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31 de maio de 2011

Pelo direito de ser gorda!

Pelo direito de ser gorda

by *Renata Arruda



Eu sempre tive amigas gordinhas, que vivem reclamando do seu peso. A maldita barriga é a campeã de reclamações. Na realidade, eu nunca entendia direito qual era o problema. Estavam sempre saudáveis, bonitas, eram cobiçadas, tinham vaidade. Por quê diabos a peocupação exagerada em emagrecer?

Lógico, pra mim era fácil pensar assim, nunca precisei fazer dieta, sempre fui magra "de ruim". Até que a depressão me fez tomar remédios que abriam o apetite e engordei mais de 13 quilos em dois meses. O mais engraçado é que a pessoa que eu mais admiro, de longe, a Alanis também começou a ficar cheinha, com braças enormes e começou a falar sobre a pressão que existe em L.A. para as pessoas estarem sempre magras. E aí eu comecei a compreender.

O grande problema não é o peso em si, mas a pressão. Eu também não estou feliz com meu braço e com a minha barriga, eu fico horrorizada, pq não estou acostumada, cada vez que reparo no espelho. Como pode crescer tanto? Eu reclamo o tempo todo, faço piadas, mas e a atitude? Não tomo nenhuma. Porque isso não me incomoda na realidade. Não faz eu me sentir pior perante as outras, não faz eu me sentir unsexy. Pelo contrário, até percebi que as cantadas na rua aumentaram. Apesar do braço e da barriga. Eu olho meu rosto e acho mais saudável, eu acho engraçado estar cheinha, nunca estive assim na minha vida. Antes eu tinha aparência frágil de doente. Eu gosto dos seios terem crescido, da perna roliça. Eu não sinto necessidade de usar roupas largas pra tentar disfarçar, eu me sinto bem como eu estou. O grande problema é que parece que eu não tenho esse direito. As pessoas parece que se transformaram. Gente que eu nunca vi se preocupar com corpo e aparência na vida começa a falar "meu deus, não quero isso pra mim", as pessoas parecem horrorizadas, todo mundo dá milhões de dicas de dietas, manda fazer exercício, manda fechar a boca, isso e aquilo. Ninguém leva em consideração que eu não quero nada disso, que eu me sinto bem da maneira q estou. Que não adianta minha mãe dizer que eu estou com uma "pança horrível", vou continuar usando ribanas e sentando sem o menor pudor da barriga aparecer. É uma pressão gigantesca para ser magra, como se ser gorda fosse alguma aberração. Me tratam como se eu fosse uma coitada, mesmo eu não concordando com nada disso. Mesmo eu me negando a cortar meu prazer de comer o que quiser em vez de passar a vida comendo biscoito de água e sal. Mesmo eu passando horas lendo ou vendo filme, porque isso me faz bem como ser intelectual, em vez de passar horas malhando em academia.

Eu acho que as pessoas deveriam deixar mais as outras serem como são e como querem ser. A pressão para ser magra e "bonita" é muito grande, vem até quando você não está se sentindo feia e nem desconfortável. Pegam pesado, chamam de desleixo, como se se manter magra fosse alguma obrigação a se manter na vida. Como se precisasse realmente disso para ser feliz.

Eu sigo minha vida de mais nova gordinha do pedaço, infelizmente com a barriga grande, mas estou saudável, estou feliz e minha vida sexual vai muito, bem, obrigada.

E sigo esperando que as pessoas me deixem ter o direito de ser feliz assim.



*Renata Arruda é escritora nas horas vagas. Mãe em tempo integral. Estudando quando dá!

Blog: http://mardemarmore.blogspot.com
twitter: @renata_arruda

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30 de março de 2011

Revista Cultural-10




Clique AQUI para ler a Revista Cultural- 10

Participam dessa edição:

3- Editorial - David Nobrega

4- Filosofia de Botequim

5- Belo Monte e as ilusões perdidas - Fred Navarro

6- Entrevista: Fernando Anitelli - O Teatro Mágico

8- Perfil - Maíra Viana

9- Horóscopo

10- A Recorrência do Teatro No cinema parte 2 - Cristóvão de Oliveira

12 - Projetos Culturais - Silvio Alvarez

14 - Perfeição - Letícia Losekann Coelho

15 - HQ e fotografia

16 - Contos: Déa Paulino, Tati Cavalcanti, Denison Mendes e Evana Ribeiro

17 - Cruzadinha cultural

18- Qualquer coisa: silêncio O registro do inexprimível em Jacques Roubaud - Álisson da Hora

