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6 de janeiro de 2011

Na próxima edição da Revista Cultural





* artigos, poesias, contos, quadrinhos, palavra-cruzada, o que andamos lendo do twitter da editora, horóscopo e muito mais informação e cultura.

Para ler as edições anteriores da Revista Cultural, acesse: http://www.revistasnovitas.com.br/
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21 de maio de 2010

Entrevista de Marcos de Andrade, para Paula Cajaty

Marcos de Andrade, que logo vai publicar seu primeiro livro solo: Meleca, a Bruxinha sapeca Concedeu uma entrevista para Paula Cajaty.
Sugerimos a leitura da entrevista AQUI.


Caminhou a passos lentos. Não conseguia alçar voo. Talvez em virtude da queda
brusca ou do choque do raio de magia, tivera uma de suas asas machucadas.
Naquele local, sem poder voar, certo que era presa facial de algum ser estranho.
De repente avistou algo que se movia a uma distância não muito longa. Não
conseguiu divisar bem o que era. Ficou com medo e subiu em uma árvore. Não antes
de verificar se não era uma dessas árvores devoradoras de viajantes. Ouviu
vozes.
(Trecho do Livro infantil Meleca, a Bruxinha Sapeca, em edição)




14 de setembro de 2009

Entrevista com Grace Olsson



Grace Olsson, é autora do livro Crianças Refugiadas em Moçambique: Um Drama na África. Nasceu em Alagoas, é formada em Ciências Jurídicas e pesquisou durante dois anos a vida da crianca refugiada na África, onde visitou 47 paises africanos e sete campos de refugiados (Namibia, Angola, Ruanda, Mocambique, Zimbábwe, Swazilnadia e Lesotho).
Tem dois filhos naturais e mora com o marido e filhos em Västerås, Suécia. Assumiu responsabilidades com 8 criancas Ruandesas que vivem no Campo de Refugiados de Moçambique.
Trabalha como fotógrafa e continua pesquisando sobre a vida dos refugiados.Desta feita na Suécia, onde pretende fazer Mestrado em Ações Humanitárias.
Desde muito cedo trabalha com ações humanitárias, em movimentos religiosos no Brasil, onde sua mãe fazia parte de congregaçõess religiosas. A causa da criança refugiada é um remédio para Grace, que depois de sofrer um AVC, viu em cada uma delas uma forma de superar seus desafios. Vê cada uma como se fosse filho.






“Sonhar, para a criança refugiada é um verbo conjugado sempre no presente de
forma dúbia e embaçada de cenas em preto e branco e com as cores do arco-íris
que somente as mentes infantis são capazes de criar. Se navegar é preciso no
mundo dos adultos, no mundo infantil da criança refugiada, SONHAR é o melhor
remédio para a cura de males que um dia, quiçá, deverão ficar para trás.”



Leia a entrevista com a autora:



Novitas - Como os Refugiados surgiram na tua vida? E porque?
Grace - Os refugiados surgiram, de forma abrupta, ainda no Paquistão, anos atrás, quando eu fui visitar. Aquele monte de gente, pilhado na periferia de Lahora me gerou medo. E anos depois, fui á Namíbia e de lá, fiquei curiosa sobre umas casinhas, na beira da estrada, num descampado.O guia alemão nao quis me dizer do que se tratava, mas dias depois, voltei á mesma área e consegui fazer amizade com umas meninas refugiadas. No final, fiquei 3 dias no Campo. Nao senti medo, nem fui desacatada ou bulinada. Mas, o que mais me chama atenção no Campo é a situacao da criança e da mulher. Mais da criança, por ser indefesa.



Novitas - Quantos campos para refugiados tu visitastes?
Grace - Eu já visitei Campos de refugiados na RDC, em Angola, Namíbia, Mocambique, Zimbabwe, Rwanda, Swazilandia, Sudao e aqui na Suécia, onde vejo as diferenças.



Novitas - Qual o impacto que te causa a questão da legislação com as crianças refugiadas? Elas são cumpridas?
Grace - Nao há Convenção específica que trata da Criança Refugiada. Há a Convenção de 1951 que trata dos Refugiados e a Convenção dos Direitos da Criança., Mas não da criança refugiada. As Convenções não são cumpridas. E no meu livro, eu provei de forma clara. Através de entrevistas com crianças refugiadas e profissionais que trabalham no Campo de Refugiado em Moçambique.



