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19 de dezembro de 2011

Revista Cultural Novitas - 13


Participantes dessa Edição:

1 - Editorial - David Nobrega

2 - Filosofia de boteco - Coluna do Haroldo

3 - Cassiano Ricardo e a poética negligenciada - Álisson da Hora

4 - Poesias - Deivis J. F. Coelho, Lucas Poeta, Maya Quaresma, Rodrigo Menezes, Ianê Mello, Ariane Ferrão, André Anlub e Cristiano Melo

5 - Entrevista: Tonho Crocco

6 - Contos - Difran Melo Franca 

7- Entrevista - Thalita Rebouças

8 - Fotografia - Fernanda Cid

9 - Pela Democratização da Palavra - Monica Saraiva

10 - Contos - Flávia Queiroz, Diego Coelho

11 - Medo de avião - Klycia Fontenele

12 - Luis Delcides e Música sólida

13 - Previsões 2012 - zodíaco

14 - "Meu primo disse que no futuro a internet será bastante utilizada. Tu acreditas que ele faz amigos na internet? " - Letícia Losekann Coelho

 - Antes de ler a Revista Cultural Novitas-13 , conheça os anunciantes clicando no link http://revistasnovitas.com.br/2011/12/revista-cultural-novitas-no-13-anunciantes/

Você pode ler a Revista Cultural diretamente no site http://revistasnovitas.com.br/  ou abaixo folhear no Calaméo

Adquira a versão impressa da Revista Cultural Novitas enviando e-mail para contato@editoranovitas.com.br 

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22 de maio de 2011

Eu, coração - By Samyra Almeida

"Tudo quanto se destina a surtir efeito nos corações, do coração deve sair."
(
Johan Wolfgang Von Goethe)

Eu, coração

*Samyra Almeida

De atitudes insólitas e sentimentos inefáveis

coração ardente, pulsante, num compasso em descompasso do acaso

VOU VIVENDO.

Se sei por que, não entendo

no bater vibrante, por vezes errante, desconcertante

as horas passam sem passar.

Espero algo que nunca chega,

mas me aconchega no doce pesar, esperar.

Encontro-me em meus desencontros,

perco-me querendo achar.

Sou força e fraqueza,

mulher que brinca de boneca,

menina guerreira que nunca deixa de sonhar.

Ô coração astuto!

Tem mania de querer ter vontades.

Não sabes que mando em ti?

Ou serás tu que mandas em mim?

Não há como contradizer-te

és temperamental.

Se queres, grita, incomoda,

e nem se importa se me fazes mal.

Melhor sucumbir a teus desejos

e não perder o prazer do bem viver.

De fadiga e cansaço

deixo meu suspiro sair.

Ô tempo implacável

leva essa carga e não a deixes voltar.

Conheço-te completamente

então porque se escondes de mim

coração?

Quero mostrar-lhe um descanso sublime e amplo.

Porque sou forte,

Estou perto.

Sou a paz que despedaça teus temores secretos.

Sou a única que conhece os teus desejos.

És livre,

Usa a imaginação.

Solta tuas asas.

Atinge teu limiar.

Mas, luta sempre,

e sempre.

...Porque és meu EU

CORAÇÃO....


*

Paraibana de nascença e maranhense de vivência, nascida em 1982. Funcionária pública e técnica em enfermagem apaixonada por leitura, escrita e música. Sinceridade e lealdade são algumas das características que definem meu caráter. Tenho personalidade forte e sou decidida, mas algumas vezes encontro situações que me fazem “perder o rebolado”. Tenho em Deus a resposta para todos os desígnios da vida e sou feliz por ser adoradora. Amo muito sempre, e sou amada. Não sou perfeita, mas partes de mim são excelentes. Sem marcar hora as palavras aparecem, com muito cuidado teço-as uma às outras formando uma trama pra cobrir meus pensamentos. Elas me fazem viajar em mim, é dessa forma que meu caminhar ganha ainda mais sentido, com devaneios palavreados junta às emoções guardadas na alma transbordadas em meus simplórios escritos.

