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9 de outubro de 2009

"Eu, o estudo e o tempo de tudo" & "Wanessa" - By Eduardo Manciolli

Eu, o estudo e o tempo de tudo

*Eduardo Manciolli

Eu, o estudo e o tempo de tudo
A fome e o verso no estudo
O tempo que assombra esse muro
Me veste, me rasga e impele as grades do mudo


Me rendo as raízes do fruto,
Raízes do tempo que assolam meu mundo
Tempo, que com pompa, joga no escuro
Me assemelha, o vento, em dunas, e em tudo


Eu o tempo, do acento, no intento do obscuro
Que o invento não me cai e se quer posso-te em lume


Eu, o tempo do Invento
Eu, o soneto imperfeito
Eu, a obra incompreensível


Eu, a morte do saber, em verdades absolutas
O cego fascinado pelo ópio que lhe rega
Brinquedo, do atento sedento


Wanessa

*Eduardo Manciolli

As vezes o tempo avança e retrocede, as vezes o tempo para e se torna insuportavelmente infeliz, as vezes o tempo sucumbe e a vida se torna instável e inconstante, as vezes tudo que queremos é apertar o pause rebobinar a fita e apagar completamente todas as lembranças , cheiros e fotos, antes mesmo de tentar entender o que aconteceu, ou porque aconteceu, simplesmente voltar ao ponto onde tudo começou, mas desta vez antes de te olhar e me apaixonar perdidamente eu diria não a mim mesmo, não ao conforto de amar alguém especial, não por não te desejar mais ou qualquer tipo de magoa, e sim para não viver mais longe de você, eu apagaria toda e qualquer substancia retrátil de você.


* Eduardo Manciolli, é autor da Editora Novitas e tem no prelo o livro "Petrus".Nascido no interior de Mato Grosso, Barra do Garças, ludibriado com a grandeza das serras e parques temáticos, onde minha única alegria quando criança era jogar bola descalço no asfalto de pedras ponte agudas, na porta de casa, ficava tentando imaginar o que seria quando crescer e sempre me frustrava porque sempre alguém era o bombeiro, o policial, o ator, cowboy, o medico, mocinho ou bandido, eu era no maximo o “libero” como num time de vôlei, a única coisa que eu conseguia imaginar era “fazer algo”, todo mundo tinha um sonho, todo mundo sempre tinha a resposta na ponta da língua e eu sempre engasgava, tentando la no fundo me identificar com algo e nada me vinha, afinal que bosta de sonho de criança era esse “fazer algo”, tinha sonhos grandes e completamente robustos, sem fundo nem causa, sempre a espera de uma mensagem, esperando um “Mensageiro” bater a minha porta um dia e dizer, “Eduardo Manciolli eu vim aqui para te trazer a luz do esclarecimento”. Os anos se passavam a porta envelhecia, as roupas já não me serviam, os endereços mudavam constantemente, neste momento a saudade de meu pai “morto por si mesmo” so aumentava, eu me agarrava a paredes gelatinosas esperando encontrar um amigo, um homem mais velho para me espelhar, o tempo passava e minhas expectativas desmoronavam mais rápido do que um castelo de cartas. Passei de escola em escola completamente perdido e ausente, com momentos de extrema euforia e outros que “nem sei”. Aos 11 anos de idade senti minha infância escapando pelos dedos, dia 22 de maio de 1995 começava inicio da minha vida capitalista meu primeiro trabalho, minha busca continuava de emprego em emprego das áreas mais variadas tentando me encontrar, percebi com vivencia e maturidade que todos começam a pensar no próximo em algum momento da vida, não era mais so o “fazer algo”, comecei a refletir e o “fazer algo” se tornou “fazer algo pelo próximo”, o tempo passou, as bocas continuavam abertas como passarinhos no ninho a espera da mãe que lhe trás a comida regurgitada, a insatisfação e a cobrança pelo mundo, começava a tomar conta de mim novamente, ajudava sempre, mas a boca nunca cansava de pedir, comecei a imaginar tais pessoas como robôs semi programados para comer e exercer tarefas “mono-sintomáticas”, o ser humano tem que ter algo alem de comida, o ser humano precisava de sustentação, de embasamento mais profundo de si mesmo algo muito alem de comida, decidi devorar a Filosofia, afinal os filósofos poderiam me dar uma resposta, devorei todos os grandes filósofos e pensadores do passado, Platão, Nietzsche, Voltaire, Kant, Jung, Freud, Marx, meus horizontes se expandiram assustadoramente, minha percepção de vida já não era mais a mesma, quando achei que era por demais inteligente, com 19 anos de idade me tornei um velho de 70 anos caxias e de pensamento complexo, devastado por ideologias de inúmeros pensadores, não tinha nenhum rastro de pensamento próprio, uma pessoa sem descobrir a sua própria verdade é como um saco vazio que flutua no vento, sem peso nem causa apenas segue o vento, então Nietzsche único filosofo que não penteava seus cabelos do saco, me deu a luz, eu tinha que matar tudo, ate a mim mesmo, para realmente existir, queimei todo amor próprio, acabei com todos os paradigmas aos quais me recostava desde o berço. Continuei ajudando, o córtex frontal estava completo, mas ainda faltava algo, a alma dessas pessoas continuava esquálida e morta, descobri que a frase mais clichê de todos os tempos tinha algum fundo de verdade “nem só de pão vive o homem”. Então para encontrar respostas enveredei por caminhos que eu nem imaginava, mas eu nunca mais seria o mesmo, estudei todas as ciências, estudei todas as religiões e seitas existentes no mundo, pilhas e pilhas de papeis impressos para todos os lados da minha casa mais de 30.000 paginas estudadas e testadas minuciosamente, Física Quântica, Cabala, Gnose, Espiritismo, Magia Branca, Magia Negra, Candomblé, Cristianismo, Satanismo, Budismo, UDV, eu precisava de uma resposta eu precisava da cura, eu precisava de um remédio, eu precisava de uma “verdade”, penetrei tão fundo, busquei tão longe, vi as cores vivas do universo tão próximo que me achei mágico, no fim nenhuma seita, ciência, religião, tinha uma “verdade”, eram apenas uma junção de coisas e copias delas mesmas, em cada escritura era apenas o grito da alma aprisionada numa “lata” bem decorada, todas as religiões buscavam tão longe uma coisa e nunca perceberam que o grito que eles ouvem é o de sua própria alma querendo despertar, mas todos nós aprendemos desde cedo a imaginar que a cura estava fora, bem longe num céu de diamantes e Deusas gostosas e seminuas.Voltei ao meu ninho, e as pessoas continuavam ali com as bocas abertas esperando meu material regurgitado, cai de joelhos em meio a eles exausto, sem comida, sem filosofia para guiá-los, sem a verdade que poderia desperta-las, e com problemas mentais dos mais diversos causados pelas experiências míticas que passei e que poucos seres humanos na terra podem imaginar que existam. Procurei “dentro”, procurei “fora”, procurei em todos os lugares uma só verdade, e estava ali no meu ninho exausto e a dor mais forte que me perturbava, era que “não existiam verdades”, o que eu faria agora? Qual esperança eu lhes daria, precisava ao menos de um analgésico ou palavra de esperança pra eles porque eu não via nada alem de minha própria escalada.Eles começaram a se aproximar de mim, me abraçaram forte, e eu desmontei a chorar, a fome havia passado há muitos anos, o “fazer algo” e “fazer algo pelo próximo”, virou “Transformar”, “Transcender” e “Evoluir” percebi isso quando me olharam profundamente nos olhos, pude ver la no fundo a minha dor translucida em suas próprias almas, eles me estenderam as mãos e me deram abrigo. “Dormi” por muitos e muitos meses ate me recompor, a busca havia acabado e assim toda minha força e estabilidade também. Acordei aos 26 anos de idade afundado em depressão, escombros e dores que adquiri, me arrastei ate o banheiro, me escorei na pia, olhei no espelho e ali estava alguém que eu ainda não tinha visto, alguém que eu esperava desde criança bater a minha porta, tantas casas, tantas ruas, tantas moradas, esperei tanto tempo por este dia e achei que nunca iria encontrá-lo, e ai ali estava ele na minha frente tão próximo, era ele o “Mensageiro”, então descobri era EU o mensageiro que eu esperei a vida toda encontrar, era eu o mensageiro da transformação, era eu o Escritor. Enfim eu havia me encontrado

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18 de setembro de 2009

Milonga de um Peão - By Letícia Coelho

Milonga de um peão

*Letícia Coelho

Pega teu violão, dá vida a minha milonga...
Vêm do meu coração todas as letras tristonhas.