Novitas - Pelas fotos no livro, podemos notar a tristeza no rosto das crianças. Como foi lidar com isso?
Grace - É muito dificil ficar cara a cara com a criança refugiada e não sofrer por e com ela. Com exceção de um menino congolês, os demais tinham um olhar sombrio, triste, perdido no tempo.



Novitas - O que é mais perigoso no Campo dos refugiados?
Grace - A violência contra a criança devido á falta de segurança. Os abusos sofridos por elas e as mulheres são terriveis. Além do que, o abuso à criança do sexo masculino tem se intensificado.



Novitas - No teu entendimento, por que ainda hoje não existe um local especial para crianças e mães refugiadas?
Grace - Olha, na Àfrica, todos ficam juntos. Até por que nao é possível separar o pai, mae dos filhos. O ideal seria o mundo acordar para essa realidade. O quanto antes.

==> O Livro Crianças Refugiadas em Moçambique: Um Drama na África pode ser adquirido pelo e-mail contato@editoranovitas.com.br Mais Informações AQUI ==>



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31 de março de 2009

Entrevista à Rádio Santa Cruz

Pois é...Dona Letícia e eu fomos hoje de manhã dar uma entrevista à Rádio aqui da cidade. O que deveria ser algo em torno de 12 minutos deu quase meia hora de conversa.






IEditora Novitas


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25 de fevereiro de 2009

Entrevista com Henrique Scalet - Ativista cultural, músico e Presidente do Movimento Cultural Independente de São José dos Campos - SP







Henrique Scalet, 27 anos. Músico e fomentador cultural. Preside a associação Movimento Cultural Independente, em São José dos Campos/SP, que busca a expansão do espaço da cultura jovem e underground dentro da cena regional do Vale do Paraíba; além de participar de duas bandas: Reatores (www.myspace.com/reatores) e Ultrafônica (www.ultrafonica.com.br) que é parte do casting de bandas do coletivo paulistano Escárnio e Osso (www.escarnio.com.br).
Natural de São Paulo, atua na cena política cultural de forma voluntária desde 1999. Sempre produzindo eventos de forma independente, repercutindo e promovendo parcerias e intercâmbios e também incentivando a formação de coletivos. Tendo um crescimento significativo nas repercussões de suas ações quando passou a integrar, ainda em São Paulo, o coletivo Escárnio e Osso, em 2006.
Há três anos, mudou-se para São José dos Campos e deu prosseguimento ao seu trabalho de incentivo cultural, o que culminou na associação M.C.I. que hoje toma a maior parte do seu tempo, embora ainda colabore com o coletivo paulistano EO!.
Quando não está falando de “fomentação”, “colaborativismo”, “cena”, “repercussão” e “cultura”, Henrique trabalha como coordenador de desenvolvimento em PHP em uma empresa de criação de softwares para a web.
Gosta de uísque Jack Daniels, churrasco e balançar a cabeça ao som de Ecos Falsos e outras bandas alternativas brasileiras, mas também não cansa de ouvir aquelas clássicas dos 70. Quem ainda não ouviu falar no Henrique, ainda vai ouvir... Segue entrevista:

(Novitas) Com quantos anos tu começastes a te interessar por música?
( Henrique)
Bom, com uns 7 ou 8 fui colocado em aulas de piano. A partir daí fui despertando o interesse... Acabei abandonando essas aulas com uns 11 e partindo pra aprender violão sozinho. E, já querendo compor – ainda moleque – com letras bobas de punk rock juvenil, foi natural o lance de cantar essas minhas próprias composições. Daí em diante foi só evolução de violonista (para compor) e vocalista, só depois migrei para a guitarra.


(Novitas) Tu faz parte de quantas bandas?
(Henrique)
Duas. Ultrafônica, onde canto e toco guitarra. Componho as harmonias e letras, e o resto da banda participa nos arranjos e estruturas. É um som mais para o rock'n'roll cru, simples, com influência de blues e funk. Bastante suingue e bem dançante.
E também faço parte da Reatores, mais de punk rock “ramônico”. Lá só toco guitarra e participo dos arranjos em cima de composições do vocalista e também guitarrista
Thunder Dellu.