Escrever para mim é assim, um prazer, e também uma árdua construção. Não apenas do texto,mas de mim que ao fazer, vou também me fazendo. Minhas palavras servem de ponte, elo, conexão com quem quer mergulham em um mundo criado por mim. É a minha possibilidade de vôo livre ao encontro do coração de alguém. Não escrevo para ser imortal, escrevo sentimentos, escrevo para dar vida á vida, escrevo para afagar corações… Escrevo porque estou viva, e a vida necessita da palavra.

Blog: http://samyraalmeida.blogspot.com

Twitter: @_SamyraS2_

Facebook e orkut: Samyra Almeida

Coluna no portal A&C: http://twixar.com/NNfnWRC




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4 de maio de 2011

A tristeza e um fim de tarde - Hannah Abraão





A noite sussurra
sua chegada.

Vento gélido
a pele é ouriço.

Entre telhados, um pálido arco-íris....


*Hannah Abraão é um dos pseudônimos da Jornalista, Klycia Fontenele que assina seus textos com o próprio nome ou com as personagens que ousa chamar de heterônimos: Hannah Abraão, Sarah Amin e Edward.

Em 2009, como Hannah Abraão, lançou o livro de poesias "Amor de Sentidos, a História" (Editora da Baixada/SP), que falava do relacionamento amoroso entre duas mulheres.

Usando seu nome, também em 2009, foi co-autora, com Cleudes Pessoa, do livro de contos infanto-juvenil "Pedra e Flor" (Editora Pouchain Ramos/CE), que retratava a história verídica de Cleudes Pessoa, que viveu em situação de trabalho infantil.

Coleciona, ainda, participações em antologias: "Poetas En/Cena" (Belô Poético/MG, 2007); "As Delícias de um Amor Proibido, Antologia de Contos" (Litteris Editora/RJ, 2006); Poetas do Café (Grafitte Editora/RS, 2006); e "Diversos, Antologia Poética" (Andross Editora/SP, 2005).

Na internet, participou das antologias: "Ilusão" (www.avbl.com.br, 2007); "Este é o Meu País" (www.avbl.com.br, 2006); e "Ação e Reação" (www.avbl.com.br, 2005).

Contato com a autora: klycia@editoranovitas.com.br



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28 de abril de 2011

Entrelinhas - By Monica Saraiva

Entrelinhas

By Monica Saraiva
Sabe aquele não?
Eu escrevi com lápis-de-olho
Preto, forte
Pra marcar o olhar
E a hora de te esperar

Aquela minha recusa
Aquele jeito de dizer,
Era pra que não me desses tempo
Pra eu tentar me proteger

Era maquiagem
Era eu, dublê de mim.
Sabe aquele não?
Era o modo disfarçado, envergonhado
De gritar o silencioso sim.


*Estudante de Serviço Social, é paulistana de nascença e cearense de vivência.

Leva a sério o desafio de escrever, em verso e prosa, pelo encanto da palavra escrita, com a qual não luta, se deixa dominar.

Teve poemas seus publicados na III Coletânea Scriptus da Editora Novitas "Palavração" e alguns outros textos nas Revistas Culturais Novitas.

Prepara com cuidado o seu primeiro livro, que também será lançado pela Novitas.

Escreve em seu blog blogdamoni.blogspot.com e é membro dos coletivos bordelbordado.blogspot.com epoemacurta-metragem.blogspot.com.

Contato: monica@editoranovitas.com.br Twitter: @Monica_Saraiva



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31 de dezembro de 2010

Receita de Ano Novo - Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.


Poema "pescado" do site Releituras. Visite a página






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24 de setembro de 2010

Jaz (Corpo Poético) By Camila Passatuto

Jaz (Corpo Poético)


*Camila Passatuto


Ferida exposta.
O que jaz,
O que traz,
O que o corpo ainda suporta.