Gauchita sonhadora, guapa dos pampas
"Lindaça" porém chucra
Não gastava pólvora em chimango
Mas nunca levou desaforo para casa.

Andava com a guaxa na cintura
Amansava qualquer potro duro de boca
Eita, prenda bonita! Sonhei com ela deitada no meu pelego
Aquela merecia respeito!

A moça não era polida
Tinha língua afiada que nem facão
E nos pés carregava esporas
Roubou meu coração.

Tentei um dia domar aquela potranca
Ela prenda, com flor nas tranças
Entrou no CTG
Eu que já estava tomado
Andei como topetudo até a guria
Fiz reverência
E antes de desembuchar minha cortesia
Ela respondeu na cara:

Pega teu rumo peão!
Estou de vestido, mas guardo na canela uma arma
Para usar quando algum desavisado
Tentar roubar meu coração!

Saí mais perdido que cusco em tiroteio
Tomei chá de sumiço daquela querência
Andei pelo Pampa jogando carpeta
Mas nunca esqueci aquela morena!

Voltei depois de juntar dinheiro para comprar minha fazenda
Construí minha cabanha
Comprei 100 cavalos soltos de pata
E contratei a chucra potranca
Para domá - los.

Botou cabresto em todos em menos de um mês
Veio pegar seu ordenado
Comprei mais cavalos e apostei:
Se conseguires domar estes aqui
Deixo - te partir!
Mas se eles te matarem no cansaço
Quero que mores aqui!

A prenda linda olhou - me arredia:
Tu queres me colocar cabresto,
Não te permito peão...
Já te avisei uma vez!

Saiu a trote do meu terreno
E eu triste como chimango em tronqueira
Esperei o minuano chegar
E minhas lágrimas levar.

Nunca esqueci da gauchita guapa
A donzela que não provei dos lábios
Mas que destroçou minha emoção!

E eu que peleio pelo mundo
Não ganhei nem na tala
Um sorriso da prenda
Que marcou à ferro meu coração!


* Letícia Coelho é autora do livro "Ensaios Amadores ou não..." e Editora da Novitas.





17 de setembro de 2009

O Diabo - I (para Ana Mello) - By Marcos de Andrade

mini da série O INFERNO É COR DE ROSA.


O DIABO - I (para ANA MELLO)
*Marcos de Andrade

Eu sempre soube que o Diabo representa o mal.
O que eu não sabia é que ele também é padeiro.

*Marcos, é um dos autores da II Coletânea Scriptus - A Livre Escrita e autor da Editora Novitas. Tem no prelo o livro infantil " Meleca, a bruxinha sapeca".

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12 de setembro de 2009

Pela Madrugada - By Gustavo do Carmo

PELA MADRUGADA

* Gustavo do Carmo

Os ratos serpenteavam no meio-fio. Baratas passeavam pelos bueiros. Os pardais piscavam ávidos para multar motoristas que avançassem o sinal. Os meninos de rua cheiravam cola sem cerimônia. Um deles desfilava com a sua pistola prateada como um vampiro sedento pelo sangue de suas vítimas, especialmente motoristas de carros de luxo.

Dona Marta e Regina caminhavam pela rua do subúrbio, sem medo de tudo isso. Pareciam protegidas, pois ninguém as ameaçava. Só um velho tarado parou na sua frente, abriu o sobretudo que o cobria e exibiu o seu pênis longo e flácido. Elas nem se importaram. O malandro com a canivete escondida, perguntou para onde elas iam, foi ignorado e não reagiu.

As duas mulheres não se assustaram nem com o camburão da polícia correndo na contramão da rua e com o tiroteio que começou a pipocar minutos depois. Continuavam observando a cena na alta madrugada: a dupla de travestis que fazia ponto na rua, o barrigudo careca caído bêbado na calçada, o grupo de jovens voltando da festa às gargalhadas, a prostituta se deixando possuir pelo cliente e os primeiros trabalhadores no ponto de ônibus. A lua começava a perder força com o azul ciano do céu.

Tudo o que Regina queria era comprar a primeira fornada do pão que saía às cinco da manhã na padaria do bairro. Reconstituindo um momento que viveu aos sete anos, quando a sua mãe, Dona Marta, a levou para esperar o pão sair quentinho.

Naquela época, o estabelecimento era mais simples e a cidade mais calma, sem pardais, menores armados e tiroteios. Mas já tinha drogas, sexo, bêbados, malandros e tarados. Trinta e cinco anos depois, Dona Marta, já uma frágil anciã, levava a filha para atender um pedido nostálgico, que poderia ser o último, pois Regina já fora desenganada pelos médicos que diagnosticaram um tumor cerebral.


* Gustavo do Carmo é formado em jornalismo e publicidade, publicou o romance Notícias que Marcam e a coletânea de contos Indecisos. Tem o blog http://www.tudocultural.blogspot.com/ . Seu twitter é www.twitter.com/gustavocarmo


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8 de setembro de 2009

Uns e Outros - conto de David Nobrega

Uns e Outros

*David Nobrega

Naquele tempo tão distante na memória, havia Uns e Outros.
Uns eram fortes e capazes, Outros nem tanto; muito pelo contrário, eram fracos.
Uns faziam de tudo para que todos, mesmo que Outros estivessem limpos e alimentados, pois necessitavam de massa de manobra.
Outros, acreditando receber de Uns tudo daquilo que precisavam nunca se manifestavam.
Uns eram inteligentes, mesmo quando essa inteligência tinha a finalidade de se utilizar da preguiça mental e da fraqueza de Outros.
Outros sabiam que se fossem contrários a Uns, perderiam as mordomias conquistadas tão... facilmente.
Por essa época apareceram por lá Aqueles que não eram nem Uns nem Outros, sendo, portanto, alheios ao estabelecido subentendido.
Aqueles não gostavam de Uns, por os acharem por demasiado arrogantes e donos das verdades, mesmo tratando-se de déspotas esclarecidos. Mas piores, pensavam Aqueles, eram Outros que se faziam de mortos para receberem suas esmolas.
Não demorou muito para que ocorresse um levante de Uns contra Aqueles. Coragem não faltava a Uns nem a Aqueles, mas quem decidiu a batalha foram Outros: chamaram ao Fulano, que nada tinha a ver com a história e lhe proclamaram Rei, em troca de uma nova bolsa para seus pares.


* David Nobrega é autor e Editor da Novitas. Esse conto faz parte e deu título ao livro Uns & Outros.

<== Perfil Completo AQUI ==>



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24 de julho de 2009

Deus é em mim - Autoria de Marcos de Andrade

Deus é em mim



* Marcos de Andrade


Eu sinto em meu corpo,
Em cada poro, cada átomo, molécula e n'alma,
A dor dos aflitos, o cheiro das flores, o gosto da chuva, o toque da pele;

Eu ouço em uníssono,
A melodia do amor, cantada pelos poetas e os seus seguidores,
A cada nuvem que passa; Eu vibro com as massas e com o vento viajo;
Às vezes sou homem e invejo; sou fraco e reclamo; sou corpo e sangro.

Eu vejo e meu ser todo estremece ante o orvalho que chora;
A mãe que implora ao filho - não vá;
Aos gritos do horror da guerra;
Aos desgarrados da terra, que gemem de fome e morrem aos borbotões.

Eu rezo.

Sim, eu rezo a cada lágrima - fraca - que cai e a que teima em ficar;
A cada passo e tropeço que teimo em dar;
A cada beijo que recebo e transmito.