(Novitas) Quantos Cd's tu já lançou? Todos são independentes, ou já tens o patrocínio de produtoras?
( Henrique)
Com a Ultrafônica estamos trabalhando nosso primeiro EP, terá 6 músicas e deve ficar pronto no começo do segundo semestre. É totalmente independente, bancado pelos próprios membros da banda. E temos o único apoio do Ronaldo, um parceirão da Alien Amplificadores (
www.alienamplificadores.com.br), que nos facilita amplificadores de guitarra em nossos shows e gravações.
No caso do Reatores, já temos dois CD's lançados... Mas foram feitos com uma formação antiga, com outro guitarrista, de antes de eu entrar para tocar com eles. Não participei. Mas sei que a produção e gravação também foi feita de forma independente, porém temos uma parceria de distribuição com o selo Ataque Frontal. Ajuda para atingir outros lugares mais afastados, senão, o único jeito de vender discos seria quando fôssemos tocar nos lugares, através da nossa banquinha.



(Novitas) Como tu vê o cenário musical hoje no Brasil? Tem espaço para punk rock e rock?
(Henrique)
Tem espaço sim. Tem espaço para qualquer estilo e vertente de música criativa e bem feita. A cena de hoje parece se dividir em dois caminhos: aqueles que fazem um som naturalmente com apelo comercial e os que não têm a mínima chance de vender milhões um dia, ou aparecer no Faustão. Os caminhos são diferentes, o primeiro tem outro tipo de política para se fazer, afim de atingir o mainstream, não manjo nada desse caminho. Estes do segundo grupo, mais independentes, de onde posso falar com mais propriedade, têm o único caminho que é o da política cultural colaborativa. Eles têm que participar de produções, fazer intercâmbios, promover o fomento da cena local, prestigiar outros eventos e bandas e sempre mostrar a cara na cena. Embora haja espaço e público, jornalistas, fotógrafos, cobertura e produtoras com os olhares voltados para a cena underground, já se foi o tempo onde bastava apenas o instrumento nas costas, ensaiar e fazer um som criativo, autêntico e original; isso ainda é imprescindível, claro, mas sem política, sem lobby, sem participar da cena, contribuindo para o seu crescimento e das bandas que participam na mesma cidade que você, as chances diminuem MUITO. Porque é muita gente fazendo sons pirados, criativos e diferentes. O diferencial tem que ser no engajamento.

(Novitas) Na banda Ultrafônica, tu escreve as letras e canta. Para compor, escreve o que tu gosta ou o que tu sabe que o público vai curtir?
( Henrique)
Temos uma temática de valorizar a libido, a paixão carnal, crimes passionais, o rock e o uísque, nos temas da Ultrafônica. Eu penso bem literariamente ao compor. Penso em prosa e contos, não em poesia. Fujo de temas filosóficos e de existencialismo barato e, principalmente, de letras com lição de moral e ensinamentinhos comportamentais, coisas que pipocam por aí. Quase nunca estou falando de mim, ainda que alguma letra seja em primeira pessoa. O público em geral tem uma tendência de confundir o discurso com o compositor, se apegam muito ao contexto, à “historinha”, procuram significados obscuros nas entrelinhas, como se toda música tivesse uma obrigação de educar, de ser literatura engajada, ou então gostam de imaginar que toda obra vem de experiências pessoais do autor, e deixam o estilo um pouco de lado na hora de analisar alguma letra (e não só letras, até livros a maioria lê assim).
No meu caso, eu gosto de inventar personagens com teorias e valores peculiares, e bem diferentes dos meus (e que muitas vezes abomino). E em cima destas personagens falo de amenidades fictícias, que não passem lição nenhuma ao final. Quero só contar histórias. Muitas vezes baseadas em coisas que imaginei, às vezes baseadas em coisas que vi acontecer e deturpei para ser mais interessante, e BEM raramente baseadas em coisas que eu mesmo vivi.
Às vezes são histórias de amor, mas de amor malandro, de amor mundano, de amor carnal, de amor cafajeste... que são amores muito mais próximos do real do que esses amores de música sertaneja e novela das oito.
O público curtir é sempre a última preocupação. Porque vai ter quem goste de receber lição de moral de uma música, vai ter quem goste de se identificar com o deprimido suicida de letras profundas, vai ter quem queira ouvir histórias sobre amores impossíveis e fabulosos, e vai ter quem só quer beber, curtir, dançar, dar risada, se enroscar nos cabelos de alguém e espairecer com temas leves e divertidos. Estes podem até gostar um pouquinho das minhas composições.