19- Entrevista - Rafael Tombini

20-Poesias: Sarah Amin, Sandra Cajado,David Nobrega, Silas Correa Leite, Olga de Callis, Alessandro de Paula, Raphael Rosado do Nascimento, André F. Frutuoso e Karla Idiany

22- Glauco Guimarães - HQ




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17 de fevereiro de 2011

Creative Commons versus Ministério da Cultura

Colocaremos no blog, as matérias mais lidas das Revistas Culturais. Uma das matérias mais lidas da edição-9 foi:

Creative Commons versus Ministério da Cultura

Existem motivos para toda essa discussão?

dos Editores

A notícia que mais chamou atenção no meio cultural durante o mês de janeiro não tem absolutamente nada a ver com cultura e sim com o site do Ministério da Cultura. A retirada do selo Creative Commons do site do Ministério da Cultura acabou provocando reações ácidas por
uma boa parcela da população que faz uso da internet.

Entendida por alguns como o retrocesso, a retirada da licença foi substituída por
um simples parágrafo:

“Licença de Uso: O conteúdo deste site, produzido pelo Ministério da Cultura, pode ser
reproduzido, desde que citada a fonte”

Para os gerentes da licença americana no Brasil, essa linha substitutiva não protege aquele que porventura copie conteúdo do site do MinC para dentro de seu blog, por exemplo. Essa é uma ideia incompleta da situação, já que na lei 9610/98 não há qualquer prescrição de forma de concessão de licença.
Mas o que é a licença Creative Commons (CC)? No site da licença, a explicação de seu uso é farta, inciando-se assim:

“O Creative Commons é um projeto global, presente em mais de 40 países, que cria um novo modelo de gestão dos direitos autorais. No Brasil, ele é coordenado pela Escola de Direito da Fundação Getulio Vargas no Rio de Janeiro. Ele permite que autores e criadores de conteúdo, como músicos, cineastas, escritores, fotógrafos, blogueiros, jornalistas e outros, possam permitir alguns usos dos seus trabalhos por parte da sociedade.”

Nos Estados Unidos, país de origem do CC, a função da licença é posterior ao estabelecimento dos direitos autorais. Ou seja, em primeiro lugar o interessado em proteger sua propriedade intelectual deve, antes de qualquer partilha ou demonstração, recorrer ao escritório responsável – o US Copyright Office (www.copyright.gov) – solicitando o registro de sua obra.
Diferentemente de nossa situação, onde a burocracia impera, lá basta um clique para formalizar o pedido, sendo que pagamento e documentos necessários são todos coletados diretamente pela internet. Somente quando findo o processo de estabelecimento da autoria o agora proprietário de uma obra resguardada pela lei daquele país, partilhará ou não seu patrimônio. Nesse caso ele poderá optar por uma licença que demonstre claramente até onde suas ideias, imagens, projetos gráficos ou qualquer forma de arte poderão ser utilizadas, bem como a destinação, derivação e uso comercial futuro.

Nosso caso difere em algo do estadunidense? Basicamente não, já que temos uma Lei de Direitos Autorais, a de número 9610/98 citada acima. Após o registro de uma obra, o autor passa a ter o amparo da lei em vigor. Há porém uma questão relativa à LDA que faz urgente sua reformulação: sendo de 1998, ou seja, anterior à à disseminação do uso de meios eletrônicos de compartilhamento, a lei faz-se quase que completamente caduca, já que não prevê determinadas situações hoje de uso comum como a venda de músicas e livros pela internet, assim como suas possibilidades de uso. Em seu novo texto – ainda em formulação após
consulta pública que recebeu mais de oito mil contribuições –, existem pontos controversos suficientes para que não seja levada adiante em um curto prazo de tempo, como é o caso da liberdade em se fazer fotocópias de livros, proibidas pela legislação atual. Bem fez a Ministra Ana de Hollanda, ao dizer que “Vamos ter que rever tudo. Para apontar aonde tem problemas e o que pode ser melhorado chamaria não só pessoas da sociedade, mas juristas”.