Meu corpo, meu espírito, minha vida não são meus.

Meus sonhos, minhas fibras, meus ais se vão.

O amor fica.

Deus é em mim e quem me derrubará?


DEUS É EM MIM E QUEM ME DERRUBARÁ?




* Nasci na cidade de Marau, interior do Estado do Rio Grande do Sul, no dia 21 de julho. Sempre tive gosto pela escrita, mas no início eram poesias (pelo menos era o que eu achava).
Depois descobri o violão e sonhava em ser cantor, compondo músicas logo às primeiras notas aprendidas. Gostava muito de desenhar, mas não desenvolvi este dom, apesar de ter sido bom copista. Mas o tempo passou. Eu aprendi a tocar, mas minha voz... É melhor nem falar!
Então em um dia, quando o orvalho do tempo já descoloria meus cabelos, descobri que eu nunca seria cantor (a voz, sabe...) e não tinha mais as mãos leves para desenhar como antes. Redescobri então a escrita. Voltei a escrever poesias. Descobri o miniconto e outros gêneros que nem conhecia e entrei no mundo da web. Participei então da I Coletânea Scriptus – Balaio de Idéias, da Editora Novitas. Depois, fui convidado a participar da Antologia Nacional de Poesias – Mares Diversos, Mar de Versos, da Editora Pensata. Fiquei empolgado, pois a estas alturas, com quase vinte anos de funcionalismo público, eu já havia escrito três pequenos livros e estava escrevendo outros sete.
Bueno tchê, o "causo" é que agora estou participando da II Coletânea Scriptus – A Livre Escrita, também da Editora Novitas e da I Coletânea de Poesias – O Melhor da Web, da Usina de Letras Editora em comunhão de esforços com o site O Melhor da Web.




*Marcos, é um dos autores da II Coletânea Scriptus - A Livre Escrita e autor da Editora Novitas. Tem no prelo o livro infantil " Meleca, a bruxinha sapeca".



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18 de julho de 2009

UTI - Conto de autoria de David Nobrega

UTI

*David Nobrega


Se me encontro aqui hoje, é por persistência. Minha vontade de viver é maior que essa profusão de tubos que me mantém vivo.
Há exatos 6 anos, sofri um gravíssimo acidente, enquanto me encaminhava para o trabalho. Estava chovendo e eu, em minha imprudência valente dos motoristas com algum tempo de habilitação, dirigia a toda velocidade, desviando de poças e buracos de minha cidade. Não estava atrasado nem nada, mas dirigir de maneira agressiva tornou-se um hábito, independente do compromisso ou do leito pelo qual trafegasse.
Sabe quando você usa óculos e não nota a sujeira se acumulando nas lentes? Parece que o mundo vai perdendo a cor pouco a pouco, chega a pensar que necessita de uma nova consulta com seu oftalmologista, quando na verdade basta uma boa lavada em seus óculos para que tudo retorne a normalidade. Aconteceu algo parecido na hora do acidente: embaçou o vidro, eu me esforçava para enxergar, não vi o caminhão parado na esquina que entrei derrapando pelo excesso de velocidade e deu no que deu. Até hoje, passados tantos anos, me lembro dos números da licença, mal-escritas em vermelho contra o fundo verde da carroceria de madeira.
Quando acordei estava saindo de uma cirurgia, onde repararam um pulmão perfurado, extraíram meu baço, costuraram alguns pontos em meus intestinos e remendaram alguns tantos ossos partidos, principalmente em meu rosto, braços e pernas. Pela dor que sentia não poderia precisar em quantos lugares eu sofrera algum tipo de injúria. Apaguei de novo e só acordei meses depois...
Minha primeira recordação aqui da UTI foi a de um enfermeiro me virando para trocar os lençóis. Não sei se vocês sabem, mas os colchões que se usam nos hospitais são revestidos com uma capa plástica, o que faz com que nós, enfermos, transpiremos como uma bica sobre o lençol. É desconfortável mas limpo. Ao menos trocam as roupas de cama uma vez ao dia.
Minha esposa e meus filhos têm vindo me visitar, ela mais que eles. No começo tinham que barrar minhas visitas, mas com o tempo foram rareando, sobrando apenas a presença diária de minha esposa. Muitos já me condenaram. Estou morto para o mundo e esqueceram de me enterrar. Ouvi isso da boca de um de meus melhores “amigos”, em sua última visita.
É interessante quando pensam que você não ouve o que dizem. Quase uma sensação vouyerística, se me permitem o termo. Dizem uns aos outros coisas que jamais diriam na minha frente. Como quando um meu conhecido, cliente de longa data, aproveitou o sofrer de minha esposa e, colocando-lhe a mão sobre o ombro, quis consolá-la de uma maneira não muito galante. Dois sonoros tapas dados por ela foram o suficiente para que ele se afastasse, não antes de jurar que ela ainda seria sua. Que ainda ela o procuraria. Esse também nunca mais apareceu.
Ao lado de minha cama existe outra cama e enfileiradas até o outro lado da imensa sala que é esta UTI, outras mais. Quando me viram de uma lado para o outro para que meu corpo não fique em feridas pelo contato do maldito colchão eu consigo vê-las, iguais em sua forma, diferentes em seus conteúdos. Meu divertimento consiste hoje em descobrir quem seriam essas pessoas, assim como eu enfileirados a espera de suas mortes.
Na cama mais próxima de mim, à minha esquerda, um paciente asiático, já idoso, teve um derrame. AVC – Acidente Vascular Cerebral. E H, de Hemorrágico. Sinto que se um dia conseguir sair daqui posso clinicar como médico por aí, pois tenho aprendido muito nesta minha universidade forçada. Esse paciente, meu vizinho, deve ter lá seus 65 anos, pouco mais, pouco menos. Seus visitantes são sempre engravatados, aparentados a ele de alguma maneira. Senhora chorosa não há, pelo que suponho seja ele viúvo. Logo mais torno a lhes contar algo que sei deste meu vizinho.
Pelo que consigo ver de onde me encontro, deitado sobre meu lado esquerdo, com o respirador também a minha esquerda, enriquecendo meu sangue com ar puro, existem ao todo mais oito pacientes.
Numerando-os de 1 a 9, sendo eu o nono, a primeira cama e o ocupante do quinto leito sofrem de uma tal SARA. Não sei o que significaria isso, mas coisa boa não é, já que vi outros pacientes anteriores com esse mal morrerem em questão de dias.
Ocupando a segunda posição de nosso hit-parade, temos um infartado que acabaram de operar e colocar um marca-passo. Coisa sem graça que nem vale o sacrifício dos comentários.
No terceiro leito, sempre “de lá para cá”, um outro acidentado. Esse teve menos sorte que eu. Perdeu duas pernas.
O número 4 é interessante e não o perco de vista; é um assaltante perigoso, mas que tem convênio médico, baleado em uma perseguição policial. Eu fiz das tripas coração para poder pagar meu convênio, caríssimo. Esse sem-vergonha, bandido, tem o mesmo convênio que o meu. Garanto que aquele meu carro roubado há alguns anos financiou também o convênio de algum desses safados. Coisas da vida. Fico rezando para que algum dia seus comparsas invadam a UTI para tentar resgatá-lo. Ao menos um pouco de emoção em minha vida...
Número 6. Uma mulher. Teve, segundo um dos médicos comentou com outro, pré-eclampsia. Algo sobre a pressão subir demais na hora do parto ou algo assim. Coitada...nem vai conhecer o filho. Está já sem sinais cerebrais e vão desligar seus aparelhos logo, logo.
Apresentados meus colegas, me permitam retornar a meu colega aqui ao lado, que apesar de inconsciente não precisa dessa parafernália toda que tenho para mim para poder viver. O bom velhinho, pelo que entendi, não tem nada de bom. Mafioso, segundo ouvi comentarem. Trazia contrabando da China e revendia aos R$ 1,99 por aí. Coisa que, se entendi direito, além de acabar com os comércios locais ainda fazia com que estes transformassem suas lojas em pontos de venda de seus produtos piratas. O comércio em si era uma grande fachada que encobria, entre outras coisas, tráfico de escravos, jóias e drogas. Ou seja, o perfeito capitalista selvagem.
Corre a boca pequena, entre murmúrios que escuto da boca da enfermagem, que sua doença não tinha nada a ver com o verdadeiro motivo dele estar ali. Dizem eles que alguém da família havia tentado envenená-lo e o filho mais velho estava pagando para manter o pai naquele local, pois temia que se o levasse para casa, tentando fazer com que ali se restabelecesse, tentassem mais uma vez matá-lo. Se pedirem minha opinião, de quem, está a anos presenciando de tudo que por aqui acontece, diria que quem quer dar cabo do velho é o sobrinho com cabelo tingido.
Poucos antes deste texto ser escrito, monges budistas vieram orar pelo semi-defunto, tentando encaminhar sua alma de volta para seu corpo. Ou não, sabe-se lá se o chinês loiro não está metido nisso, querendo de vez despachar a alma do tio.
Começaram com um cântico lento, uma campainha soando ao fundo. Querendo ou não, você acaba fixado nos sons por ele emitidos. A cantilena vai ficando cada vez mais rápida, como se uma onda estivesse se formando nas profundezas do oceano. Cada vez mais os sons, embora não passem de murmúrios quase inaudíveis, vão se tornando uma espécie de zumbido grosso, como um zangão.. Não sei lhes explicar...seria como se você pudesse “apalpar”, “tocar” , na realidade um “sentir-se tocado” pelos sons.
Não sei mais nada quanto ao velho ali ao lado, mas em mim o ritual teve seu efeito. O que dizem de uma tal luz brilhando no final do túnel é quase que uma verdade total. Quando dei por mim estava de pé, olhando para meu corpo morto, embalado por uma música suave e, acreditem, banhado pelo sol da manhã, que jorrava sobre mim vinda diretamente de algum lugar sobre minha cabeça. Nada mudou, mas ao mesmo tempo me sinto livre. Se alguém conseguir psicografar isto, por favor, avise minha mulher do seguro que está em meu cofre. Despeçam-se de meus filhos. E diga àquele safado que cantou minha mulher ao lado de meu leito, que quando ele sentir um arrepio na espinha, sou eu ali, cuidando para que ele sinta medo pelo resto da vida.