Adentrando fria
Cada centímetro
De dor, rancor,
De palavra na derme, escrita.

Verso neófito.
Verme,
Verte em nós
Arte livre em necrópole.

O que jaz,
Poeta,
É o que traz... Em ti...
Ferida, assim, imposta...

*Publicitária e escritora, atualmente trabalhando em seu primeiro livro Caminho dos Versos e caminhando nesse. Tem 22 anos, mora em São Paulo e cultiva poesias.

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20 de setembro de 2010

Em 28. - By Letícia Losekann Coelho

Em 28.

*Letícia Losekann Coelho



Se tu sabes que fere a ternura
Quando respiras em latim, cala...
Faça-te menos abuse da censura
Enrole sua palavra em papel de bala.

Desfile em pontas desenhadas nos cascalhos
Mesmo que te custe a sola em sangue
...Cabeça intacta e pés em frangalhos
Olhos em chamas-Não desista- Ande.

Seja soberano acima de humano
Repita o mantra em fase estomacal
Porte-se como um liso veneziano
Prenda a respiração do grito abdominal.

Aponte o dedo mais rápido que a vontade
Linche os pensamentos e desejos alheios
Exiba de forma habilidosa toda sua agressividade
...Enrole-se na corda em seus rodeios.

Mostre-se digno do que colhe
Empunhe sua falta de ideia em benefício do nada
... Se alguém reclamar, ignore...
Continue utilizando sua fórmula mágica.

Finja felicidade em meio a maldade
Destrua sua possibilidade de tristeza
Se alguém cobrar, você foi abduzido por amenidades
Continue refém de sua própria pobreza.

Não mude uma linha de sua condição
Engane os sonhos de outrora
Sua carga de erros estão em eterna inflação
Drible a parte de dentro, mire na aurora.


* Editora e autora da Novitas. Site da autora http://www.leticiacoelho.com.br




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14 de setembro de 2010

Velhice - By Thiago Azevedo

Velhice...

*Thiago Azevedo


Meu anseio ardente
é me encontrar finalmente
em meu último estágio da vida,
um tão sonhado descanso,
não o descanso que é eterno,
é perene, porém belo.
Vou reviver os sonhos perdidos
por conta das responsabilidades assumidas,
ficarei mais lento e também mais sábio
pelo tempo que terei de vida.
Os bancos e as praças
terão um novo gosto,
cada nascer e pôr-do-sol
terão o sabor de últimos.
Todos os meus dias,
terão o festejo da despedida,
meu ócio não será angustiante,
pelo contrário, alegremente celebrado.
Visitarei meus velhos amigos,
também meus velhos pais,
que certamente estarão em silêncio,
se puder, ainda estarei ao lado
do amor que cultivei na vida.
O tão certo fim não será temido,
apenas e somente...
aguardado.
Não lerei mais os livros de história,
eu serei a própria história,
nas rodas de crianças,
falando de fatos passados
ainda vivos na memória...

Meu anseio é ardente,
de me encontrar neste novo estágio,
não é o desejo de encontrar a morte,
entretanto, é de ver-me olhando o tempo,
com o olhar de quem já viveu muito tempo,
sem lamentar e nem chorar pelo passado,
somente o sentir de uma saudade
tão serena e bela,
que só velhos poetas sabem sentir
e quando for agraciado com esta dádiva,
posso então partir...


*Criador, editor e escritor dos blogs www.mangaepoesia.blogspot.com e www.descansodaalma.blogspot.com.
Aprendiz de poeta, apenas um certo alguém que metamorfoseia através das palavras.