O maior problema do “livre” na internet, principalmente com relação à Cultura, é que grande parte daqueles que elaboram fantásticas teorias nada tem a ver com a Cultura em si. Pessoas de
outras áreas opinam sobre a cultura livre e gratuita, sobre licenciamento, sobre a péssima opção da Ministra com relação ao Creative Commons. Essa opinião é meramente pessoal, uma vez que todos estão interessados em seu próprio consumo. A Cultura livre e gratuita enquadra o autor como mero fornecedor de entretenimento e não um profissional desempenhando uma função que lhe garanta o sustento. A distribuição gratuita de conteúdo através da internet pode ser realizada de várias maneiras e existem ferramentas próprias para que se limite o uso de produtos, que vão de senhas e criptografia, até simples plugins que bloqueiam o Ctrl C / Ctrl V, tão amistosos no compartilhar quanto no plagiar/piratear.

Falando diretamente àqueles que são autores de prosa e verso, uma situação que serve de exemplo:

Determinada autora nossa conhecida teve todo o conteúdo de seu blog, recheado de deliciosas crônicas, plagiado. Uma pessoa qualquer copiou-lhe cada palavra escrita, criou novo
blog e assinou os textos, agora para todos os efeitos, seus. Perguntada se havia registrado seus textos junto ao EDA, respondeu-nos que não, que era muito trabalho, que haviam taxas a serem pagas, “e que há o Creative Commons”. Valeu neste caso a honestidade e a boa-vontade do serviço onde os textos plagiados foram publicados, que simplesmente apagou todo o conteúdo
e bloqueou o acesso do plagiador, valendo-se única e exclusivamente das datas de postagemcomo forma de determinar se ovo ou galinha seria o mais antigo. Em algum momento verificaram sobre o licenciamento? Não.

O Creative Commons não deve ser nunca confundido com a legislação vigente de um país, por não lhe ser concorrente, complementar ou substitutiva. Há uma confusão entre vários sujeitos
completamente isolados entre si: Software livre e suas licenças GPL, Lei do Direito Autoral, Creative Commons e até o ECAD, postos todos em um mesmo balaio como se fossem todos partes complementares de um problema único, o que não é real. Em cada situação existe – ou deveria existir – legislação própria que proteja o mais fraco desse imbróglio,o autor.

É tamanha a confusão, que solicitamos a alguém mais capacitado em leis uma breve opinião relativa ao caso entre Ministério da Cultura e Creative Commons, que você pode ler
no quadro abaixo:

Isabel Pinheiro de Paula Couto
opinião

Graduanda da 10ª fase do curso de direito da UNISUL, aluna pesquisadora e bolsista do CNPq em direito ambiental, estagiária do Ministério Público de Santa Catarina.

O alvoroço em torno da discussão sobre a retirada do selo da Creative Commons (CC) do site do Ministério da Cultura se revela demasiadamente desproporcional ao seu real significado. Os argumentos são variados. Muitos apontam a medida da nova ministra como um retrocesso erevelam que a atitude significa a retirada de direitos, entendendo que a ideia da nova gestão é restringir o compartilhamento na internet, adotando, então, ao retirar o selo, uma política mais rígida. Outros ainda indicam que tal medida causa uma insegurança jurídica por gerar falta de transparência.

Muito me causa estranheza tais posicionamentos, vez que não possuem real fundamentação. Ora,a decisão pela ministra da cultura, Ana de Hollanda, de permitir a retirada do selo da Creative Commons (CC) do site do ministério da cultura, aparta a menção pelo site a uma iniciativa específica, o que não significa que houve uma ruptura com tal licenciamento, mesmo porque o Minc retirou o selo, não o licenciamento, como bem salientou a própria ministra.

Além disso, não é demais salientar que à luz do ordenamento jurídico nacional, visto que a própria Constituição da República, em seu art. 5º, inc. XXVII, e a lei 9610\1998 (Lei de Direitos Autorais), principalmente nos artigos 24 e 29, definem e garantem a política de direitos autorais, enfatizando a dependência de autorização prévia e expressa do autor para que terceiros possam fazer uso da sua obra.

