21 de julho de 2009

Nada sei - Poesia de Letícia Coelho

Nada sei

* Letícia Coelho


Nada sei dos rumos
Que mudam em segundos...
Infinitas histéricas
Na vida concreta...
Não se desprezam...
Pétalas de flor.

Por nada saber,
Da vida vivida
Das notas doloridas
Me engasgo em compassos
Rasgados...Como um disco quebrado
Escrevo sobre vento,
Dor e dor de amor.

O branco escurece
Em minutos...
Ali está o dito fim do mundo,
Ele é ilusório...
Porque fim é começo
O tempo é circular
E por mais que os ponteros girem
(No mesmo lugar)
Não gasta...
E as malditas horas...
Insistem em nos levar.

Não sei nada...
Nem da natureza, sei!
Como crescem plantas
O nexo das coisas...
A dimensão que existe
O que existe?
Onde anda o fato...
Se nem o tamanho do Universo
É mensurável.

O que se sabe do certo...
Se todos são estereótipos...
Como uma manada em direção ao abate...
Buscam a perfeição,
Sonham com a perfeição,
Querem a perfeição...
Mas não se dão conta...
Que ele, o tempo
Nos leva pedaços,
Enruga a pele
E enxuga o que achamos saber.

Nada se sabe do outro...
Coloque ou lhe tire o ouro...
Talvez se terá um esboço
Do que tu pensas ser.

Não se tira nada da vida...
O que sobra são histórias
Contadas por outros,
Que com o tempo...
Passam a sumir,
Todos vão sumir.

Nada se sabe ao certo...
Tudo é novela,
Fatos exatos...
(utópicos)
Quem criou o mundo?
Existe hoje algum lugar seguro?
Onde andam os reis astutos?
Talvez o tempo os levou,
Os criou...Inventou.


*Natural de Porto Alegre. Escreve poesias e contos.
Pedagoga por profissão e escritora por opção, dedica-se hoje integralmente à Editora Novitas, fundada em conjunto com seu marido, o também escritor David Nóbrega.
Participou do evento "Mesa para Oito" na Livraria da Vila em São Paulo (debate de poesia) com outros autores, em Março de 2008.
Participou da coletânea da editora Komedi / 2008.
Lançou seu livro de poesias, "Ensaios Amadores" , também em 2008.
Participou, em Porto Alegre da exposição "Porto Alegre: imagem e poesia", com três poesias de sua autoria.

Participou da I Coletânea Scriptus - Um Balaio de Idéias em 2009.


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3 comentários:

Cristiano Melo disse...

Tita,
Nada podemos afirmar ao certo sobre a espiral da vida. Quem diz saber talvez seja o mais tolo dos tolos... Como dizem, a realidade é relativa, e são tantas, as realidades, que é irreal pensar algo como real...
Poema em espiral que indaga, afirma, indaga, afirma, no paradoxo "real" que é o caminhar. E o fator Tempo talvez seja a única realidade em voga, a pela que enruga e os passos contados e cantados...
Eita que viajei, adoro poemas que me levem pelo ar.
abraços

Lu Cavichioli disse...

Já disse alguém certa vez, se não me falha a memória, foi um filósofo grego o chamado Sócrates,que deixou esta citação:

"SÓ SEI QUE NADA SEI"

Sua poesia Tita, extremamente pragmática, vai de encontro aos braços de Sócrates. E seu recado é refletir ou refletir. Não há escapatórias.

Excelente tema.
Bjs querida

Madalena Barranco disse...

Querida Letícia,

Tudo seria mais simples em sua perfeição se não se desprezassem pétalas de flores... Lindo poema!

Beijos