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26 de agosto de 2010

Aqui jaz uma pessoa querida - By Letícia Losekann Coelho

Aqui Jaz uma pessoa querida
*Letícia Losekann Coelho
A morte para a vida
Precisei me enterrar, afundar
Tornar - me vencido e fechado...
Para enfim ter domínio
E reaparecer, renascido
Para a vida.
Embebi profundamente em
Minhas entranhas...
Travei uma batalha com
Meus medos...
Enfrentei minha realidade
Insana...
Cravei a estaca em meu
Próprio peito.
Tapei as fendas antes do sepulcro.
Bolcei o sangue pútrido que me molesta,
Decorei o túmulo...
Orquídeas e violetas para
A cena.
Ressuscitei da morte que me
Impus...
Olhei meus olhos sem vida
E resolvi...
Não viver de sonhos
E sim da realidade
Que existe,
Aqui.
(Versos que tu querias dizer antes de morrer)
I
A realidade...
Esse monstro que se disfarça
De verdade,
Inunda-me de medo...
Pois na realidade existe o
Erro,
E o erro reporta aos
Momentos
Em que tive que fazer escolhas...
Triste ironia
Sempre agi como tolo,
Inclusive nos pensamentos.
Meu amadurecimento
Passa pelas decisões...
Mas nelas existe sempre o
Medo do erro...
Que atrapalha meu caminho
Até a perfeição.
II
A perfeição...
Essa insana vontade que
Não existe,
Mas insiste...
Esse é o momento de louvar
Os doentes...
Os aflitos e os
Hipocondríacos,
Que existem para dizer aos
Megalomaníacos,
Que o perfeito é ilusório...
É do momento.
Pois todos erramos...
(Faz parte do lado humano)
III
O lado humano...
Que me reporta à triste
Realidade...
Do medo do erro
Da busca pelo insano!
Faço-me animal
Para nao assumir responsabilidades...
Mordo, cuspo, cheiro...
Abuso os sentidos
Observo, escuto mas não falo,
Somente...
Agarro,tituro e uivo
...E quando dou por mim
Deparo-me
Com um alguém
Que precisa
Ser enterrado...
Para renascer
Cm vontade de viver...
Sem os medos
Sem querer os acertos
Recomeçar!
Para enfim construir
Um lado humano,
Menos insano.
IV
O insano...
Quando me faço humano,
Sou infeliz em todos os momentos...
Então rezo pela morte,
E ela não me acode.
Resolvi acabar com tudo...
Comprei meu túmulo
E acabei com ela,
A vida...
De corpo e alma
Agora jaz...
Estou deitado ao lado de
Meu pai,
Encontrei a paz!
V
A paz que sempre sonhei...
Durante toda a curta vida,
Não sei se vou para o Azul ou
Para o Fogo...
Mas queria deitar do
Teu lado...
Unir-me o teu corpo,
Meu pai, meu porto!
Fiz minha morte...
Livrei-me dessa vida doída
Minha mãe me deu uma
Última sorte...
Em minha lápide, escritos
Em letras fortes:
Aqui jaz uma pessoa querida.
* Editora e autora da Novitas. Perfil completo AQUI
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14 de agosto de 2010

Duas poesias de Lú Martins

Duas poesias de Lú Martins (*)


PALAVRAS DESNUDAS

Eu te amo
Você me ama
Amemo-nos, então.
Dias longe. Noites perto
Braços e abraços
Sonhos despertos
Faz tempo te amei
E hoje é igual
Orgulho, respeito, pele, coisa e tal
Risos cúmplices
Palavras desnudas.
Conheço teu olhar
Sei quando falar. Quando calar
Entre estranhamentos e desentendimentos
os dias passam, eles passam
Nada mais natural
Mar de rosas e comercial de margarina
não combinam com a vida real.



EXPRESSO PRA DOIS

Café pra dois, numa mesa pequena.
O cinzeiro cheio denuncia o nervosismo da espera.
A porta se abre, se fecha
E a todo momento seu olhar alcança os rostos recém-chegados
Na esperança de que um deles seja aquele...
A tempo de mais um café
A tempo do coração não esfriar.