(Novitas) Henrique, Como surgiu a idéia do Movimento Cultural Independente – uma iniciativa de fomento à arte jovem independente de São José dos Campos?
(Henrique)
Sempre trabalhei com política cultural, sempre me envolvi e adoro. Quando cheguei aqui em São José, há três anos, a cena era promissora, com bandas boas, mas com pouca união entre todos. No final do ano passado, após bastante trabalho individual de fomento de cultura, conseguimos formar um grupo inicial de pessoas interessadas em expandir a cena, em fazer parcerias formais em prol do crescimento. Essa foi a mote inicial do movimento, reunimo-nos a fim de colher idéias. A primeira reunião foi bem “inicial” mesmo, não tínhamos nenhuma idéia do que se tornaria o movimento, se algo informal, um coletivo, ou o que. A idéia da OSCIP surgiu naturalmente, sugerida pelos próprios participantes, e então começamos a correr atrás de formalizar isso.


(Novitas)Vocês já tem estatuto e registro, o que mais falta para o Movimento se tornar uma OSCIP?
(Henrique)
Falta uma burocracia de contador, de registro em cartório e tal. Coisa pouca e que faz parte. Não tem nada atrasado, é um trâmite normal mesmo que deve ser feito. Tivemos que fazer eleição, escolher a diretoria, dividir um organograma, departamentos, coordenadores, formalizar associados, enfim... bastante trabalho para deixar tudo formal. Mas tá quase pronto!


(Novitas) Quais são os projetos de vocês, e qual vai ser a atuação do Movimento Cultural?
(Henrique)
Nossos projetos são, por enquanto, na área de produção de eventos. Queremos produzir shows e festivais que integrem o máximo possível de vertentes artísticas. Com teatro, poesia, artes plásticas, áudio-visual e fotografia, além é claro da música. Sempre valorizando a arte jovem e independente, sem espaço no mainstream ou apelo comercial. Nossa inclinação é para o rock e suas vertentes, mas podemos flertar esporadicamente com a música brasileira, com hiphop fusion e com o reggae, que achamos que são estilos que podem tem uma certa relação com o público mais eclético do rock, e que também são vertentes de pouco espaço. A idéia é que consigamos produzir, no futuro, eventos gratuitos e em locais públicos, concretizando assim a expansão pretendida.
Futuramente, também pretendemos expandir nossas atividades com ações educativas, que promovam a difusão da cultura independente em escolas. Podemos promover oficinas e workshops que mostrem que há espaço para a molecada crescer gostando de rock e se envolvendo, ajudando como pode. Desde o molequinho extrovertido que quer tocar guitarra, até aquele mais introspectivo que gosta muito de escrever e que no futuro vai ser jornalista underground mesmo que ainda nem imagine.


(Novitas) O movimento com certeza vai ter um crescimento. Tu como Presidente, depois de bem estruturado o Movimento em São José dos Campos, vai fomentar essa idéia para outras cidades, e talvez outros Estados?
( Henrique)
O nosso movimento, apesar de sediado em São José dos Campos, tem tentáculos, ouvidos, pernas e olhares sobre toda a região do Vale do Paraíba. Temos representantes envolvidos na cena de Jacareí, e estamos flertando com o pessoal de Paraibuna. Também tenho contato com o pessoal de outras associações, com alcance nas cidades litorâneas aqui da região, entre outros contatos da capital e de outras partes do estado. Acredito que nossas ações fiquem diretamente centralizadas nessa região, já que é bem difícil produzir algo em uma cena desconhecida e com poucos contatos. E também porque o caminho de expansão é através de parcerias com outras associações e apoio aos seus eventos e produções, e não simplesmente por ações assinadas exclusivamente por nós. Mesmo porque, essa idéia não é nada original, já existem muitas associações como a nossa por aí.
A tendência desse tipo de entidade, coletivo, associação, etc, é sempre trabalhar colaborativamente, tanto de forma interna, como já expus, quanto externamente, através de contatos estreitos e parcerias de intercâmbio entre os coletivos.
O que pode acontecer, num suposto futuro de sucesso, é uma integração com coletivos e associações de outras regiões e estados, afim de facilitar intercâmbio dos artistas daqui. Receber bem artistas de fora é uma das formas de contribuir para isso. E as ações pontuais que por ventura pintarem em conjunto com outros coletivos, serão embrionárias, planejadas e alimentadas para crescerem fortes, assim como qualquer parceria: comercial, profissional ou alternativa. E também serão alicerce para que o nosso crescimento atinja esse sucesso.
O importante é que não haja uma competição entre as entidades e associações. Mas isso já é assim, o pensamento comum é de auto-gestão, colaboração, ajuda recíproca. E assim a cena toda se expande com força. O que queremos é colocar o Vale do Paraíba no mapa da cena alternativa nacional, divulgando e repercutindo nossas ações locais e também apoiando e auxiliando ações de outros coletivos que nos despertem algum interesse, bem como nos colocando como opção de boas produções e de boa visibilidade para artistas de outros lugares.