A lei de direitos autorais é de 1998, anterior, portanto, ao Napster, (criado em 1999). Tal programa foi um dos protagonistas no que se refere a distribuição de arquivos em rede, compartilhando, principalmente, arquivos de música no formato MP3. A revisão da lei, como se vê, se faz necessária, visto que muito se modificou no que pertine a cultura digital entre outros meios de 1998 para cá. A lei de direitos autorais, em verdade, vem enfrentando há anos o dilema da era digital, desafiando os legisladores em uma luta cybernética nada palpável.


Para comprar a edição da Revista Cultural - 9 entre em contato pelo e-mail: contato@editoranovitas.com.br

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8 de fevereiro de 2010

Tema para debate: O mal do bem - querer - By David Nobrega

O mal do bem - querer

*David Nobrega

Um dia você acorda e percebe que o mundo pelo qual você tem trabalhado simplesmente não funciona como deveria. Suas ambições são vazias, seus amigos são frívolos, suas necessidades, bem... a maioria é supérflua e não agrega nada a você como humano. Na realidade, quando você teve esse insight, notou que sua vida é um simples contar números; números da conta corrente, quantidade de pessoas que o cercam, valores insignificantes que eram claramente imprescindíveis até o tal despertar.

A decisão óbvia seria o desapego material que embora teoricamente bonito, é insustentável na realidade. Ninguém lhe bancará as contas de telefone, de energia, a alimentação, o transporte, porque você teve uma pseudo-revelação metafísica. O ideal então seria como?

Em princípio, nossa vida pode ser caracterizada como um conjunto de ações e relações que podem nos tornar melhores ou piores, com o passar dos anos. Mas nada diz que é impossível voê aliar o útil ao fútil, sobrevivendo ao trabalho e vivenciando atitudes suas ou de outros que procurem um futuro melhor.

Ser um sonhador não exclui de você as responsabilidades do dia a dia. Ser um sonhador nada mais é que propor e tentar fazer com que ocorram fatos que sejam relevantes à sociedade de um modo geral. Como o tal sucesso profissional pode ser uma armadilha escravagista, pode também ser levado como simplesmente é: trabalho, meio de sustento, meio para alcançar um fim. Melhor ser bem-remunerado e ter dinheiro sobrando que ser utópico e sentir-se plenamente realizado, mesmo morando embaixo da ponte. existem aqueles que conseguem se realizar enquanto enchem os bolsos? Claro que sim. Uma minoria absoluta.

Pois vejam bem: Existe uma tendência, principalmente daqueles que como eu chegam aos 40 e sentem-se mal utilizados, de abandonar tudo para tentar fazer um algo mais, que deixe nossa marca na história, mesmo que essa história seja circunstancial e restrita a uns tantos membros.

O caminho mais utilizado para tentar esse "xixi no poste" passa pela cultura. Seja por meio de ONG´s ou por esforço próprio, muitos mudam suas vidas, tentando mudar outras vidas.

Como o meio cultural é o que mais importa para mim, posso lhes dizer de peito aberto que não é fácil. Os passos errados e desmedidos, pelo tal desapego que muitas vezes cega a realidade, mascara projetos ruins em tábuas de salvação...totalmente podres. Usar o próprio dinheiro duramente conquistado, sem um lastro posterior, pode ser fatal. Seus sonhos geralmente não são os sonhos dos outros, pelo menos não daqueles que realmente lhe interessam.

Um texto amargo como este é para que você, que acordou para a sociedade, não termine sendo um dos que necessitam do amparo desta. A sociedade gosta de pessoas realizadas/realizadoras e não daqueles que dependem dela.

Quer ser culturalmente importante? Use seu bom-senso e faça as coisas acontecerem, ao mesmo tempo que sua vida continue nos trilhos. Apóie projetos, vá ao cinema e ao teatro, distribua os livros que não lerá mais, sente em um barzinho e ouça um novo músico que depende do couvert para viver. E, claro, trabalhe!

O movimento hippie e suas comunidades não vingou. As comunas socialistas jamais funcionaram. A igualdade é para poucos, cada um dentro de uma determinada ordem na escala social. Falham essas alternativas de vida porque não levam em conta um conceito básico: não existe o doce sem o amargo, o feio sem o bonito, o bems em o mal. Acostumem-se ao fato que o querer, antes de ser, passa por uma fase imensa e dispendiosa de projeto, onde você tem que, necessariamente, minimizar custos e aparar erros de concepção. Quanto menor o erro, menor o custo (psicológico e monetário) que você terá.