(*) Poderia dizer assim: Não gosto de classificações. Você isso, você aquilo. Sou tantas. Nem sei qual é a verdadeira. Me confundo num mundo interior intenso de sensações, imagens, desejos, sentimentos, sonhos, utopias. Nada se firmou, nenhuma delas, as personalidades que possuo. minhas personagens. Todas elas querem entrar em cena, por vezes, todas ao mesmo tempo, todas querendo ser a protagonista. Uma batalha interna. Por enquanto nenhuma venceu. A mocinha, a vilã, a amiga, a dissoluta, estão todas ali se confundindo, se testando, pra ver quem leva a melhor. Sinceramente? Queria mesmo era ter os tais olhos de ressaca...

Mas preferiu assim: Paulista sonhadora, amante da palavra escrita, falada e musicada, que cresceu em meio aos livros e tinha a leitura como companheira já no café da manhã. De café em café, foi parar no mundo das Letras pra compor um gosto pessoal. Verdade que na vida real lida com números, mas fora do horário comercial sonha é com poesia. Um dia, não faz muito tempo, parece que amadureceu e aí aconteceu de querer escrever. Escreveu, escreveu e deu no que deu: de leitora, virou aprendiz de escritora.

Também vive de brisa, música, sombra, filme e água fresca. Tem sempre um ouvido na música e outro nas palavras que se desprendem da caneta, caem sobre o papel e vão dominando a folha com graça e vigor. O problema é que uns dias o texto vem pronto, noutros, as palavras fazem fita. Ah, detalhe: curte mesmo é escrita à moda antiga, papel e caneta. Tem sempre um caderninho aqui e ali, espalhados pela casa, na bolsa, pra quando surgir uma ideia, registrá-la logo antes que a danada fuja no instante seguinte. Descobriu há pouco tempo um interesse maior por fotografia, já que imagem, som e palavra se complementam como ninguém. Sabe como é, dão liga...

Tem um defeito, não sabe procurar a rima. É a rima que dá o ar da graça, surgindo quando quer. Se bem que precisa confessar uma coisa: não curte muito texto rimadinho, preza mais pela liberdade dos versos.

No que escreve pouco se intromete, já que o texto parece ter vida própria. As palavras vão escapulindo sôfregas pra quase não dar tempo de freá-las. Quando faz uma inserção, por pouco não pede desculpas a elas pela intromissão. É que palavras são melindrosas...

twitter ->
@SweetyChaos @Lorispector

http://sweetychaos.blogspot.com/




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8 de agosto de 2010

632.0 - By Letícia Losekann Coelho

632.0

*Letícia Losekann Coelho


Nós que suplicamos a verdade
Nem sempre temos audição para tanto,
Gritamos e definimos crueldade
A realidade no efeito traz espanto.

(pessoal plural)

Tu que na caixa alta fez alarde
Hoje, pensa baixo sem gritar
Sem titubear... Te defino: és covarde
Em lápis sem cor, vejo a boca acinzar.

(pessoal singular)

Vós que gastais o latim em vão
Silencia a língua mas a testa mestra...
Opinião em punho é sinal de castração
Calais os olhos instrumento de vossa orquestra.

(plural pessoal)

Ele que te questiona obviedades
Não entende de tempo perdido
Vive como eterno fodido,
Garganteando irreais calamidades.

(singular pessoal)

Eles que não se preocupam com futuro
Tem cinco minutos para aproveitar a fama,
A "mente aberta" é engessada tal muro
Deitam e rolam nas estrelas não exergando ser a lama.

(plurais pessoais)

Eu que absorvo feridas
Fico quieta até perguntar
Transformo o podre em linhas
Forço os olhos para quem sabe vaporizar.

(pessoa singular)


* Editora e escritora da Novitas.
Escreve no blog www.scriptusest.blogspot.com
www.twitter.com/Leticia_LCoelho



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6 de agosto de 2010

Rendeiras do tempo - By Thiago Azevedo

Rendeiras do tempo

*Thiago Azevedo



Vai a mulher rendeira,
separar mais retalhos,
corta, picota e costura,
são restos de pano,
é colcha de trapo.