(Novitas) Como tu vê o cenário cultural hoje no Brasil?
(Henrique)
É difícil falar diretamente do cenário cultural brasileiro. É muito expansiva a cultura no Brasil, muitas vertentes, muitas influências, muitas nuances. Isso, ao mesmo tempo que é bom porque difunde a tal diversidade da qual nós brasileiros tanto nos orgulhamos, também dilui demais as vertentes, ficando difícil a definição de uma cultura brasileira característica. Tem gente que quer taxar, que olha mais para a cultura regional, a cultura de terra, indígena ou de raiz, ou com origem mais sertaneja, e rechaça um pouco essas culturas com influência estrangeira. Mas eu poderia falar que o rock feito no Brasil, em português, não é parte vigente da nossa cultura também? Ou a cultura do hiphop e sua dança? Só porque a influência inicial é gringa? Podemos muito bem encarar o rock como uma das vertentes de cultura brasileira e dar importância para ela também. Tem muita gente que pensa assim também e trabalha forte para essa difusão acontecer... Então se você me perguntar se o cenário cultural é rico em diversidade, vou dizer que sim; se tem gente incentivando e difundindo em nível nacional esse tipo de cultura em que eu me envolvo, vou dizer que sim; mas se você me perguntar se o governo, a política oficial, considera a cultura jovem e underground com os mesmos interesses que outros tipos de cultura, vou dizer que não... porque tudo o que flui, acontece, melhora, cresce e dá certo dentro da política cultural jovem é fruto do trabalho de um monte de gente engajada, utópica, sonhadora, sem medo de dificuldades e que abre mão de muito (não só financeiramente, mas principalmente) em busca de uma causa pertinente a muita gente. E, quando tem algum apoio público, é raro, pouco, escasso, e proveniente de MUITA força de vontade e envolvimento político por parte desses organizadores.


(Novitas) A internet para teu trabalho é meio de divulgação, acredita que um dia tudo será somente informatizado, ou está na hora dos ativistas culturais saírem da frente do PC e fazerem arte na rua, para todos?
(Henrique)
Já mais do que passou da hora. Sempre falo uma coisa sobre internet: que é um benefício meio dúbio. Ao mesmo tempo que a internet aproxima pessoas de longe, ela acaba afastando as pessoas de perto. E isso, para uma cena alternativa, é péssimo. Antes da difusão em massa da internet, de myspace e produtores de quarto de apartamento, os artistas tinham que se encontrar, se falar, se encostar e abraçar – literalmente – tinham que se ajudar, tinham que cooperar. Nem se falava de coletivo, de “colaborativo”, etc.. porque nem precisava falar, era naturalmente o único jeito. Então, até as barreiras de estilo eram de mais fácil transposição. Os próprios artistas tinham mais maleabilidade para aceitar vertentes diferentes, dar atenção ao inusitado, repercutir e promover o trabalho de outro artista, ainda que não fosse exatamente do mesmo estilo que ele. Hoje, com a internet, é muito mais fácil você formar parceria com uma banda de “punk rock hardcore”, igualzinha a sua, mas que esteja no Acre, do que ir no show do seu vizinho. Só porque ele toca um “punk rock californiano” você torce o nariz.
É claro que essa integração externa é necessária, saudável e benéfica... mas não quando ela substitui o trabalho de campo dentro da cena local. E o único jeito de expandir é através da internet, hoje sem internet, todo esse papo de colaboração e parceria é natimorto. Mas esse contato hipotético com uma banda do Acre que exemplifiquei, pode render muito mais frutos se for não um canal entre a banda Xis daqui e a banda Xis de lá. Mas sim entre as cenas, daqui e de lá. Isso que é colaboração. Fortificar a cena local presencialmente, e usar a internet para difundir esse trabalho, expandir o alcance das ações... e então dividir os “lucros”, que são os contatos, os bons canais, os parceiros, as boas idéias. Assim podemos expandir os interesses em conjunto e sincronia.


