Grande do Sul do crescimento de trabalhadores deficientes antes e depois da legislação.
Desde fevereiro de 2008 coordena a Comissão de Integração e Acompanhamento dos Servidores Deficientes do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, a convite da direção do referido Tribunal.Desde fevereiro de 2008 coordena e divulga em seu site (
www.ariheck.com) um abaixo-assinado eletrônico em defesa da regulamentação da Aposentadoria Especial para Deficientes Contribuintes e que objetiva arrecadar 100 mil assinaturas em defesa dos projetos de leis que regulamentam a Constituição. Justifica sua luta nos próprios dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) que diz que a expectativa de vida de um deficiente é reduzida em 10%, e por isso é preciso conceder aposentadoria especial para os servidores e trabalhadores deficientes. O site do abaixo-assinado é http://www.abaixoassinado.org/abaixoassinados/557

12 de fevereiro de 2009

O Acordo ortográfico certamente não vai resolver seus problemas de língua portuguesa - Por Eleonor José Scheneider


O ACORDO ORTOGRÁFICO CERTAMENTE NÃO VAI RESOLVER SEUS PROBLEMAS DE LÍNGUA PORTUGUESA

Elenor J. Schneider*



Pelo impacto que o acordo ortográfico dos países lusófonos vem causando, parece que todos os problemas de falta de conhecimento e domínio da língua portuguesa estão resolvidos. A repercussão, no entanto, é muito mais emotiva do que racional. Se alguém não cultiva o hábito de ler e escrever, em nada sairá ganhando quanto à qualidade de sua escrita. De qualquer forma, o acordo está assinado e um decreto presidencial, de 29 de setembro de 2008, determina que a implantação do novo sistema deve estar consolidada até 2012.
As alterações propostas são de pequena monta. O vocabulário brasileiro terá que se adaptar em cerca de meio por cento, número suficiente, porém, para desatualizar todos os textos impressos do país. O custo disso será incrivelmente assombroso e, se comparado ao benefício propalado, inexplicável, para não dizer inaceitável. A maioria das pessoas atentou para esse fato apenas depois da coisa consumada. Como o debate não se deu em tempo hábil – e nem foi incentivado -, agora é aprender.
Algumas das mudanças são até facilmente assimiláveis. É o caso da abolição do trema no grupo gu e qu (averiguei, delinquente), a eliminação do acento nos hiatos oo e ee (o voo, eles veem), a retirada dos acentos nos ditongos abertos éi e ói (ideia, geleia, paranoico), permanecendo nas oxítonas (anéis, heróis), deixando em campos obscuros questões como diferenciar a pronúncia de sereia e Galileia.
Alguns acentos diferenciais, que restavam do acordo de 1971, foram também suprimidos. Nesse caso estão o pára, do verbo parar (que agora figura assim: ele não para de rir), polo, pelo (antes era pólo, pêlo), entretanto permanecem em pôde para diferenciar de pode e o verbo pôr para diferenciar da preposição por.
O grande impasse da nova proposta, com pouca iluminação, está no emprego do hífen com prefixos ou antepositivos. Essa questão já tinha recebido bons estudos anteriores, como os de Celso Pedro Luft, por exemplo, mas agora cai outra vez numa rede complexa, duvidosa e bastante confusa. Palavras que antes se escreviam sem hífen, como microondas e subepático, agora exigem hífen – micro-ondas e sub-hepático; palavras que antes se escreviam com hífen, como auto-ajuda e contra-ofensiva, agora se escrevem sem – autoajuda e contraofensiva. Aliás, enquanto a maioria das questões da língua observa boa lógica, a do hífen apresenta forte marca de arbitrariedade.
A questão está posta e então é necessário caminhar na direção de saber. Certamente, os primeiros tempos serão de estranhamento, principalmente por parte daqueles que dominam bem o sistema escrito, ainda mais considerando a ainda ausência de bons dicionários atualizados. Penso que todos os espaços que se ocupam de ensinar, devem iniciar imediatamente o processo de transição.
Quanto ao objetivo da unificação, considero-o uma grande fantasia. Não é porque escrevemos veem sem acento que vamos ler os jornais ou os livros dos angolanos ou cabo-verdianos. E vice-versa. As grandes diferenças, com a língua regada a sabor local e regional, permanecerão e tendem a se acentuar cada vez mais. Para um nortista brasileiro ler o regionalista gaúcho Simões Lopes Neto, só contando com um bom glossário. E ele escreve em português, com o acréscimo da rica contaminação castelhana. É a língua viva, inquieta, dinâmica, inapreensível em algumas páginas da academia. São risíveis depoimentos como há pouco ouvi: agora vou conseguir ler Saramago.
Só para chamar sua atenção: em nenhum momento, a não ser nos exemplos, empreguei alguma das novidades no artigo aqui publicado. E não foi intencional, o que prova que a montanha pariu um camundongo, como já sentenciavam os latinos.


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* Coordenador do Curso de Letras da UNISC.
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Este artigo faz parte do Jornal Novitas que terá sua primeira impressão em Abril e será distribuído de forma gratuíta.