*Nascido em São Paulo, capital, em 28 de Novembro de 1966.
Escreve poesias, contos e fotografa - não necessariamente nessa ordem.
Durante o ano de 2008, editou a capa do livro Ensaios Amadores de autoria de sua esposa, a poetisa gaúcha Letícia Coelho. Editou também a capa e orelha do livro D'Acolá, de autoria do escritor baiano Marcos Pontes, pela editora Os Viralata. Ainda em 2008, esteve presente na exposição Porto Alegre: imagem e poesia, com fotos e poesias de sua autoria, em Julho e em Setembro, participou do Projeto Zine Lapa, no Sesc Lapa, São Paulo, com fotos de sua autoria.
Já em Janeiro de 2009, lançou seu "Uns & Outros", livro de contos e desencontros.

Participou e organizou a I Coletânea Scriptus - Um Balaio de idéias.
É um dos fundadores e editores da Editora Novitas, todas as capas de livros lançados pela Editora Novitas são de sua autoria.

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10 de julho de 2009

Porquê procurar ajuda, de Nanda Botelho(*)

Basicamente porquê encontramos na vida um desafio maior que nossos recursos de enfrentamento. Pode ser no trabalho, nas relações amorosas, fraternais (amigos, parentes, filhos...) ou com o sentido de nossa própria existência

O fato é: a carga está maior do que nossa capacidade atual de resolver.

Quando demoramos a pedir ajuda, vamos somando; o que era pequeno vai se tornando gigante, saímos de uma pequena preocupação para uma angústia, da angústia para a tristeza e desânimo, do desânimo para uma doença física e o principal, nossa mente entra em caos e não conseguimos mais aproveitar a vida, perdemos o gosto e vivemos por viver continuamos a fazer tudo, mas com falta de alma, de vivacidade, de alegria.

Insistimos por algum tempo ainda que não precisamos de ajuda; “Posso resolver sozinho!” talvez por orgulho, lá no fundo não queremos apresentar fraqueza ou mesmo incompetência para viver, afinal essa deveria ser a mais básica das habilidades e é uma vergonha acharmos que não a temos. O que não sabemos é que essa habilidade básica não é desenvolvida em nós junto com a educação, sim não somos educados para viver plenamente e dispor de nossa criatividade e superar desafios. A maioria de nós é abafada nisso justamente pela educação. Ao longo de nosso desenvolvimento vamos sendo podados e amarrados, cristalizados em respostas prontas e invariáveis ditas humanas, que atrapalham mais que ajudam. Então começamos a pensar que somos assim que nascemos assim! Rígidos, imutáveis com uma resposta só. Perdemos nossa criatividade e ganhamos uma Personalidade, algo que até nos orgulhamos dizendo; “Eu sou assim!” e esse assim às vezes está nos levando para uma existência infeliz e nós achamos que somos impotentes “isso é mais forte do que eu” “não posso mudar”. E continuamos, às vezes até orgulhosos de nossa cristalização, respondendo sempre igual, normal nos tornando confiáveis. Sem nem desconfiar que podemos mudar.

Viramos um joguete, das circunstâncias com resposta pronta para tudo. Se tiver emprego sou feliz, se não estou amargurado; se encontro um romance estou no céu, se não vivo um inferno; se a vida vai num rumo planejado, me sinto seguro se não entro em desespero; quando tenho saúde me distraio, quando ela falta me revolto. E assim vamos nós como cordeiros seguindo algo aparentemente confortável.

O problema surge quando a vida varia e muda o rumo, nos joga numa experiência não programada ou não desejada. Cadê o recurso para enfrentar? É nessa hora que precisamos nos reeducar para criatividade, para o pensamento alternativo, para a inteligência de vida que foi relegada na educação formal. E é nesse momento que deveríamos lançar mão de uma terapia, recurso criado justamente pela falta dessa educação em nosso meio. Aprender a pensar diferente do padrão, vê o que ninguém está conseguindo, partir de uma perspectiva inusitada, às vezes básica, simples, óbvia. Não deveríamos sentir vergonha de procurar ajuda e sim orgulho de nossa inteligência, não deveríamos nos sentir fracos e sim espertos por facilitar nossa vida!

Muitos dizem que não acham bom falar de intimidades com estranhos, primeiro, o terapeuta não será um estranho pro resto da vida, depois de alguns encontros as pessoas se conhecem melhor. Segundo, quando você procura um curso o professor inicialmente também é um estranho, mas você confia que ele possa ajudar a aprender mais rápido um assunto, e por isso o procura, na terapia é similar, claro que é mais interativo e por isso mais profundo, mas é você quem escolhe como vai fazer e em que ritmo.Outra coisa que dizemos é ele/ela não vai me entender, isso é pura vaidade você não é mais complexo do que os outros seres humanos todos são entendíveis a arrogância não ajuda é ela que nos coloca num lugar infernal. Outros ainda dizem que uma cervejinha no final de semana resolve tudo. Neste caso a pessoa aumenta o problema e perde realmente de se divertir e até usufruir o sabor da cerveja, pois a usa com um anestésico, a diversão neste caso nos leva a uma tristeza maior do que antes e terminamos aumentando a dose para sentir menos.Perdemos saúde e tempo de vida.

Podemos arranjar muitas desculpas para seguirmos meio infelizes pela vida e ir levando até a morte uma existência mediana, ou podemos nos trabalhar para desenvolver nossas potencialidades e viver genuinamente feliz.