Cada pedaço, uma história,
um jardim de rosas,
um novo botão de flor,
restos de tecido rendado
desmonta e remonta em lavor.

Retalhos de tempo,
colcha de memória,
parte, de partes, de partes,
passado, futuro e presente,
que formam nossas histórias.

Mais uma parte que se fia,
Mais um trapo que se funde,
pequenas centelhas de tempo,
colcha sempre incompleta,
eterno movimento, em amiúde.

Incansável mulher rendeira,
que a vida fia e descostura,
nossos velhos e gastos pedaços,
colcha de tempo que fulgura,
somando a mais e mais restos
de outros pedaços de trapos.




*Sou criador, editor e escritor dos blogs www.mangaepoesia.blogspot.com e www.descansodaalma.blogspot.com.
Aprendiz de poeta, apenas um certo alguém que metamorfoseia através das palavras.




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4 de agosto de 2010

Insensatez doidivanas - By Cristiano Melo

Insensatez doidivanas

*Cristiano Melo


Laudanizado pela amorfa esfera epigeica
Fálica e acefalina, pusilânime estoico,
Abre asas sobre a jocosa ética
Certame infalível e verborrágico.

Estupefato de sua denegável aleivosia
Rubra a face desmedida em verdade,
Furta da presa a alma lealdada com hipocrisia,
Funesto corteleiro da improvida amizade.

Se clama ao amor o escudável ludibriante,
Grita ao desafeto tal feita doentia.
Horda de palavras melotômicas adiante.

Da responsabilidade não se pode fugir em quantia,
No futuro aguarda a esfinge galante.
Jus alçada da sorte que lhe virá em serventia.


* É autor da Editora Novitas. Publicou o livro Braços Abertos de contos e poesias e participou da II Coletânea Scriptus - A Livre escrita. Vai participar da III Coletânea Scriptus - Palavração.
Escreve regularmente no blog
Braços Abertos
Perfil completo do autor AQUI

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30 de julho de 2010

Eloquência - By Van Luchiari

ELOQUÊNCIA


By Van Luchiari


Fica aqui, dentro desse amor que não morre, não morre, não morre.
- Oi. Como estás?

(Aos pedaços. É uma confusão, sabe? Eu quero dizer-te que gostaria de ter, apenas por um instante, esses teus olhos que me vêem assim tão diferente do que eu sei que sou por dentro. Ou não sei. Ou não tenho. Porque eu sou só esse meu abismo buscando asas. Apenas essa fresta escancarada na pele... ferida aberta que não sara. Essa coisa em metamorfose. E essa vontade de enfiar-me numa cápsula e perder-me desse tempo que não me entende e me corrói. Me corrói, entende?

Queria dizer-te dessa imensidão mascarada que eu trago escondida sob esse véu melancólico. Dizer-te que sou profunda, mas de uma profundeza intragável, asfixiante.

Sou submersa. E não sei se um dia chegarei à superfície de mim. E assim me faço porque o silêncio me habita e sem ele eu não existo.

Acostumei-me a ser essa solidão disfarçada de alegria. Vulnerabilidade vestida de fortaleza.

Também preciso contar-te como é tão melhor o meu dia quando acordo longe de mim. Ou quando bebo café fresco ou saboreio morangos ou descubro uma música. E como me sinto viva quando deixo-me molhar pela chuva ou quando atravesso os minutos sem que nada me machuque, nem eu mesma. E como eu gosto quando não há espinhos nas coisas, nas pessoas, na vida. E dos pequenos prazeres que eu tenho nessas coisinhas diárias que cabem todas tão imensas nas minhas mãos. Entende?

Eu queria que tu soubesses dessa blindagem que eu carrego em mim. Dessa capa que me protege e envolve corpo, alma, palavras, tudo. Essa casca impenetrável com jeito invencível, mas que por dentro chora e se desmancha.