(Novitas) Deixa um recado para quem faz arte para viver, seja na música, fotografia, pintura, literatura ou qualquer forma de expressão.
(Henrique)
Não basta só ser talentoso, criativo e original. Meter a guitarra (câmera, tela, livro, sapatilha, nariz de palhaço) nas costas e sair batendo em portas e mandando emails pedindo para te darem espaço. Não basta mais ser simplesmente artista, mesmo que bom. Tem que ser artista e político. Tem que participar, expandir estratégias, se envolver, fazer contatos, dar idéias, ajudar, prestigiar, incentivar o novo, se dedicar de corpo e alma, e sangue, sempre dando a cara a tapa. Investir, produzir e repercutir. Mas definitivamente o primeiro passo, é – essencialmente – prestigiar SEMPRE os outros artistas até passando por cima do próprio gosto em algumas vezes.

16 de fevereiro de 2009

Entrevista com Paulo Henriques Britto -



Paulo Henriques Britto, é tradutor, ensaista e poeta. Já traduziu cerca de 80 livros, além de artigos e papers. É professor Universitário, da PUC – Rio, nas áreas de tradução, criação literária e literatura Brasileira. Além de ter recebido em 2002 o título da PUC – Rio de Notório Saber, como escritor foi contemplado com diversos prêmios, dentre eles:
* Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, pela obra Macau, concedido pela Portugal Telecom, 9 de novembro de 2004.
* Prêmio Alceu Amoroso Lima - Poesia 2004, pela obra Macau, concedido pelo Centro Alceu Amoroso Lima Para a Liberdade e a Universidade Candido Mendes, 9 de dezembro de 2004.
* Prêmio Alphonsus de Guimaraens na categoria Poesia, pela obra Trovar claro, concedido pela Fundação Biblioteca Nacional, 22 de dezembro de 1997.
* Prêmio Paulo Rónai na categoria Tradução de Autores Estrangeiros para o Português da obra A mecânica das águas, de E. L. Doctorow, concedido pela Fundação Biblioteca Nacional, 20 de dezembro de 1995.

Trovar Claro. São Paulo: Companhia das Letras, 1997.
Traído pelas palavras.
O mundo não tem conserto.
Meu coração se agonia.
Minha alma se escalavra.
Meu corpo não liga não.

A idéia resiste ao verso,
o verso recusa a rima,
a rima afronta a razão
e a razão desatina.
Desejo manda lembranças.

O poema não deu certo.
A vida não deu em nada.
Não há deus.
Não há esperança.
Amanhã deve dar praia.

- Confiram a entrevista, com esse grande nome da literatura brasileira:

( Novitas) Como tu situas o período literário atual? Que papel faz a poesia nesse período literário?

( Paulo Henriques Britto)É muito difícil categorizar o período histórico em que se vive; ele só se torna histórico depois, visto em retrospecto. Mas algumas coisas parecem claras desde já. A mais óbvia, que já foi apontada por muitos, é o fato de que terminou o longo período — iniciado na França com o impressionismo nas artes plásticas, talvez, e encerrado no Brasil com a Tropicália, cerca de cem anos depois — em que artistas, escritores, compositores se organizavam em movimentos, redigiam manifestos, atacavam-se mutuamente, promoviam expurgos e excomunhões, assumiam posições definidas em relação a causas políticas e ideológicas. Hoje em dia cada artista é um bloco do eu sozinho; não há revistas de poesia que possam ser consideradas órgãos de movimentos e escolas. Naturalmente, continua a haver tendências diferentes em poesia, e pode-se fazer associações entre determinadas revistas e determinadas tendências — por exemplo, entre Inimigo Rumor e uma identificação estética com o alto modernismo, entre Coyote e posturas associadas à contracultura dos anos 60 e 70. Mas mesmo essas tendências são difíceis de definir, já que não há mais bandeiras estéticas (como o verso livre) ou ideológicas (como o socialismo) que constituam pontos de agregação para jovens poetas. Por outro lado, é claro que, como já observei, com o passar do tempo essas tendências vão se tornar mais nítidas para os críticos que virão depois.