Podemos ser inteligentes e facilitar nossa vida ou vaidosos e dificulta-la. Um processo terapêutico serve para desenvolver potenciais, limpar programações, nos liberar para sermos quem genuinamente somos; nos preparar para superar desafios com criatividade. Não é nada de mais nem nada de menos é um recurso, uma reeducação emocional, um laboratório no qual testamos novos pensamentos, novas matrizes de comportamento. Nós podemos nos comportar da forma como quisermos, não somos escravos de padrões, podemos com paciência, perseverança e gentileza nos aprimorar e mudar nosso comportamento.E uma forma de fazer isso é através do processo terapêutico.

(Nanda Botelho é uma das integrantes da II Coletânea Scriptus - A Livre Escrita. Seu perfil completo pode ser visto [ aqui ]))
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17 de março de 2009

Perfil: Vanessa Luchiari


Vanessa Luchiari, nasceu em Ribeirão Preto/SP na tarde de 28 de outubro de 1974.
Cresceu entre artistas, músicos, mágicos e boêmios numa casa permeada de sons, poesias e saraus. Estudou música e artes desde os 4 anos de idade.
Formou-se no conservatório de música da sua cidade. Sempre cantou. Sempre pintou (prefere trabalhar com tinta acrílica). Gosta de azuis, roxos e pretos. Sempre escreveu e guarda seus cadernos-poéticos da adolescência até hoje. São muitos. Ganhou alguns concursos de poesia no colegial.

Cantou e tocou profissionalmente nas noites pelo Brasil adentro. Gravou alguns discos com diversos parceiros e trabalhou em estúdios como cantora e locutora. Deu aulas de música.
Cursou a faculdade de Musicoterapia. Lecionou em faculdade em São Paulo, atuou como terapeuta por alguns anos, nunca deixando a música e a escrita de lado.
Fez pós-graduação em Arte e Educação. Começou a mostrar seus escritos no seu blog VAN FILOSOFIA ( www.vanluchiari.com.br ) onde escreve semanalmente.

“Escrever é um exercício, uma catarse, um desabafo, uma explosão, um refúgio, um orgasmo, uma cura.”

Hoje é empresária da noite, cantora, compositora e fotógrafa amadora nas horas vagas. Todas as formas de arte sempre estiveram presentes na vida de Vanessa. A música e as artes a fizeram ser quem é hoje. “Uma arteira!” Assim ela se autodenomina.



“Sem música e arte eu nada seria!” E diz mais: “Eu sempre fui poeta para não enlouquecer!”

E não pretende parar!


* Van Luchiari, é mais uma autora que participa da I Coletânea Scriptus*

13 de março de 2009

Perfil: Luís Bento


* Luís Bento é mais um autor que participa da I Coletânea Scriptus. É autor da Editora Novitas, e ainda esse ano lança seu livro de contos.


Nascido em Lisboa, a 26 de Dezembro de 1964.
Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa desde 1990,onde é professor de Francês no Ensino Secundário durante dois anos.
Desde 1992, trabalha em uma instituição bancária, em Lisboa.
Publicou alguns poemas e alguma prosa em suplementos literários de jornais diários portugueses durante a década de 1980.

Gere, desde Outubro de 2008, o blog bento-vai-pra-dentro-bento.blogspot.com, onde publica textos de prosa sobre diversos temas, ligados à crítica de costumes, refletindo sobre a sociedade portuguesa contemporânea.
Publicou recentemente dois contos na Coletânea Balaio de Idéias, editada pela Novitas (lançamento programado para março de 2009).
Colabora com o Movimento Lusofonia e com a revista Nova Águia.
Entre em contato com o autor: luisbento@editoranovitas.com.br
O perfil de Lúis Bento, consta no site da Editora Novitas.

"
...Depois veio um senhor arrebanhar as hostes no sentido dessa mesma Europa, meteu o socialismo na gaveta, aferrolhou-a e deitou fora a chave. Rapidamente apareceram os abutres, dúzia e meia de meninos imberbes, cem gramas de anti fascismo num bolso, kilo e meio de demagogia no outro, mais um tanto de paciência a ver para que lado tombava o farol e ei-los, sorrateiramente, a passear pelos aveludados do poder atingidos pela virose e pela pança disforme do aburguesamento. Daí às relações perigosas com o famigerado grande capital foi um passo ao WC em dia de diarreia... Rápido e estugado. À medida que a miséria regressava foram aparecendo mais e mais abutres, montes de abutres, distribuíam lucros e falências, ganhavam obras públicas sem concurso, enchiam sacos de cor azul, fugiam e regressavam do Brasil, abusavam de menores desamparados, orgias constantes em Cascais e Santo Estêvão... de repente... Apareceu a Polícia, a Procuradoria, a Imprensa... "

Trecho do conto "O Triunfo dos Porcos", integrante do próxima obra do autor, já em edição..

8 de março de 2009

Perfil: Stephanos Demetriou Stephanou Neto



*Iremos colocar o perfil dos autores que participaram da coletânea Scriptus. Os livros estarão a disposição dos leitores, antes do final de março.


Stephanos Demetriou Stephanou Neto:



Stephanos Demetriou Stephanou Neto, nasceu na cidade de Porto Alegre no ano de 1974. Licenciado em História pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul em 1999, trabalhou no Memorial do Rio Grande do Sul entre 1996 e 1997 e na Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Sul em 2007 e 2008. Em 2008 realizou pesquisa no Núcleo de Pesquisa e Documentação da Política Rio-Grandense da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É Acadêmico de Ciências Jurídicas e Sociais da Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Foi membro correspondente do Comitê de Especialistas em Bioética e Biodireito da Universidade de Alfenas/Minas Gerais em 2000. Atualmente trabalha no Ministério Público Federal de Canoas/RS e no Núcleo de Prática Jurídica da UNISINOS. Formou-se, também, em Administração de Distribuidoras de Veículos Automotores no biênio 1998/99 pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos, Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotores e Rolim & Trivellato Consultores. Freqüentou o curso Fronteiras do Pensamento - edição 2007, organizado pela Copesul Cultural, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul e Universidade do Vale dos Sinos. É membro da Ordem da Confraria dos Poetas do Brasil e autor catalogado na Câmara Brasileira de Jovens Escritores. Indicado ao VIII Prêmio Cultura Nacional de 2008, na categoria Talento Literário. Colaborador do Jornal Radiante entre 1995 e 2002, da Revista Caros Amigos (edição virtual) entre 2001 e 2003 e da Revista Brasileira Médico-Literária de 2001 a 2005. Em 2004 editou o Informativo Cathedra abordando assuntos relacionados ao cinema e a literatura. Desde 2001 dedica-se a fotografia artística, investigando ângulos inusitados, sombras e aspectos que, normalmente, passam despercebidos no cotidiano (publicadas no site http://nutmahatseba.blogspot.com/). Em 2007 foi selecionado para exposição coletiva na Bienal B. No ano seguinte, colaborou com uma série de imagens para o Jornal UNISINOS (edição virtual).

Publicou os livros:
Evidências da Alma: poesias, frases e citações. Porto Alegre: Palier, 2000; Ecos Polifônicos: síntese arbitrária do pensamento humano. Porto Alegre: Palier, 2002;

The Sickness Music Project: poesias e frases esparsas (STEPHANOU, Nikholas Dimitrios - co-autor). Porto Alegre: Palier, 2004;

Obra Completa 1999-2004. Porto Alegre: SDSN, 2004;

A Melopoética Sicknessiana: poesias e polifonias musicais. Porto Alegre: NDS Music, 2006;
Momento de Silêncio: fotografia selecionada (STEPHANOU, Nikholas Dimitrios - co-autor). Porto Alegre: SDSN, 2007
Solemnia Verba. Rio de Janeiro: Câmara Brasileira de Jovens Escritores, 2008.

Participou das antologias: III Congresso Internacional de Estudos Ibero-americanos. Porto Alegre: PUCRS, 1998;

Pérgula Literária. Rio de Janeiro: Valença, 1999;

Vínculos: poesias, contos e crônicas: Cruz Alta: ALPAS XXI, 2000;

Insigne Poeta. Porto Alegre: Shan, 2002;

Painel Brasileiro de Novos Talentos: Rio de Janeiro: Câmara Brasileira de Jovens Escritores, 2002;

À Eterna Alexandria: poesia contemporânea brasileira. Porto Alegre: Shan, 2003;

Almanaque Gaúcho. Porto Alegre: RBS, 2005;

Novatio Iuris - Revista da Faculdade de Direito da ESADE. Porto Alegre: Escola Superior de Administração, Direito e Economia, 2008;

Enciclopédia Escritores Brasileiros. Porto Alegre: Real Academia de Letras, 2008

Scriptus. Santa Cruz do Sul: Novitas, 2009.