É... eu queria mesmo dizer-te que essa que você vê daí da altura dos teus olhos, é, no fundo, uma finitude. Uma substância etérea prestes a diluir-se e ser esquecida, porque nada mais é do que um mero desvio de si mesma.
Mas no fundo eu também queria pedir-te, voraz, com todo o meu silêncio: não te desvies de mim.)

- Estou bem, obrigada.




* Uma "Arteira". Cuspidora de Música e Artes.
Compositora de instrumentos, vozes, palco, luzes, canto, melancolias, pincéis, cores, design, asas, cavernas, tintas, fotografia, sinfonias, melodias, rimas, prosa, versos, telas, imaginação, abismos, tempestades, morangos, raios, artes, decoração, mão-na-massa, blogs, poesias, escritos, sonhos, quereres...
Observadora de Estrelas, de olhos, de almas, de percepção, de profundidades, de Picassos, Matisses, Mirós...
Fazedora de artes, encantamentos, balangandãs, amores, beijos, sorrisos, drinks, mordidas, provocações, manias, ilusões...
Equilibrista de distâncias, palavras, letras nas máquinas de escrever, aprendizados, sentimentos, paixões, êxtases, orgasmos, borboletas, cristais, ventanias, cordas, pés descalços, nudez, erotismos, teias e baratos afins...
E depois de tudo, um fim.
Escreve no blog http://vanluchi.blogspot.com/





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18 de julho de 2010

É sempre assim - By Denison Mendes

É sempre assim

* Denison Mendes

Acordo pela manhã e ela está ali, desesparramada, suspensa do chão. Levanto. No descaminho do banheiro tropeço em calça, sapatos, bolsa, látex, batom, brinco, bugigangas, garrafas, cinzeiro, baganas. O despertar do espelho espreguiça um olhar nada bom. Noto uma pequena rachadura no canto direito, acima. Nada de mais. Não vai precisar pontos, eu acho. Bom, isso é coisa que não se comenta.

Revolto. Dorme ainda. Sento. Santa folha em branco, o preto a libertará da anemia. Doença grave para quem escreve. Cometo com um anão e anoréxico lápis.




Regressa a graça minha

Ó, musa de mileumanoitescas fantasias

Teu palácio ainda é oco

Tua catedral ainda é eco

Tua taba ainda é oca

Veste a nossa quimera de outrora

Dentro de mim ainda há a espera

Agora

Vem na primeira nuvem desnudada

Dá-me meu castigo

Não da pedra nem da perda

Prenda-me em teus abraços

Lassos e de laços

Líquidos inebriantes

Eu grito

Volta
...
Rascunhei-me ali naquela alva e muda página. Estas letras e palavras entrecortadas por espaços e pausas são lágrimas a ensanguentar a minha não mais adormecida dor. Oh! mundo de cruel, digo entre risos.

Ela acorda. Cheirando a anteontem para lá de trás dos montes. Bom, você sabe isso...

Abraçou-me e beijou minha boca com gosto de madrugada vencida e eu já com sabor de tédio. Desvencilhei-me dela como quem diz: não quero me aquerenciar agora. Ela entendeu, contrariada. Não levei a sério, mulher está sempre contrariada.

Depois desta cena memorável de afeto, mostrei-lhe o que havia escrito. Ela olhou, leu, releu, benzeu e professoral anunciou: não entendi nada!

Pô, não ri!

E continuou: mas está maravilhoso, meu amorzinho querido. És um gênio.

Viu? Eu disse para não rir.


Depois disso, fizemos amor selvagem como se estivéssemos na savana africana. E depois do depois disso, liguei para a Ritinha e mandei ela à merda. E queimei o poema que fiz para ela, sob um olhar incrédulo, da paisagem escultural de mármore sobre a cama.


*Denison Mendes, 39 anos, jornalista em formação antropossociológica e política. Um indivíduo do seleto grupo dos comuns em meio a celebridades de raridades instantâneas. De uma cosmoprovíncia, a pintar em português.