Vamos fazer e acontecer? Vamos, mas com pés no chão e cabeça na nuvens.


* Autor e Editor da Novitas. Perfil completo AQUI
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2 de setembro de 2009

Livro digital no Brasil? Será?

Apesar de ter 27 anos e minha geração ter contribuído e muito com o “sumiço” do livro, eu ainda sou do tempo que um bom livro é diferente de ler links ou mesmo de escrever em blog. Sim, eu escrevo em blog s e leio links, mas sei a diferença entre um e outro.
Muito me espanta quando vejo pessoas comemorando sobre o surgimento do livro digital, uma vez que moramos no Brasil, onde ainda hoje existem milhares de pessoas que não tem acesso ao computador doméstico.
Pois é, o meu Brasil provavelmente não é igual ao Brasil dos outros; alguns Estados são super desenvolvidos, já outros vivem na miséria. Em muitas cidades existem localidades que a internet não chega, logo não comemoro o livro digital, pois penso que o livro seja ainda a leitura mais democrática.
Se baixo um E-book tenho dois trabalhos: o de baixar e o de imprimir. Prefiro ir em uma livraria ou mesmo comprar pela internet o livro pronto. Uma outra coisa que faço é procurar o número de ISBN e infelizmente em vários E-book's não existe. Meu lado editorial se mistura com o de leitora e penso que se o livro é bom, precisa existir um registro que comprove que o autor está recebendo seus direitos autorais. Se para existirmos no Brasil como pessoas precisamos ter a certidão de nascimento, porque com o livro seria diferente? Existem regras que devemos cumprir.
Não considero o blog um livro: blogs são feitos para ensaios. Blogs são uma amostra do que somos capazes, e quando aconselho as pessoas a guardarem alguns escritos sem publicar na internet, é para voltar a “máxima” do original. O original não tem esse nome a toa.
Faço parte da geração que assumiu que o mundo tem muita pressa, e na pressa acabamos não lendo até o final, não voltando ao início se não entendeu e o principal... Perguntando muito pouco. O livro pode “acabar” no Japão, nos EUA mas até acabar no Brasil existe um grande abismo. O “sumiço” do livro é preocupante uma vez que somem os livros, somem os leitores. Eu queria acreditar que o “sumiço “ do livro indique que as pessoas estão lendo mais na internet, mas não é o que acontece. Quantas vezes vocês escreveram um texto em que a "moral" da ideia fosse no rodapé e muitos não entenderam porque simplesmente não chegaram a ler até o final? E como escrevemos errado! Dicionários não são mais tão usados; as pessoas utilizam corretores automáticos e nem sempre esses corretores corrigem de verdade.
Alguns ainda investem na história ecológica para sumir com os livros. Lamentável é que utilizar papel reciclável no Brasil ainda é mais caro que usar o papel virgem. E aproveito para perguntar? Onde está escrito que computadores são benéficos com a natureza? É de se pensar.
Pensando comigo mesma, fico satisfeita por Países que conseguiram quebrar a barreira tecnológica e todos possuem ou dispõem de recursos para usufruir de tecnologia de ponta. Mas aqui no Brasil, primeiro precisamos “arrumar” velhos problemas como saúde, educação, segurança e modo de vida descente para todos antes de se pensar em popularizar o livro digital.


Letícia Coelho - autora e editora.
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21 de julho de 2009

Sinceramente...