27 de fevereiro de 2009

Adriano Siqueira - Dois contos


A MISSÃO


*Adriano Siqueira


Quando recebi o recado que minha tia estava morrendo, tinha acabado de dar a prova de história para os meus alunos.Peguei um táxi e fui com urgência para a casa dela.Fazia tempo que não a visitava. Todo mundo achava ela meio maluca, pois vivia dizendo:

"– Não, Teófilo, esse livro não!"

O médico me avisou que ela estava delirando mas mesmo assim eu tinha de vê-la. Quando cheguei, ela estava deitada, e me disse baixinho, colocando um cartão na minha mão.– "Você precisa recuperar o livro..."Ela parou de respirar naquele momento... gritei para o médico, que entrou em seguida no quarto. Saí de cabeça baixa, e então olhei o cartão que ela havia me dado.
Comecei a ouvir sons estranhos, incongruentes, e tive a estranha sensação de estar em meio a uma guerra.Virei-me para o lado e uma lança passou raspando sobre minha cabeça. Agarrei um cavalo e derrubei um soldado que parecia ser… romano! Não tive tempo de descobrir como apareci no meio daquela guerra que parecia tão real, com soldados romanos que me rodeavam e que punham fogo numa pilha imensa de livros.
O lugar se parecia muito com a Famosa Biblioteca de Alexandria. De alguma maneira eu havia me transportado até o ano de 391 a.C.!
E então ouvi aquele grito de novo:– "Não, Teófilo, este livro não!"Era minha tia, que puxava um livro de um soldado romano. Teófilo estava a seu lado, rindo, e rindo muito. Foi então que corri em sua direção, e nunca havia corrido tanto. Minha tia olhou para mim e jogou-me o livro.Reapareci na escada da casa de minha tia novamente, mas agora com o livro que ela tanto queria.


(Teófilo, hoje Santo Teófilo, é nomeado patriarca de Alexandria e inicia imediatamente uma violenta campanha de destruição de todos os templos e santuários não-cristãos. Tem o apoio do pio imperador Teodósio. Deve-se a Teófilo a destruição, em Alexandria, dos templos de Mitríade e de Dionísio. Essa loucura destruidora culmina em 391 com a destruição do templo de Serapis e da sua biblioteca. As pedras dos santuários destruídos serão usadas para edificar igrejas para a nova religião única, a cristã )


****


A VAMPIRA DA LOTAÇÃO


*Adriano Siqueira



- Olá Greg! Mais uma noite de ida e volta.
Roberto, 32 anos, cobrador, seu turno era das oito da noite as cinco da manhã.
Greg era um motorisma metódico. Preocupava-se apenas com o bem estar dos passageiros e do ônibus.
- Mais um que sumiu. - Dizia o cobrador.
- Eu li o jornal. Notei que eles pegavam nosso ônibus. - Greg dizia olhando para frente.
- Isso não te assusta?
- Muita coisa me assusta... Salário atrasado, greve, ataques de incendiários a ônibus...
- Nossa! Isso é mesmo assustador. E a Kadja?
Greg olha para o cobrador.
- O que tem ela?
- Sem essa... Você treme quando ela pega nosso ônibus.
Greg estaciona o ônibus para pegar alguns passageiros. Eles escutam uma gargalhada. Os dois se olham e engolem seco antes de continuar. Em menos de meia hora de viagem o ônibus tinha mais de quarenta passageiros.
Roberto pega um livro e começa a ler.
- Sabe o que estou lendo Greg?
- Sei... Algo como “falar menos” ou “Como não atormentar um motorista”.
- Nada disso. Estou lendo um livro sobre vampiros.
- Pode parar por ai Roberto. Eu não quero falar sobre isso. A Kadja é normal.
- Falando de mim...
Um calafrio tomou conta do Greg. Aquela mulher morena de cabelos cacheados e os olhos cinzas claros e um corpo bem definido. Uma vez por semana ela tomava aquele ônibus.
- De onde você veio?
- Acabei de subir. Você não me viu?
- Como consegue fazer isso? Novamente eu não a vi entrar.
- Mágica seu bobo.
O seu sorriso destaca os dentes brancos.
- Como vai pagar a passagem hoje Kadja.
- Vai ver garoto esperto.
Roberto viu Kadja olhando diretamente em seus olhos. Ela fica bem perto dele. Dá um sorriso e por um momento, ele vê a sua vida inteira passando por sua mente.
— Que livro curioso Roberto!
Ela pisca e desvia os olhos de Roberto, segura em um dos braços de um passageiro que estava perto... seus dedos finos passam pela camisa e quando vê que o cartão de passagem está no bolso da camisa ela vira o homem de frente para a máquina e faz uma massagem nas suas costas... o homem gosta e vai ficando cada vez mais perto da catraca. Relaxado pela massagem, seu corpo vai um pouco para frente até que o cartão que esta na camisa aciona e libera a catraca. Ela sorri e diz:
— Isso paga a massagem!
Os amigos daquele cara riem e ele fica enfurecido por ter sido enganado.
Sua louca! Devolve minha passagem agora!
Onde estão os seus modos? Bem. Vamos lá para o fundo que lhe darei tudo que pedir.
Os amigos dele sorriem e o cumprimentam pela sorte que ele tinha. Kadja era linda. Era impossível deixar uma mulher como ela, sozinha.
Greg e Roberto fizeram três viagens de ida e volta. Estavam voltando para a garagem quando Roberto olhou para todo o interior do ônibus.
— Greg! Responda-me... Você viu a kadja descer?
Greg olhou para o Roberto e disse.
— Não. Eu não sei como ela faz isso.
Ele estaciona o ônibus na garagem e ambos descem para acertar os horários. Quando vêem logo a sua frente uma multidão.
Saia da frente. Precisamos desse ônibus para fechar a entrada da garagem.
Você está louco... Esse é meu ônibus.
Não! Não é... É da frota e estamos em greve.
A multidão empurra Roberto e Greg. Pegam o ônibus e levam até o portão. Jogam gasolina e colocam fogo.
— Parem com isso! Roberto gritava, mas não era ouvido. A bagunça toda organizada pela multidão acabou trazendo varias radiopatrulhas e bombeiros. Os primeiros raios do sol já tomavam conta do local.
Roberto tenta empurrar a multidão, mas é agredido e fica sangrando sentado na calçada.
Greg não consegue tirar os olhos do ônibus em chamas. De repente todos escutam um grito apavorante. Todos se calam. E debaixo do ônibus cai um caixão que estava preso na carroceria e de lá sai uma mulher. Era Kadja gritando e correndo para Greg. Ele estava paralisado... Ela queimava por completo. Ela tenta agarrar o pescoço de Greg, mas a alguns passo... ela parou... se contorceu de dor e caiu a poucos metros dele.
Seu corpo foi desaparecendo até que finalmente transformou-se em cinzas.


