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16 de março de 2009

Nova Ortografia

Segue abaixo uma boa fonte de consulta, da Michaelis, escrito pelo Professor Douglas Tufano.


Michaelis - Free Legal Forms

10 de março de 2009

'Vocabulário Ortográfico'' será lançado no dia 19

Volume, atualizado com as novas regras, terá quase 350 mil palavras; Brasil vai propor uma reunião dos oito países signatários do acordo

A quinta edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), já atualizado com as novas regras do acordo ortográfico, será lançada no próximo dia 19. O volume trará 349.737 palavras com suas respectivas classificações gramaticais, mas sem as definições típicas de dicionários.

O presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Cícero Sandroni, pretende entregar os primeiros exemplares para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e alguns ministros.
Evanildo Bechara, coordenador da Comissão de Lexicografia e Lexicologia da ABL e principal responsável pelo Volp, explica que foram adotadas 15 medidas para dirimir dúvidas ou ambiguidades no texto do acordo. Ele diz que os critérios adotados pela comissão foram: respeitar a letra do acordo, estabelecer uma linha de coerência quando surgiam princípios aparentemente contraditórios, acompanhar o espírito simplificador da reforma e, nos pontos não discutidos no texto, preservar a tradição ortográfica decorrente das reformas anteriores.

O acordo, por exemplo, afirma que palavras compostas, "em relação às quais se perdeu, em certa medida, a noção de composição, grafam-se aglutinadamente (sem hífen): girassol, madressilva, mandachuva, pontapé, paraquedas, paraquedista, etc". Diante da dificuldade de especificar quais palavras perderam "em certa medida" a noção de composição, a comissão responsável pelo Volp decidiu aplicar a norma apenas nas palavras citadas explicitamente pelo texto da reforma e naquelas "consagradas pela tradição ortográfica dos vocabulários oficiais", ou seja, presentes nos dicionários portugueses e brasileiros sem hífen.

Não há qualquer item do acordo que trate das formas onomatopeicas ou construídas com elementos repetidos, como blá-blá-blá ou reco-reco. A comissão optou pelo uso do hífen nestes casos.

Outro caso omisso no acordo foi a utilização de "não" e "quase" como prefixos - como não fumante ou quase irmão. Preferiu-se a forma sem hífen.

"O Volp é a contribuição brasileira para a construção de um vocabulário ortográfico comum, previsto no acordo", afirma Godofredo de Oliveira Neto, presidente do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, entidade responsável pela articulação da reforma.
Oliveira Neto afirma que o Brasil proporá uma reunião, a ser realizada em abril, dos oito países signatários do acordo. Do encontro, deve sair uma comissão para discutir o vocabulário ortográfico comum. Podem surgir pequenas divergências quanto à interpretação do acordo, que serão discutidas até obter um consenso. "Naturalmente, poderão exigir adaptações no Volp", aponta Oliveira Neto.

Bechara considera difícil que Portugal rejeite os critérios adotados pelo vocabulário brasileiro. "Quando o texto do acordo de 1990 deixava lugar a dúvidas, usamos como fiel da balança a reforma de 1945 adotada por Portugal e rejeitada pelo Brasil", explica o filólogo. "Exceto quando a norma de 1945 contrariava claramente o espírito do acordo de 1990."
A reação portuguesa será conhecida na primeira quinzena de abril, quando o Volp chegará ao país.


12 de fevereiro de 2009

O Acordo ortográfico certamente não vai resolver seus problemas de língua portuguesa - Por Eleonor José Scheneider


O ACORDO ORTOGRÁFICO CERTAMENTE NÃO VAI RESOLVER SEUS PROBLEMAS DE LÍNGUA PORTUGUESA

Elenor J. Schneider*



Pelo impacto que o acordo ortográfico dos países lusófonos vem causando, parece que todos os problemas de falta de conhecimento e domínio da língua portuguesa estão resolvidos. A repercussão, no entanto, é muito mais emotiva do que racional. Se alguém não cultiva o hábito de ler e escrever, em nada sairá ganhando quanto à qualidade de sua escrita. De qualquer forma, o acordo está assinado e um decreto presidencial, de 29 de setembro de 2008, determina que a implantação do novo sistema deve estar consolidada até 2012.
As alterações propostas são de pequena monta. O vocabulário brasileiro terá que se adaptar em cerca de meio por cento, número suficiente, porém, para desatualizar todos os textos impressos do país. O custo disso será incrivelmente assombroso e, se comparado ao benefício propalado, inexplicável, para não dizer inaceitável. A maioria das pessoas atentou para esse fato apenas depois da coisa consumada. Como o debate não se deu em tempo hábil – e nem foi incentivado -, agora é aprender.
Algumas das mudanças são até facilmente assimiláveis. É o caso da abolição do trema no grupo gu e qu (averiguei, delinquente), a eliminação do acento nos hiatos oo e ee (o voo, eles veem), a retirada dos acentos nos ditongos abertos éi e ói (ideia, geleia, paranoico), permanecendo nas oxítonas (anéis, heróis), deixando em campos obscuros questões como diferenciar a pronúncia de sereia e Galileia.
Alguns acentos diferenciais, que restavam do acordo de 1971, foram também suprimidos. Nesse caso estão o pára, do verbo parar (que agora figura assim: ele não para de rir), polo, pelo (antes era pólo, pêlo), entretanto permanecem em pôde para diferenciar de pode e o verbo pôr para diferenciar da preposição por.
O grande impasse da nova proposta, com pouca iluminação, está no emprego do hífen com prefixos ou antepositivos. Essa questão já tinha recebido bons estudos anteriores, como os de Celso Pedro Luft, por exemplo, mas agora cai outra vez numa rede complexa, duvidosa e bastante confusa. Palavras que antes se escreviam sem hífen, como microondas e subepático, agora exigem hífen – micro-ondas e sub-hepático; palavras que antes se escreviam com hífen, como auto-ajuda e contra-ofensiva, agora se escrevem sem – autoajuda e contraofensiva. Aliás, enquanto a maioria das questões da língua observa boa lógica, a do hífen apresenta forte marca de arbitrariedade.
A questão está posta e então é necessário caminhar na direção de saber. Certamente, os primeiros tempos serão de estranhamento, principalmente por parte daqueles que dominam bem o sistema escrito, ainda mais considerando a ainda ausência de bons dicionários atualizados. Penso que todos os espaços que se ocupam de ensinar, devem iniciar imediatamente o processo de transição.
Quanto ao objetivo da unificação, considero-o uma grande fantasia. Não é porque escrevemos veem sem acento que vamos ler os jornais ou os livros dos angolanos ou cabo-verdianos. E vice-versa. As grandes diferenças, com a língua regada a sabor local e regional, permanecerão e tendem a se acentuar cada vez mais. Para um nortista brasileiro ler o regionalista gaúcho Simões Lopes Neto, só contando com um bom glossário. E ele escreve em português, com o acréscimo da rica contaminação castelhana. É a língua viva, inquieta, dinâmica, inapreensível em algumas páginas da academia. São risíveis depoimentos como há pouco ouvi: agora vou conseguir ler Saramago.
Só para chamar sua atenção: em nenhum momento, a não ser nos exemplos, empreguei alguma das novidades no artigo aqui publicado. E não foi intencional, o que prova que a montanha pariu um camundongo, como já sentenciavam os latinos.


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* Coordenador do Curso de Letras da UNISC.
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Este artigo faz parte do Jornal Novitas que terá sua primeira impressão em Abril e será distribuído de forma gratuíta.