(Novitas) Tu achas que poesia não vende, ou tu achas que as editoras não publicam poesia por que se acostumaram a produzir leituras de "fácil" entendimento para pessoas?

(Paulo Henriques Britto) Poesia de fato vende pouco. Com relação a esse ponto, costumo dizer que o motivo pelo qual o grande público se afastou da poesia na passagem do século XIX para o XX se foi o surgimento de uma nova arte, que conquistou esse público: a canção popular. Se os leitores oitocentistas liam Castro Alves e Álvares de Azevedo, os novecentistas encontravam lirismo em Noel Rosa, Chico Buarque e Caetano Veloso. A alta qualidade do trabalho dos nossos cancionistas fez com até mesmo os consumidores mais sofisticados se satisfizessem com as canções e não sentissem necessidade de ler poesia. Claro que alguns poetas ainda têm um público numeroso — Augusto dos Anjos, Drummond e Pessoa, e este fenômeno contemporâneo de público e crítica que é Manoel de Barros — mas de modo geral a poesia passou a ser consumida por poucos a partir do modernismo. E essa tendência só faz se acentuar. Quando eu era adolescente, nos anos 60, ainda havia uma poesia de fácil apelo que vendia bastante, como a de J. G. de Araújo Jorge. Nem isso mais existe. Ou seja: a questão não é a poesia ser difícil, e sim ela não ser canção.

( Novitas) Versos livres, ou a pura métrica?

(Paulo Henriques Britto) Todas as formas podem resultar em grande poesia (e também em péssima poesia, aliás). O verso livre é apenas mais uma forma que veio se acrescentar ao repertório da poesia ocidental — a meu ver, uma das mais difíceis de todas as formas.

(Novitas) Utilizas a inspiração para escrever poesia?

( Paulo Henriques Britto) Continua valendo a frase de Picasso: dez por cento de inspiração, noventa por cento de transpiração. Mas é claro que os dez por cento são importantíssimos.

( Novitas) Qual é o significado da poesia na tua vida? Começastes a escrever em que idade?

(Paulo Henriques Britto) Comecei a escrever poesia na adolescência, como todo mundo, mas meu principal interesse sempre foi a música e, na literatura, a prosa de ficção. Por absoluta falta de talento musical e dificuldade em escrever ficção, acabei na poesia.

(Novitas) Qual a tua opinião sobre a internet e a poesia?

(Paulo Henriques Britto)Não leio blogues por falta de tempo. Mas me parece que se antigamente o lugar de estreia para um jovem poeta era a revista de poesia, agora passou a ser a internet — o blogue e a revista online.

(Novitas) Quais teus autores prediletos da literatura Brasileira e Estrangeira?

(Paulo Henriques Britto) Leio muito, o tempo todo, e é difícil dizer quem são meus prediletos. Em poesia, nenhum poeta foi e é tão importante para mim quanto Pessoa, mas alguns outros chegaram perto: Drummond, Bandeira, Cabral, Emily Dickinson, Whitman, Wallace Stevens, Shakespeare. Em prosa, minha maior paixão é Kafka, mas também sou releitor compulsivo de Machado de Assis, Julio Cortázar e Witold Gombrowicz.

(Novitas) És um escritor premiado, qual prêmio teve mais significado e por qual motivo?

(Paulo Henriques Britto) O mais importante foi sem dúvida o Portugal Telecom, tanto em termos financeiros (e o dinheiro chegou na hora certa) como também pela projeção que ele me deu.

(Novitas) Estás trabalhando atualmente em algum novo livro?

(Paulo Henriques Britto) Estou sempre escrevendo e reescrevendo poemas, mas tão cedo não vou ter um número suficiente para publicar um novo livro.

(Novitas) No Brasil, dá para viver da escrita?

( Paulo Henriques Britto) Poucas pessoas vivem de escrita no Brasil, e menos ainda de escrita literária propriamente dita.

( Novitas) O que tu gostarias de falar para os novos autores?

( Paulo Henriques Britto) Leiam muito, leiam sempre, leiam sem parar. E pensem duas, três, dez vezes antes de publicar.
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- Essa entrevista será publicada no jornal Novitas, e distribuída de forma gratuíta.