**************



*Adriano Siqueira é um dos escritores do livro "Amor Vampiro" e criador do fanzine "Adorável Noite" sobre contos de terror e vampiros, que é distribuído em várias casas noturnas e eventos sobre ficção. Faz palestra sobre vampiros e escreve para vários sites sobre o tema. Atualmente escreve para o blog www.contosdevampiroseterror.blogspot.com

Contato com o autor:
Siqueira.Adriano@gmail.com

23 de fevereiro de 2009

Bolinhos da Sorte - por Pedro Manuel da Conceição Lopes

BOLINHOS DA SORTE
* Pedro Manuel da Conceição Lopes


Depois de desenfreadamente ter comido uma caixa de bolinhos da sorte chineses e com manifesto agrado lido as suas simpáticas palavras, senti crescer dentro de mim uma vontade incontrolável de lhes escrever a seguinte carta:
“Caros bolinhos da sorte chineses:
Muito obrigado pelas vossas simpáticas palavras. Já ninguém era assim tão simpático para comigo desde que falhei um pénalti decisivo numa semi-final dos interturmas no 7º ano e recebi cumprimentos de praticamente todos os jogadores da equipa adversária. E do resto da turma. Das raparigas recebi mesmo algumas risadinhas que julguei serem cúmplices, mas que o tempo logo se encarregou de me desenganar. Escárnio, ouvi dizer.
Mas desde esse momento que nunca mais ninguém me conseguiu desejar coisas tão bonitas como um: Besser zweimal fragen, als einmal irre gehen ou um mais lusitano: Mais vale perguntar duas vezes do que ser enganado.
Se porventura tivesse perguntado duas vezes se seria mesmo eu que tinha de marcar aquele último e decisivo pénalti, alguém teria gritado sensatamente que NÃO. Se calhar teria tido uma adolescência mais sociável e infeliz, dependente daquelas coisas idiotas a que os adolescentes se prezam, tais como a amizade sincera e amores tendencialmente impossíveis.
Sem as longas e tórridas tardes de Verão a devorar solitariamente Kafka no sossego do meu quarto, os amores e humores que se seguiram na minha vida nunca teriam tido lugar. Esta carta não teria qualquer razão de existir e nunca teria comprado uma caixa de bolinhos da sorte chineses numa promoção de um supermercado alemão presente na nossa vila.
Mas de todos os conselhos e saudações que recebi naquela bendita caixinha, há um que não consigo deixar de reiterar: Mais vale perguntar duas vezes do que ser enganado, pois deve ser exactamente o que o leitor se deverá fazer antes de ler o que quer que seja que eu escreva.”

*************

* Pedro, nasceu há coisa de 26 anos num hospital que já não existe em Santarém, Portugal.
Licenciou - se em Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e esta neste momento a frequentar um mestrado em Gestão de Sistemas E-Learning na mesma faculdade.
Fundou, juntamente com Gonçalo Veiga, o grupo Poesia Para Ninguém com diversos recitais pelo país, sendo ainda convidado a título particular para outros eventos relacionados com poesia e a promoção da leitura.
Trabalha enquanto técnico de animação do livro e da leitura na Biblioteca Municipal de Grândola e mantem uma colaboração regular no jornal Ecos de Grândola, assim como é o responsável pela actualização do blogue da biblioteca (
http://bmgrandola.blogspot.com) para além de manter um outro pessoal (http://bbba.blogspot.com) e ter ainda colaborações pontuais noutros blogues.


21 de fevereiro de 2009

A poesia de Neida da Costa Rocha

Neida da Costa Rocha:
Nascida em Vila Harmonia, em Canoas/RS, dia 1º de fevereiro de 1954, Aquariana com Ascedente em Peixes, Mago Galático Branco.
Filha de José Lopes da Rocha e Tereza da Costa Rocha, criada entre dois irmãos (Nei e Sidnei).
Na Páscoa de 1973 seu irmão Nei faleceu e em 1980 escreveu poema PÁSCOA em homenagem ao irmão falecido. O poema foi publicado no Jornal Correio do Povo (Porto Alegre/RS), iniciando assim, sua vida literária.
Aos 45 anos retomou os estudos e aos 50 anos concluiu a Faculdade Letras (Português/Inglês) e aos 53 Pós-Graduação (Língua Portuguesa) - FURB/SC.
Após 30 anos residindo em SC, retornou a sua terra Natal.
Tem 8 publicações individuais e participação em 51 Antologias com Contos, Crônicas e Poemas.
Recebeu diversos prêmio literários.

HORA DO CONTO, caravana literária promovida pela Prefeitura de Canoas


PARTICIPANTE DOS GRUPOS :
Membro Fundadora da Sociedade Escritores de Blumenau;
Academia de Letras Blumenauense;
Casa do Poeta de Canoas;
Associação Gaúcha Escritores (AGEs);
Clube Escritores Piracicaba;
Rede de Escritoras Brasileiras (REBRA);
Patronesse do site virtual Academia Virtual Sala dos Poetas (AVSPE);
Poetas del Mundo;
Associação Canoense de Escritores (ACE);
Associação Escritores Ilustradores Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ);
Casa do Poeta do Riograndense (CAPORI).
Escreve Crônicas no site: www.autoreseleitores.com
Tem centenas de sites com seus textos.


PUBLICAÇÕES INDIVIDUAIS
CONTRONICAS (2ª edição) - 2000
SENTI(MO)MENTOS - 2000
SINTO MUITO AMOR - 2002
DANILO, MOCHILA E SEUS AMIGOS (2ª ed.) - 2004
MINHA NÃO METADE - 2005
EFEMÉRIDES - 2007


Contatos da autora:
neidarocha@terra.com.br
www.neidarocha.com.br

A poesia de Neida:

SONS DA NOITE

Os sons da noite
me acalentam.
A brisa suave
envolve
meu corpo.
Ouço a madrugada.
Fecho os olhos
para pensar.
O dia inicia
com os mesmos
questionamentos.


Verbo de ligação

A vida é vaga.
A morte é certa.
O Sol é seu.
O medo é meu.
O ninho é nosso.
A noite é longa.
A morte é certa.
A vida é breve.


14 de fevereiro de 2009

Novidades no site

Quer uma visualização maior de seu perfil, a um custo baixo?

Enviei um e-mail para
contato@editoranovitas.com.br e solicite sua página.

Por R$ 10,00 (dez reais) mensais, você terá direito a uma página em nosso servidor (http://www.editoranovitas.com.br/seunome) onde pode-se inserir sua biografia, bibliografia, endereços da web e o que mais você quiser, com manutenção de conteúdo gratuíta.



Além disso, ainda lhe fornecemos a conta de e-mail para essa página ( seunome@editoranovitas.com.br)


Para os autores que publiquem conosco, os primeiros seis meses serão gratuítos.


Responda a pesquisa:

11 de fevereiro de 2009

livros a venda

Livro: Uns & Outros

  1. Autor(a): David Nóbrega
  2. Editora: VirtualBooks, 2008
  3. ISBN: 978-85-60864-23-2
  4. Categoria: Contos
  5. Nº de páginas: 98
  6. Preço: R$ 16,00 + despesas de envio

O LADO DURO DA VIDA Gerana Damulakis *

Conheci a prosa de David nos blogs, acho que no Canto dos contos. Minha atenção se prendeu no conto “Suicida”, extremamente original, uma idéia de primeira. Pedi autorização e postei o conto no meu blog. Mostrei para Aramis Ribeiro Costa, ficcionista experimentado, que também gostou muitíssimo. Daí para frente, venho seguindo sua produção e posso dizer que já tenho formada minha impressão — sim, é uma crítica impressionista — a respeito da ficção de David Nobrega. Seu ritmo é um predicado importante: geralmente veloz, o texto avança rumo ao resultado sem concessões outras, porque importa mesmo é contar a história. O que o autor colhe disto é a certeza de que seu leitor não deixará a narrativa até que ela tenha sido concluída. E se conclui: o conto de David tem começo, meio e fim, tem compromisso com o enredo e seu desfecho. Outra certeza seria a satisfação da curiosidade, já que nada fica em suspenso; melhor dizendo, o nó ficcional é moldado, toma a forma no clímax e se desfaz ainda no texto. O que o autor conta ao longo das suas vinte e tantas histórias curtas do volume está de mãos dadas com o lado mais duro da vida. A sensação é a de que nada se lhe escapa, seja a doença, seja a solidão física e/ou anímica, seja a miséria. O episódio detonador da narração está em plena concordância com a tragédia, não começa com tudo perfeito ao redor e, de repente, surge o acaso destruindo a calmaria. Não. Na contística de David entra-se de chofre na “tragicidade” — palavra cara a Adonias Filho — com seus personagens e suas situações adversas. Ao fim e ao cabo, estamos lendo atualmente a própria realidade monstruosa que nos cerca, que nos atinge, que vivenciamos: violência, falta de relacionamentos estáveis, solidão, doença. A literatura não está distante da vida mesma, está reproduzindo-a porque, estupefata, se alinhou completamente com os dissabores, com o lado duro da inexorável condição humana. Entre estes contos, destaco ainda “Casual” e “Cruzamento”, Em “Casual”, que plasma justamente a superficialidade dos relacionamentos, encontro um ponto muito alto da coletânea. Em “Cruzamento”, confirmo a observação aguçada, na verdade, emblemática do contista. Destaco-os como contos antológicos, assim como “Suicida”. O que vale dizer que a reunião dos contos foi muito bem lograda, haja vista a existência de tantos exemplos antológicos em um volume — em grego, antológico é inesquecível. Em suma, o que temos são histórias que contam, e contam com estilo firme, com a mão de quem sabe conduzir sua narrativa do começo ao fim sem tropeços e, ainda, que gera um envolvimento total durante a leitura: não é pouco, portanto, o que aguarda os leitores. Salvador, 4 de novembro de 2008