Eu particularmente nunca vi médico se tornar médico sem investir em sua carreira; assim como nunca vi professores se tornarem professores sem investir em sua carreira.
A “lei do investimento” existe em qualquer profissão que se preze e eu poderia inclusive dizer que se plantando é que se colhe, parafraseando algum autor que desconheço, por isso não posso lhe dar os devidos créditos.
Fato é que alguns escritores ou alguns que pretendem viver da escrita, sonham em ser “descobertos”, sonham em ser publicados. Sonham em fazer sucesso sem investir em sua carreira. Verdade seja dita, se todo o arquiteto ou mesmo engenheiro ganhasse para fazer a faculdade, para ser transportado para seu curso e ainda sair com emprego garantido, o mundo seria de profissionais que “surgem e nascem” para brilhar sem esforço e tudo seria mais colorido.
Em um mundo onde a qualificação escritor é tão banalizada, mais que o próprio jornalista atualmente é difícil ser considerado escritor de verdade; praticamente todos que escrevem se auto denominam escritores e hoje já podemos até nos auto denominar jornalistas também, o que considero uma perda enorme em profissões que devemos estudar para dizer quem somos. Pois é, não existe diploma de escritor, mas existe a faculdade de letras mas que não nos torna escritores obrigatoriamente. Existem tantos médicos escritores que escrevem livros maravilhosos, advogados, engenheiros, estudantes que poderia arriscar que o que nos torna escritores é a qualidade de nossa escrita e o que ela provoca em quem nos lê.
Ao mesmo tempo que existem escritores que investem em sua profissão, mesmo publicando livros pagos em um primeiro momento, existem aqueles que além de não quererem pagar para publicar, falam mal da indústria literária, porém sonham em ver seus livros nas prateleiras de grandes livrarias. Perigoso se falar mal de alguma editora, quando se quer ser publicado sem pagar e receber sem investir em propaganda, ou mesmo ser comercial com seus 10% de direitos autorais só por escrever...Quem arriscaria publicar um autor desses? Creio que ninguém!
Perigoso dizer que editoras investem somente em autores “famosos” e enviar original uma vez por mês, já deixando claro que sua proposta é: deixar a editora publicar, ganhar 100 livros para distribuição gratuita mais 10 % de direitos autorais sobre a obra e não se mexer... Nem para vender, até porque escritor não precisa vender seus livros, precisa ser vendido. Controvérsias do mundo editorial... O que devemos é peneirar!
É muito engraçado escritores que são contra concursos literários, falam mal de editoras que promovem concursos literários... Arrisco aqui perguntar quem é que passa em um concurso ou vestibular sem pagar taxa de inscrição? Ninguém! Mas sabemos para que servem as taxas de inscrições? Se não se sabe deveriam saber, uma que banca julgadora presta um serviço e precisa receber por isso. Se o autor quer ganhar os 10% de direitos autorais e ainda ser publicado ele precisa entender que existem pessoas que corrigem seus originais e por ser um trabalho minucioso que detêm tempo é pago! Me questiono nesse momento, quem corrige minha prova em concurso federal, municipal ou estadual? Não sabemos, não nos é informado e nem se perguntarmos iremos saber. O trabalho de quem avalia concurso literário é complicado e logicamente o nome das pessoas que irão corrigir não serão divulgados antes do final do concurso para que ninguém entre em contato antes com eles. Isso é lógico, líquido e certo. Ao término do concurso por exemplo, a Editora Novitas vai divulgar nome e foto de quem selecionou os originais, o que já nos exclui de qualquer participação no julgamento uma vez que poderíamos ser considerados tendenciosos, tendo em vista nossa interação com alguns escritores.
Podemos conhecer a idoneidade de uma editora pelo seu número editorial perante a biblioteca nacional e pelo seu CNPJ, creio que fica mais fácil entender antes de tornar todas editoras iguais.
Esse é um texto de reflexão tanto de minha parte como Editora como autora, investi em duas coletâneas e um livro que me fizeram muito bem, uma vez que tive a oportunidade de distribuir minha literatura para pessoas que nem imaginava. Participei de 4 concursos e infelizmente não ganhei nenhum, paguei taxa de inscrição, pois prefiro pagar a taxa do que me inscrever em concursos sem taxas. Esse já é um indicativo, pelo menos para mim, que vai ter banca examinadora de original. A única coisa que me fez falta quando publiquei meu livro, foi ter uma EDITORA que fizesse seu trabalho, e por isso em conjunto com meu marido fundei a Editora Novitas, para realmente tratar o autor como autor de livros e não somente como um indivíduo pagante.
Creio que algumas explicações são necessárias e algumas reflexões quando a internet é vista como terra de ninguém e hoje o conceito de liberdade de expressão anda colado a ofensa e calúnia. Emitir nota de opinião quando se conhece um trabalho é aceito, mas partir para “achismos” ou mesmo padronizando todos como incompetente já é complicado e anda de mãos dadas com conceitos pejorativos que não melhoram ou ajudam as pessoas, ou uma empresa. Estar na internet significa uma coisa: ser lido e visto, por isso nós como Editora que somos, temos o maior cuidado antes de escrever ou emitir nossas opiniões sobre determinado assunto.
Letícia Coelho
Autora, Editora e Pedagoga.