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14 de julho de 2010

Lixo e Fuga - By Bruno Bossolan

Lixo e Fuga


*Bruno Bossolan

Eu me enganei
Pensando
Confiando em qualquer um
Jogando palavras a quem me foi dado
De presente
Sendo da mesma matéria
Enriquecido de carbono e potássio
Mas pelo jeito
Foi empobrecido
De lixo e fuga

Um punhado de gente fraca
Gestos compressores
Atitudes especulativas
Saneamento intestinal
Para o enriquecimento
Genuíno da amizade

E você sofre tudo isso em silêncio
Porque seu mártir causa tanta repugnância
E te condenam por ser nojento

Acordo
Desperto
Estou acomodado no chão
E daí pra frente segue a rotina
Com essa bola que vai rolando
Na mesma rua
No mesmo sentido
Sem sentido

As pessoas são diferentes
E então inconformadas
A expressão do cansaço
É a mesma em todas as faces

Eu não queria ter infectado
Com essa minha indiferença
Dos padrões sentimentais
Não queria ter mostrado
Que posso sentir
Apenas com os olhos

Então eu fiquei escondido
Cego no buraco
Meus outros sentidos se aguçaram
Impurezas no meu corpo
Ainda virgem

Noites em estado
Morto
Estado num trópico
Morto
Instável na mesa de cirurgia
Morto
Estado da vida
Numa morte comemorativa
Ponderável fantasia
Morto

A vulgaridade flui
Do meu sorriso
Emana da sua mente
Emana de nós dois
E de cada um
Pro seu próximo
Que está ao lado
Na frente
Esperando pelo toque
E não ser tocado
Pode causar
Repulsa

Eu fujo pra longe
De mim
De tudo o que há
Existindo no bafo
Dos visionários
Profetas
Eruditos
Beberrões
Soltando na cria enfurecida
Gotas de complacência

Não é poesia
É um túnel claro
Como você enxerga a sua existência
Definhando na neblina
Piscando
Limpando os olhos
Mas sem parar
Olhando pra baixo
Só quando o penhasco
Estiver amontoado
Sobre seu corpo

Percorre a alma
Numa velocidade
Irremediável
Inexorável
Saltita nas veias
Dança
Harmoniosamente
Pulsa nos instintos
Como uma vitrola
Arranhando
A pele machucada
Espetacularmente moldada
No banalismo
Deságua no mundo
No lixo urbano
Fedorento e lucrativo
Pra uma fuga
Voraz e perpétua
Assim com os ossos
Doentes e as pernas
E as mãos e a cara
No cotovelo um roxo
Manchas de agressão
Da esperança
E te cala

Calando a voz
Os sentimentos
A razão
Consciência da derrota
E vai embora


*Bruno Bossolan nasceu em Capivari (SP), no dia 25 de junho de 1988. Começou a escrever com 13 anos, sempre buscando compartilhar a sua vida no papel. Depois da morte de seus pais, sua poesia se tornou ousada, nada de padrões ou fantasias, é uma simplicidade descrita em versos ou solta na percepção. Filosofia de boteco, blues e agressões morais são os companheiros inseparáveis do poeta.

Blog: www.tormentos.wordpress.com
Twitter: @BrunoBossolan




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10 de julho de 2010

1019. By Letícia Losekann Coelho

1019.

* Letícia Losekann Coelho


Tudo que tu falas, eu escuto
Ignoro a parte caída, relida, inventada
O resto eu passo na peneira muda
Com isso, destruo teu escudo.

Pego a paisagem em ondas
Refaço teu discurso de forma mental
... Eu sei, não é natural...
Repico tuas formas em pról das minhas notas.

(Eu vejo os olhos...
Não chego perto do cérebro,
Não alcanço teu grito
Não interfiro na projeção dos sonhos.)

Tudo que tu falas, eu escuto
... A parte que interessa...
Se não gosto, eu mudo
No luto por dutos...
Na pressa de não desagradar

Assumo a covardia
Não sei lutar.


* Perfil completo AQUI

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