* Crítica Literária - Jornal Tribuna da Bahia

* * *

Livro: Ensaios Amadores…ou não!

ensaios amadores

  1. Autor(a): Letícia Losekann Coelho
  2. Editora: Scortecci, 2008
  3. ISBN: 978-85-366-1242-3
  4. Categoria: Poesia
  5. Nº de páginas: 101
  6. Preço: R$ 20,00 + despesas de envio

Poesia crua com estilo (*)

Ensaios Amadores…ou não! lança questionamentos desde o título. Um livro de poesias onde a marca maior é a força da palavra. Por mais simples que seja um simples verso, detém o poder tanto para inaltecer quanto destruir o assunto a que se refira. Se em Doença temos o embate sentimental a la Augusto dos Anjos, em Sinestesia… o amor em flor. Contrastes e questionamentos tantos que podem ser verificados pelo leitor a cada nova e deliciosa página virada.

(*)por David Nóbrega

Acima, nossos livros. Antes de pensarmos em ter nossa própria Editora. Mas continuam a venda.

Quer ler? Envie um e-mail para blog@editoranovitas.com.br


10 de fevereiro de 2009

Divulgando





"DANILO, SUA MOCHILA E SEUS AMIGOS"
LIVRO INFANTIL de NEIDA ROCHA (3ª edição - Português/Espanhol)

NEIDA ROCHA, através de uma história envolvente, em sua 3ª edição, utilizando uma linguagem de fácil interpretação e de maneira sutil, orienta as crianças sobre os perigos para a saúde, de carregar peso em excesso na mochila escolar e estimula os alunos a manterem em ordem o material escolar.
A autora incentiva a prática da leitura através de uma história agradável e de cunho educacional e estimula a viagem ao mundo imaginário dos livros.
A distribuição dos 3.000 exemplares será realizada gratuitamente aos alunos do ensino fundamental, com faixa etária entre 06 e 12 anos, nas escolas do município de Canoas/RS.

"DANILO, SUA MOCHILA E SEUS AMIGOS" está aprovado pela LEI ROUANET (8.313/91) Portaria 0003/09 com publicação no D.O.U. em 07 DE Janeiro de 2009 e permite aplicação do Imposto de Renda devido em projetos culturais (Pessoa Jurídica até 4% e Pessoa Física até 6% do importo devido).

Para aplicar seu IMPOSTO DE RENDA no Projeto/LIVRO:
"DANILO, SUA MOCHILA E SEUS AMIGOS" de NEIDA ROCHA
(3ª edição - Português/Espanhol) - (LEI ROUANET 8.313/91),
siga os passos:

1) Calcule o imposto devido;

2)Destine um percentual ao Projeto:

3) Entre em contato com a autora para depósito na CONTA PROJETO específica;

4) A autora enviará, depois do depósito realizado, o Recibo do Mecenato
que deverá ser anexado à declaração do Imposto de Renda/2009.

CONTATO COM A AUTORA:
Neida Rocha
(0**51) 9942-3898
http://www.neidarocha.com/.br
neidarocha@terra.com.br
* - * - *

PRORROGADO CONCURSO INFANTIL

“AJUDE DANILO A ESCOLHER O NOME PARA O CACHORRO”

REGULAMENTO

  1. O objetivo do CONCURSO INFANTIL “AJUDE DANILO A ESCOLHER O NOME PARA O CACHORRO” é escolher o nome para o cachorro da personagem principal do livro: “DANILO, SUA MOCHILA E SEUS AMIGOS” de NEIDA ROCHA (publicado com o nome Neida Wobeto).
  2. P R O R R O G A D OO CONCURSO INFANTIL “AJUDE DANILO A ESCOLHER O NOME PARA O CACHORRO” poderá ter a participação de crianças de 6 (seis) a 12 (doze) anos de idade de todo o país.
  3. A inscrição é GRATUITA e NÃO ESTÁ VINCULADA à compra do livro: “DANILO, SUA MOCHILA E SEUS AMIGOS”.
  4. A inscrição (prorrogada) deverá ser feita até o dia 30 DE SETEMBRO DE 2009, através da ficha de inscrição abaixo.
  5. A divulgação e a entrega do prêmio acontecerão no Dia da Criança (12/10/2009) em locar a confirmar.
  6. Cada criança poderá participar com quantos nomes desejar, desde que seja feita uma ficha de inscrição para cada sugestão.
  7. A remessa deverá ser feita para a autora:

NEIDA ROCHA

Rua Almirante Barroso, 51

92.110-370 – CANOAS/RS

CONCURSO INFANTIL

“AJUDE DANILO A ESCOLHER O NOME PARA O CACHORRO”,

ou no site: www.neidarocha.com.br ou por e-mail: neidarocha@terra.com.br

  1. A escolha do nome será feita pela autora e levará em consideração a originalidade e criatividade do nome.
  2. A título de premiação, a criança que tiver a sugestão de nome escolhido para o cachorro no CONCURSO INFANTIL “AJUDE DANILO A ESCOLHER O NOME PARA O CACHORRO”, receberá um COMPUTADOR com programas e acessórios básicos para o funcionamento do mesmo.
  3. A participação no CONCURSO INFANTIL “AJUDE DANILO A ESCOLHER O NOME PARA O CACHORRO” pressupõe a aceitação deste regulamento por parte do concorrente, cedendo o ganhador, os direitos autorais, e autorizando o uso de seu nome, a qualquer tempo no material de divulgação do resultado.
  4. O nome do cachorro escolhido e o da criança ganhadora serão incluídos nos próximos livros da autora, sem ônus para a mesma, desde que autorizados por um responsável.
  5. As fichas participantes e não premiadas serão incineradas pela autora.

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NEIDA ROCHA nasceu na Vila Harmonia, em Canoas/RS, em 01/02/1954. Filha de José Lopes da Rocha e Tereza da Costa Rocha, criada entre dois irmãos. Aos 45 anos, mãe de dois filhos, retomou os estudos e aos 50 anos concluiu a Faculdade Letras (Português/Inglês) e aos 53 Pós Graduação (Língua Portuguesa). Após 30 anos residindo em SC, retornou a sua terra Natal. Faz dos acontecimentos de sua vida, matéria prima para a criação de seus textos. Tem 8 publicações individuais e participação em 50 Antologias com Contos, Crônicas e Poemas e prêmios em diversos concursos nacionais.

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DANILO, SUA MOCHILA E SEUS AMIGOS

[Infantil (2ª ed) - 32 pág – Odorizzi/Blumenau/SC] narra a história de um menino de 11 anos que, ao dirigir-se para a escola, cai e vive uma aventura com seu material escolar dentro da própria mochila.

FICHA DE INSCRIÇÃO

SUGESTÃO DO NOME:

NOME DA CRIANÇA:

LOCAL e DATA NASCIMENTO:

ENDEREÇO COMPLETO:

CIDADE/ESTADO/CEP:

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